RADYR (Poeta exemplar)

DE POETA8RADYR/ POETA EXEMPLAR

( para Radyr Gonçalves)

 

quebra cabeças de bagre!

quebra cabeças de vento!

 

diz uva,  vinho  e vinagre

com o mesmo alumbramento!

 

transmuda alegria em mágoa

e mágoa em contentamento!

 

dá nó cego em pingo d’água

sem pejo ou constrangimento!

 

 

e , com luvas de pelica

dá murro em ponta de faca

belisco em jaguatirica

e sopapo em jararaca

 

 

é sábio .. . versa ‘pra burro’!

(com calma ou de supetão)

faz trovão virar sussurro!

silêncio virar canção!

 

 

faz poema à beira-mar. . .   

nas caatingas do sertão . . .  

ao sol . . . à luz do luar

ou em plena escuridão

 

 

louva à Deus e vexa o Cão!

o Cabra é bom pra danar!

sabe arrasar a razão !

esse é versado em versar !

 

 

tem dom pra vender e dar!

(e bom coração também)!

é um Poeta Exemplar. . .

e ainda diz : O que há?

Não sou melhor que ninguém!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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VEM K . . . ELOÁ!

670VEM K . . . ELOÁ!

 

já vejo em meu relógio

a hora H

e no meu  calendário

o dia D. . .

 

 

bolei um plano A e um plano B

(mas, sei que sem você

nada haverá). . .

 

 

preciso lhe (en)cantar

(dó ré mi fá)!

e intrépido, encontrar

seu ponto G. . .

 

 

reler seus grandes lábios, Eloá. . .

corar ao decorar

seu ABC. . .

 

 

desesperei . . . cansei de lhe esperar

de só lhe ver assim, em HD. . .

de longe . . .  pela tela de um PC . . .

lhe quero aqui, meu bem . . . agora e já!

 

 

pra olhar no seu olhar de raio X

e tatear você . . .  no téte á téte

forget o 4K . . .  a internet. . .

vem cá pintar o 7 . . .  e ser feliz!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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PARADOXI-GÊNIO

paradoxi2PARADOXI -GÊNIO

 

respiro fundo

e afundo-me no dia

que raia enquanto inundo-o

com poesia . . .

 

 

nasci ‘teimoso’

e ouso ser fecundo

-não sirvo para ‘esposo

da afasia’-

 

 

dou voz e doo luz aos arredores

que corro, que percorro e que circundo

a semear poemas, sons, e cores

que curam mil amores moribundos. . .

 

 

nasci teimoso

e ouso ser fecundo

-ou ser mais eu

bem mais do que devia-

 

 

sou lúcido e translúcido deliro

respiro fundo

afundo-me no dia. . .

 

 

e, ao simular meu último suspiro. . .

INSPIRO o mundo

que . . .  me asfixia.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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COISA DE PORCO

1585COISA DE PORCO

 

 É José . . .   nossa República

Cosa Nostra’, Coisa Pública

tornou-se coisa . . .  de louco!

 

Aliás, de louco é pouco!

tornou-se coisa de porco!

 

sim! são de porco . . .   de porco!

o corpo

                 e o espírito

                                          da coisa.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

FARMA5INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

 

O Ministério

                      da Saúde

                                       a diverte. . .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DA REFORMA DEFORMADA

REFORMADA REFORMA DEFORMADA

 

Não há déficit nem rombo!

Isso é papo de bandido!

Conversa de quem dá tombo

em quem já está caído!

 

 

Querem iludir o povo

só para explorá-lo mais

tirando o pão do incapaz . . .

causando temor  e estorvo

 

 

a essa gente que pena

(como você, como eu)

desde o dia em que nasceu

gente de posse pequena

 

 

que labuta, que trabalha

pra sustentar a nação

e, nos dias de eleição

vota em ladrão e canalha

 

 

(não porque queira , de fato

mas, por ter como opção

no instante da decisão

um Sanguessuga ou um Rato). . .

 

 

a tal ‘redução de custos’

dita ‘urgente e necessária’

só tornará mais precária

a vida dura dos justos

 

 

e mais fácil a dos injustos

e de todos os seus páreas

que têm sanha perdulária

e salários bem robustos. . .

 

 

acorda, meu povo, acorda!

transborda! volta pra rua!

põe pra correr esta horda!

este governo . . .  calhorda!

