QUAL TRAÇA

TRAÇA

QUAL TRAÇA

 

O outono tomou meu eu

Meu longo verão já era. . .

Qual traça, o seu inverno carcomeu

sem pena, minha obra prima (vera).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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MEDOS

medoMEDOS

 

eu já tive medo de roda gigante

de escanda rolante

da estrelas cadentes. . .

 

 

hoje, mais ‘crescido’

(não sei se o bastante)

coleciono medos mais proeminentes:

 

 

medo do futuro,  do presente instante

de voltar atrás, de seguir em frente

de constantemente tornar-me inconstante

de odiar o mundo, de amar novamente

 

 

do desconhecido, de meu ‘semelhante’

de ser muito crédulo ou muito descrente

e o de revelar-me como um ser mutante

um ‘ET itinerante’, a errar . . . ‘humanamente’.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: LJUBA ADANJA

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A MORTE É DURA

morte

A MORTE É DURA

 

Eis-me aqui, em pele e osso

Alma humana em carne viva

Um malnascido bom moço

a quem, de graças, Deus priva

 

 

De farra, a vida me leva

sempre, na marra, à loucura

Barra o meu lume na treva

e encarde a minha brancura

 

 

Imundo é o fundo do poço

em que minh’alma é cativa

Meu sofrimento é colosso. . .

e, dele, Deus não me livra

 

 

Se me aqueço, a vida neva

Se sorrio . . . me tortura

e, a Morte, só de longe, me observa

(sem me ceifar)

Tal como a vida . . . a morte é dura.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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À PREÇO FIXO

FIXOÀ PREÇO FIXO

 

Ela beija a flor do cacto

bem como a boca do lixo

Consigo, leva um compacto

e dourado crucifixo

 

 

Nunca engole sapo a seco

(só com uísque on the rocks)

É isso o que mantém fresco

seu coração . . .  de aço inox

 

 

Faz seus programas num beco

sem saída, com escroques

estúpidos e dantescos. . .

(duros como para-choques)

 

 

Depois, diz frases de impacto

e urra, tal como um bicho

que escapa da morte intacto. . .

após vender o corpo à preço fixo.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’PUTA FLOR’’ by ALEJANDRO ESCOBAR

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VÊNUS

vênus

VÊNUS

 

neste quarto

à meia-luz

 

de lá do alto

do céu

 

pela janela

do hotel

 

sei que Vênus

nos vê nus.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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CHUVOSO

CHUVOSO

CHUVOSO

 

Sempre que faz sol eu chovo

Tanto que desapareço. . .

Fico velho no ano novo

(e, do passado, me esqueço)

 

 

Sim, por vício, me aborreço

com venenos que absorvo. . .

De malgrado, reconheço:

Meu gozo seduz o estorvo

 

 

Por ser assim, pago o preço

Quando sorrio. . .

me comovo

 

Escrevo um verso

e emudeço. . .

(Ao fazer-me sol, eu chovo).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ÀS VEZES

VEZES

ÀS VEZES

 

Ás vezes . . . fazer poesia

é como ler jornal na ventania

ou como tomar sopa sob a chuva

para ensopar de sol a voz sombria

 

 

É como soletrar uma agonia

e, torto, ler a reta numa curva

pra eclipsar o sol do meio- dia

e adivinhar o vinho . . . numa uva

 

 

É extrapolar! Multiplicar estripulias!

Calçar meias nas mãos e, nos pés, luvas

para fazer duma blasfêmia, uma eufemia

e transfundir o afã das noivas às viúvas. . .

 

 

É se aluar até que a lua luzidia

surja no céu da noite  fria, feia  e turva

pra iluminar tua nudez e,  eu ver, Luzia

mais uma vez, Vênus raiar . . . de sua vulva.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DESGOSTO DE SANGUE

DESGOSTO

DESGOSTO DE SANGUE

 

onde inexiste respeito

a persistência desiste

e, até felicidade

é coisa triste. . .

 

sobram:

ego gigantesco

nariz em pé

dedo em riste

 

o amor desama, detesta

e, o que resta. . .

não resiste

 

-só o desgosto de sangue

que em minha boca persiste. . .

e assombra o coração (que tu partiste)-.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’LA LOCURA O EL TORMENTO DE LLAMARSE NADA’’ by JUAN M. CARRASCO D.

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VENCIDO CONVENCIDO

VENCIDO7

VENCIDO CONVENCIDO

 

Por que diabo estou rindo

se, de dor, vivo morrendo?

Por que de uma vez não findo

meu sofrimento e me rendo?

 

 

À minha desgraça, eu brindo

(e, disso, não me arrependo)

Sei que Jesus não tá vindo

e sei que  Deus não tá vendo. . .

 

 

Lá fora, trovões rugindo

vento zunindo e, eu dizendo:

-Oh! Como o dia está lindo!

(Confesso, nem eu me entendo)

 

 

Nestes poemas, fingindo

tão verdadeiro vou sendo

que duvido estar mentindo. . .

e, acabo me convencendo.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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A MÍNIMA DÚVIDA

DÚVIDAA MÍNIMA DÚVIDA

 

A

vida

é

terna?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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