AVISO AOS VACILANTES

fascismo1AVISO AOS VACILANTES

 

‘’Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil’’?

Será que não ruirá?

Será que já não ruiu?

 

Vacile mais e verá um ‘novo tempo’ sombrio

em que o povo gemerá

aos pés de uma hoste hostil

 

 

Que usará de força bruta

pra subjugar o brio

e tornar a Justa Luta

em algo vão . . . pueril

 

 

A não ser que a massa astuta

encurte o próprio pavio

e mande os filhos da puta. . .

para a puta que os pariu

 

Seres de alma diminuta

engendrarão seu ardil

e serão a mão que amputa

o que há de bom no Brasil

 

 

Quem tem ouvidos, escuta

das serpentes . . . o cicio

Só quem é surdo, labuta

em prol  de um futuro vil!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: by MILITÃO QUEIROZ

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QUE MAL FAZ?

que mal faz seduction bartosz bedaQUE MAL FAZ?

 

Os meus olhares compridos

febris . . . e cheios de luz

são ávidos e, atrevidos. . .

bolinam teus olhos nus

 

 

Quebram regras e sigilos

Quebram gelos e tabus

e adivinham teus mamilos

sob o vestido . . . (Jesus)!

 

 

Espionam teus segredos

tuas curvas, teu querer

Tateiam-te como dedos

sequiosos  . . .  de prazer

 

 

Veem teus receios, teus medos

Mergulham dentro em teu ser

Leem teus lábios, teus enredos    

e o que anseias . . .  esconder

 

 

Dirás que são ousados, enxeridos

gulosos . . . penetrantes por demais

Mas, ai! Não são, por isso, ‘proibidos’

e nem, de forma alguma . . .’ imorais’

 

 

Entendas . . . são assim, desinibidos

e ousados só pra ti, pra ninguém mais. . .

Querem somente seduzir os teus sentidos

e desnudar  a tua alma . . .  Que mal faz?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ”SEDUCTION” by BARTOSZ BEDA

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DE TRAPAÇAS E TROPEÇOS

 

TROPEÇOS2DE TRAPAÇAS E TROPEÇOS

 

Deixe que eu brinque em serviço

que me espalhe em prosa e verso

Se rimo com fracasso ou com sucesso

não sei, mas, pode crer, nasci pra isso!

 

 

Sossegue o facho . . . É só o que lhe peço

Sei muito bem lidar com ‘rebuliços’

E andar pisando em solos movediços

é o que mais faço, desde o meu começo

 

 

Não tema por meu jeito insubmisso

Bem valso com palavras que não meço

Se bailo entre a escassez e o excesso

é só insensatez . . . que desperdiço

 

 

 

Pois, sou de carne e osso, não de aço

mas, minha alma é impávida e tem viço

Brincar com fogo . . .   é o melhor que faço!

E ah! Se eu me queimar, que mal há nisso?

 

 

Sossegue amor, que eu morro, mas, renasço

das cinzas, dos azuis, da luz dos versos. . .

Não há quem descompasse o meu compasso

(Vou sempre um passo à frente dos perversos)

 

 

E amarro muito bem os meus cadarços. . .

É só de vez em quando que tropeço

Se caio e quebro, junto meus pedaços

depois, requebro . . . rio . . .  e recomeço!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: by Jean-Michel BASQUIAT

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VERSOS DESACORÇOADOS

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VERSOS DESACORÇOADOS

 

Não há luz no fim do túnel

nem vaga-lumes no breu. . .

Só há mesmo este infortúnio

que caminha ao lado meu

 

 

Nada mais me entusiasma 

Meu vigor . . . desvaneceu

Hoje, sou como o fantasma     

dum homem que não morreu

 

 

dum sábio que fez-se incauto

que viu doçura em devassos

que foi, do sucesso, arauto

e agora . . .  rima fracassos

 

 

Tolo que mendiga abraços

olhares, afagos, beijos

e conta estrelas e passos

enquanto castra  desejos. . .

 

 

Voo alto . . . e  caio no sono

sem sonhar com céus azuis

ou com coisas que ambiciono

mas, com najas . . .  e urubus

 

 

Neste mundo-cão sem dono

minha ilusão . . .  diluiu-se

Eram de areia o meu trono

e o meu castelo, Clarice

 

 

Ter esperança . . . é tolice

Há muito, a minha morreu

se, ao menos, Deus permitisse

que também morresse eu

 

 

talvez, findasse o infortúnio

que assombra o caminho meu

e eu vislumbrasse a luz no fim do túnel

ou vaga-lumes a brilhar . . . dentro do breu .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: by FABIEN KERNEIS

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LONGE DE MEGIDO

MEGIDO HUGO SIMBERG 1

LONGE DE MEGIDO

 

Pálido, trêmulo, trôpego

todo alquebrado e dorido

vê desolado o arquipélago

e ouve do vento o rugido

 

 

Relâmpagos em Galápagos

gritam negrumes no ouvido

de seus poemetos náufragos

pobres . . . e nus  de sentido

 

 

O amor, recluso em seu âmago

incita o orgulho ferido

a devorar seu estômago

feito um lobo enfurecido. . .

 

 

Ai ! Foi um pródigo, um pândego

e há de quedar esquecido

curvado, soturno e lôbrego

como um anjo mau . . . caído

 

 

Que jamais será chamado. . .

