ESSE MENINO

sobras

ESSE MENINO

 

Esse menino é  quem sou

lá . . . no fundo de meu eu. . .

 

Ele, em mim se homiziou

se enclausurou, se perdeu

 

Esse menino . . .  é quem fui

desde que nasci . . .  e sei

 

que sempre, sempre serei

ele . . . enquanto o tempo flui.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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CANTO INDOLENTE E MALANDRO

NÓS

CANTO INDOLENTE E MALANDRO

 

Todos vocês, que querem Lula lá

naquela estreita sala/cela em que ele está

amam chamar  golpistas de  ‘Vossa Excelência’

 

 

Porém, a gente, que quer Lula livre já

louva Zumbi e a Tribo dos Tupinambá. . .

(A gente honra . . . quem merece reverência)

 

 

Herdamos toda ‘malandragem e indolência’

dos africanos e dos índios . . . (bons guerreiros)_

 

E, sendo assim, não endossamos a indecência

de vendilhões e de vilões alcoviteiros. . .

 

Somos milhões, milhões, milhões de brasileiros

que os maiorais ousam chamar de minoria. . .

 

Somos soldados! Combatentes! Guerrilheiros!

Temos coragem pra enfrentar a covardia

 

e pra lutar em nome da democracia

que a má Justiça quer manter encarcerada

 

amordaçada, enfraquecida e sem valia. . .

(e lutaremos . . . pela nossa pátria amada)!

 

Depois de cada noite escura, raia o dia!

A treva é nada quando o sol no céu ressurge!

 

Vamos à luta  . . . com bravura e galhardia

pois, temos pressa, a hora é essa  e o tempo urge!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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FRENTE FRIA

frente1

FRENTE FRIA

 

Vem com tudo, frente fria!

Vem, que eu tenho as costas quentes

Muita lenha pra queimar . . . e uma guria

de corpo, alma e coração incandescentes!

 

 

Pode avançar, frente fria

sem dó . . . que o fogo da gente

derrete uma geleira a cada dia!

(derreteria até um continente)!       

 

 

Pode chegar com força, frente fria

pois, vamos encará-la frente a frente

com ondas de calor e de aguardente!

com rios de lava e brasas de poesia!

 

 

Não há quem nos enfrente, frente fria!

Somos ardentes, imbatíveis combatentes!

Sim! Dois amantes flamejantes e ‘calientes’ !

Sua frieza . . . nunca nos resfriaria!

 

 

Faça ventar, chover, nevar . . . com euforia!

Vamos ferver, sem hesitar e, avidamente

ser tão ardentes que o verão invejaria

o calorão a vir de nós, constantemente!

 

 

Congele campos, lagos, rios, frente fria

que em nosso leito . . . o fogaréu é permanente!

Pode chegar gelando o ar da pradaria. . .

que vamos recebê-la . . .   calorosamente

 

 

até fazê-la arder em febre . . . frente fria

e dissipar-se . . . mansa e vergonhosamente.

 

PAULO MIRANDA BARRETO      

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POBRE JÓ

pobre6POBRE JÓ

 

Jó ganhou na loteria!

— Quem espera sempre alcança!

Era o que ele repetia

desde os tempos de criança. . .

 

 

Ficou rico! Que alegria !

Enfim, teria abastança!

Porém, morreu no outro dia

sem nem provar da bonança. . .

 

 

Sua viúva, Maria

por fora, triste e chorosa

por dentro, quase explodia

de euforia e, em polvorosa

 

 

para si mesma dizia:

— Oh! Que desdita ditosa!

Quem diria que eu teria

sorte assim tão generosa?

 

 

Jó, agora em paz descansa

jaz por sob a lájea fria. . .

enquanto a bela Maria

dona na polpuda herança

 

 

canta, dança e rodopia

bem feliz com a vida mansa. . .

Tem mansão, carrão e cia

mas, de Jó . . .  nem tem lembrança!

 

PAULO MIRANDA BARRETO  ( 1994)

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TEMPO

tempo3TEMPO

 

O tempo é arqueiro que dispara flechas

em forma de ponteiros de relógio. . .

Elas agrisalham barbas e madeixas

e amarelam todos os versos que forjo          

 

 

Tempo intempestivo, desnorteia ventos

apaga memórias, vestígios e chamas

Come calendários, carcome momentos

amores, intentos, flores, caligramas                

 

 

E, ao passo que avança, evidencia pechas

máculas malignas . . .  dignas de nojo        

a invadir segredos por ínfimas brechas

e a desnudar pejos . . .  com horrendo arrojo

 

 

Tece a eternidade com instantes lentos

vãos alumbramentos, dolorosos dramas

mentiras felizes . . . e veros tormentos

-Tudo é ornamento para  suas tramas-

 

 

Resta-me conta-lo, admira-lo e vê-lo

eterno e soberbo . . . no Evo dos anos

até que a brancura tome o meu cabelo

e Ele me aniquile como aos meus enganos

 

 

Impotente e fraco,  não posso detê-lo. . .

(Sou mero algarismo dentro de seus planos)

Limito-me a ouvi-lo . . . sem contradize-lo. . .

e a seguir versando . . .  meus desvãos humanos.

 

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ”TRÊS ESFINGES DE BIQUINI” de SALVADOR DALÍ

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VIDE BULA

VIDE BULA ADELINO ÂNGELOVIDE BULA

 

viu aviões encalhados

e navios anuviados

num céu nublado de abril

 

 

viu um elefante alado

(e cor-de-rosa) avoado

pousado num peitoril

 

 

viu arcanjos empalhados

e espantalhos espantados

com seu riso . . .  azul- anil

 

 

e adormeceu debruçado

sobre um poema inspirado

na bula . . .  do Rivotril.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ”DESESPERADO” de Adelino Ângelo

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CAUSA MORTIS

CEMI1CAUSA MORTIS

 

Alfredo morreu de medo

Julião, de solidão

Severino morreu cedo

de sede (ou de inanição)

 

 

Marina morreu de tédio

Jaqueline, de paixão

Ana, dum mal sem remédio

sem causa ou  explicação

 

 

Otávio morreu de amor

Ermenegildo, de ódio

Gil morreu de dissabor

(e por abuso de sódio)

 

 

Helena morreu dormindo

Feliciana, de infarto

e eu . . .   hei de morrer fingindo

ser poeta . . . neste quarto.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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CEGO

CEGO2CEGO

 

Estou cego, mas, enxergo

o que ninguém mais quer ver. . .

O pior cego  . . .  é o Ego

de quem não quer nem saber .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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AVISO AOS IMPLICANTES

IMPLICANTES2AVISO AOS IMPLICANTES

 

é inegável que o bom senso está em baixa

e é consenso que o respeito está em falta

por consequência . . . a baixaria está em alta

(tanto que, mesmo gente culta, se rebaixa)         

 

 

decido então, pensar melhor (fora da caixa)

e, logo,  agir sem adotar conduta incauta

 

 

pois, quem  põe lenha na fogueira

(e nela salta)

por conta própria . . .  se denigre

e se esculacha.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DIREITOS

direitos5DIREITOS

 

Direita! Esquerda!

Direita!  Esquerda!

Direita! Esquerda!

DIREITOS . . . vou ver?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.