 

Salva essa Pátria! Ela é sua!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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RESUMO DA ÓPERA (DO MALANDRO INADIMPLENTE)

inadimplente2

RESUMO DA ÓPERA (DO MALANDRO INADIMPLENTE)

 

Ai! Meus sonhos de consumo

consumiram meus reais!

Estou falido . . .  Eu assumo!

Nem mentir eu posso mais!

 

 

Eis da ópera o resumo:

Estou todo endividado

Sem pai, sem mãe e sem rumo. . .

Só estou pagando pecado

 

 

Que o resto . . . nem parcelando!

Estou ‘cortando um dobrado’. . .

Há um bando me cobrando

e eu estou ‘duro’, ‘quebrado’

 

 

‘liso’ e ‘de mãos abanando’

sem cheque, cartão, trocado. . .

Já estou me desesperando!

Ai, Maria! Estou lascado!

 

 

Já não bebo . . . já não fumo

(ninguém me vende fiado)!

Já não como, já não durmo

e ando sonhando acordado

 

 

em ganhar na loteria

pra pagar tudo o que devo. . .

Mas, como? Como, Maria?

Tem só três folhas meu trevo. . .

 

 

Tô na treva á luz do dia! 

Tô  num beco sem saída!

Vou viver de poesia???

Deus! O que faço da vida?

 

Vendo minh’alma ao diabo?

(diz que até ele faliu)!

Ai! Minha casa caiu!

Tá mal! Tá osso! Tá brabo!

 

Maria . . .  assim eu me acabo!

Pode emprestar-me uns dez mil?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DA VERDADEIRA OBESIDADE MÓRBIDA

obesidade

DA VERDADEIRA OBESIDADE MÓRBIDA

 

Você quer pesar ‘cinquenta’. . .

Preocupa-se com a ‘leveza’

com a ‘forma’ e a ‘beleza’

de seu corpo . . .  e não ‘esquenta’

 

 

com a Alma . . . que é a Essência

da Vida . . . por natureza. . .

 

mas . . . de que vale ter

’boa aparência’

se a sua Consciência . . .

segue obesa???

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’Remorso’’(ou Esfinge encravada na areia’’

 de SALVADOR DALI

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ESDRÚXULO GALÃ

BEIJOESDRÚXULO GALÃ

 

olho a hora…

o céu lá fora…

a aurora…

(quase manhã)!

 

e eu aqui

‘surrando rimas’

e ‘dublando pantomimas’

sob um cobertor de lã. . .

 

 

sorrindo como quem chora 

lembro com aflito afã

das lindas curvas de Norah

(que agora . . .  namora Ivan)

 

 

não sei mais onde ela mora

nem tenho seu telefone . . .

desde que ela deu-me o fora

eu vivo só . . . so alone

 

 

e insone . . . aqui , na berlinda

qual falido Don Juan

que à própria desgraça brinda

sim! com sidra de maçã. . .

 

 

um esdrúxulo galã

(e fã de Jorge de Lima)

que leva  uma vida vã

cor de rosa . . .  de Hiroshima

 

 

sei que devia ir embora. . .

pra Dublin,  pra Aldebaran

Próxima b . . .  Bora-Bora . . .

ou, quem sabe, Amsterdam

 

que assim, mudando de clima. . .

dando adeus ao Jaçanã. . .

daria a volta por cima !

tornava a ser bon vivant !

 

 

olho a hora . . .

o Sol lá fora . . .

já é !  já é amanhã!

 

 

é hoje! é hoje! é agora!

vou ‘viajar’ . . .  sem demora . . .

(com sidra . . .   e clonazepan).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: ‘’Prelúdio à tarde de um fauno’’ de CLAUDE DEBUSSY

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O PESO DELA

623O PESO DELA

 

quis carregá-la

e o peso dela. . .

era maior que uma novela

 

quisera fosse leve novelo

o pesadelo. . .

o peso dela        

 

 

enxuguei gelo. . .

lucrei mazela. . .

fez-se procela 

o meu desvelo 

 

 

era uma ‘mala’!

uma ‘cadela’!

porém, deixá-la. . .

deixou sequela

 

quis tanto tê-la. . .

e dar-me a ela

que fiz-me vê-la

ingênua e bela. . .

 

 

meiga donzela

doce quimera. . .

sem percebê-la

tal como era:

 

 

sombria estrela. . .

rude megera. . .

 

e assim . . . querê-la

virou querela.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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