Nunca será escolhido. . .

 

e ali jazerá  . . .  ilhado

 roto . . .  e longe de Megido.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’ANJO FERIDO’’ de HUGO SIMBERG

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POIS É, CLOÉ!

BANKSY BALOON GIRLPOIS É, CLOÉ!

 

Hoje, bem cedo, eu despertei mais melancólico

do que um domingo nebuloso num zoológico

ou que um menino com dois braços engessados

 

 

Fiz logo um drinque duplo e de teor alcoólico

mais alto que o Everest  . . . e , quase eufórico

o engoli . . . .em quatro goles desvairados 

 

 

Pus pra tocar um blues antigo e hipnótico

Depois, compus um poemeto psicótico

e fui lavar a cara inchada no lavabo

 

 

Lá encontrei, num frasco, o seu psicotrópico

e até pensei em suicídio (um ato utópico)

no entanto, sou  ‘muito covarde’ pra dar cabo

 

 

à minha vida , porque dela, mão não abro

e, amo vive-la, mesmo com todo o sofrer

 

( ir pra o inferno e abraçar-se com o diabo

pra mim, não passa de um ridículo clichê)

 

 

-E, cá pra nós, Cloé . . .  clichê é um troço brabo

que não cai bem pra quem escreve e sempre lê-

 

Vou é vestir meu terno azul (e démodé)

cair na farra e me esquecer deste macabro

 

 

longevo, triste e tenebroso volutabro

em que atolado estou . . .  por causa de você

 

Já está na hora de chutar o descalabro. . .

o seu traseiro  . . .  e desencalacrar meu ser

 

 

Hoje eu desisto de ser anjo, me endiabro

e, abro mão, de vez, do mal de bem querer

 

a uma mulher que malmequer . . . senão acabo

morrendo cedo, azedo, amargo e sem prazer

 

 

Eu vou zoar . . .  me pendurar no candelabro

de um cabaré e com três damas me entreter

 

que, sou bem moço e, de meu viço inda me gabo. . .

(não há de ser de solidão que vou morrer)

 

 

Vou repassar meu bê-á-bá de cabo a rabo

com Filomena . . .  com Tainá . . .  com Maitê

 

e me esbaldar mais do que um pândego nababo!

Pois é, Cloé . . .  não sou mané . . .  Até mais ver!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ”Girl with a baloon’ by BANKSY

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OS AZUIS QUE NUNCA USAMOS

 

lençóisOS AZUIS QUE NUNCA USAMOS

 

aqueles brancos lençóis

sobre os quais nós dois deitamos

e rolamos . . .  e amamos         

com ardor mais que feroz   

 

queimei . . . com furor atroz

assim que nos separamos . . .

 

 

e agora, com fantasmas, fico a sós

lendo o que sobrou de nós

sob os azuis lençóis . . .

que nunca usamos.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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SOBRE VICES

VICES

 

SOBRE VICES

 

Se o Michel Temer foi um Vice’temerário’

que ‘rebelou-se’ por ser só ‘decorativo’

Mourão seria mais ou menos ‘refratário’

a Bolsonaro ‘presidente’ . . .  seu ‘cativo’?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ELE SIM?

fascista6ELE SIM ?

 

Saudades da ditadura?

Ora! Eleja o Bolsonaro!

Depois, tolere a tortura

e vibre a cada disparo

 

 

contra os de raça ‘não pura’

(sem pão, sem-terra e sem-teto)

Louve a volta da censura!

Celebre cada decreto

 

 

que endureça (sem ternura)

as leis vigentes, meu caro

e que restrinja a Cultura

(causando um mal sem reparo)

 

 

Deixe à geração futura

(à seu filho e à seu neto)

a dolorosa herança da loucura

de ter eleito um pérfido, abjeto

 

 

maníaco, imbecil, psicopata

discípulo de um certo Coronel

carrasco (que ele louva e idolatra

como a um herói sem pecha nem labéu)

 

 

Eleja ele! ‘’Ele sim’’ . . .  Vá! Se rebaixe

ao baixo nível de quem ama a tirania. . .

Dê-lhe poder pra que institua um ‘novo Reich’

e enfim dizime . . . a nossa ‘vã Democracia’

 

 

Sim! Diga amém a seus retrógrados preceitos

Aplauda o ódio declarado e sem limite

Torne-se adepto de horrendos preconceitos

Eleja ele . . . E, depois, curve-se à Elite

 

 

Veja o país em que nasceu entregue aos lobos

gringos e ogros de uniforme verde-oliva. . .

Enxergue em biltres ‘ilibados homens probos’. . .

Depois, lamente a sua sorte . . . ou grite Viva!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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DA VERA GLÓRIA

glóriaDA VERA GLÓRIA

 

Melhor que ‘entrar para a história’

é não sair da memória

dos que amamos nesta vida. . .

 

isto vale mais que a ‘glória’

efêmera e transitória

que, cedo ou tarde, é esquecida

 

melhor que ter um busto meu na praça

é ficar pra sempre

na lembrança tua. . .

 

pois, isto . . . vale mais e tem mais graça

que ter meu nome

dado à uma rua.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

IMAGEM: AMANTI FELICI Jean-Honoré Fragonard (1732 – 1806) 

 

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