EM TUDO, O TODO

OUROBOROS

EM TUDO, O TODO

 

Seu suor e sua lágrima

têm gosto de mar (Enigma?)

Vêm o seu sêmen e o magma

da mesma Fonte benigna. . .

 

 

Que duvide o pusilânime

incapaz de ver o estigma

divino, eterno e equânime

em tudo. (O Todo é força fidedigna).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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CANÇÃO FEBRIL

FEBRIL1CANÇÃO FEBRIL

 

Não largo da sua mão

Com você, desço ladeira

pulo dentro de  vulcão

escalo uma cordilheira

 

 

E, em riba da ribanceira

e, à beira do ribeirão

beijo-lhe a face faceira

e ganho o seu coração!

 

 

Dedilho a rósea fogueira

com fagueira  devoção

e a defloro de maneira

que arda de doida paixão. . .

 

 

e a respiração ligeira

e a célere pulsação

comporão nossa primeira

lasciva . . .  e febril canção.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ENQUANTO ADESTRO DESASTRES

adestroENQUANTO ADESTRO DESASTRES

 

Enquanto adestro desastres

feito um maestro sinistro

que contraria contrastes

e despe-se por escrito

 

 

Bebo um copo, dois, um litro

de vinho tinto (e barato)

até que desminto o mito

de que mentir é insensato. . .

 

 

Tudo é uma questão de tato

e, eternizar o finito

em versos, é insano ato

(ou, sacro ofício maldito)

 

 

Não há perfeição que baste

ao leigo e ao erudito. . .

O poeta é rei e traste

Nasce, vive e morre aflito

 

 

Se eu sussurro, querem grito

Se eu poupo, pedem que gaste

Se eu mostro, dizem que omito

-Pai! Porque me abandonaste?-

 

 

E, ainda assim, deste rito

de dor . . . não há quem me afaste

Mesmo que ele me devaste

driblo o pesar . . .  e levito!

 

 

-Juro que, por mais que eu paste

não posso viver . . . sem isto-.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’THE POET’’ by ROGER DE LA FRESNAYE

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GRÁVIDA DE DÚVIDA

grávida 3GRÁVIDA DE DÚVIDA

 

Ora, a vida é ávida

impávida e vívida

 

Outrora, é esquálida

inválida e lívida

 

 

Hoje, é pradaria

e, amanhã, crisálida

 

Gélida num dia

noutro dia, cálida

 

 

É murcha clareza

e escureza túrgida

 

A vida . . .  é certeza

grávida de dúvida.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’ANJO DA MORTE’’ by PAUL KLEE – 1940

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A DIGNA E INDIGNADA INDAGAÇÃO DE UM MENDIGO

mendigo 5A DIGNA E INDIGNADA INDAGAÇÃO DE UM MENDIGO

 

No fundo, no fundo

do poço em que estou

já nem sei se sou

morto ou moribundo

 

 

Olho pra esse mundo

que o Bom Deus criou

e creio que o imundo

Cão o dominou. . .

 

 

Se eu não tenho pão

pra me alimentar

e peço à um irmão

ele . . .  vai negar

 

 

Mas, se eu o roubar

pra comprar o pão

vou para a prisão. . .

Dá para explicar?

 

 

Não entendo não

Se errado é errar

porque não me dão

se me podem dar?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ARRANJOS PARA ASSOVIO

assovio

ARRANJOS PARA ASSOVIO

 

Dos silêncios que alicio

dos rumores que seduzo

dos urros que surrupio

e dos cicios que abduzo

 

 

eu jamais me vanglorio. . .

Sem soberba, me conduzo

e, humildemente, reduzo

meu cântico à um balbucio

 

 

Se do alfabeto eu abuso

e, se aos verbos extasio

nestes poemas que crio

é só por que me recuso

 

 

a deixar de ser recluso

‘menino torto e arredio’

que torna-se assim, difuso

sol nesse mundo sombrio. . .

 

 

Prefiro afiar o fio

da língua e fazer bom uso

de meu dom, a ser obtuso

palavrador  erradio. . .

 

 

Ah! Se as fronteiras não cruzo

homiziado, irradio

lumes e breus . . .  que  traduzo

em mágicos arranjos pra assovio.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DO RUMOR QUE ULULA LIVRE

ullulaDO RUMOR QUE ULULA LIVRE

 

Sabe esse rumor que ulula

livre  por ruas e praças?

Emana da massa fula

que há de estraçalhar as traças

os párias e os seus comparsas. . .

sem cerimônia ou firula

 

Meu povo sofredor, farto de farsas

não tem mais fome de Justiça. . .

tem é gula!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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YASMIM

229YASMIM

 

Atire-me a primeira

pedra falsa!

Alveje-me com tiros

de festim!

 

 

Ai! Salve-me de mim

antes que a valsa

inesperadamente

chegue ao fim!

 

 

Abrace-me faceira

meiga e mansa

e leve-me arrastado

pro jardim

 

 

do Éden . . .  ou pro abismo

em que a esperança

morreu de rir

(por último), Yasmim.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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CHÁ DE SUMIÇO

CHÁCHÁ DE SUMIÇO

 

Queria um comprimido de alegria

uma drágea de esperança

um belo emplastro de luz

 

 

Talvez, uma injeção de poesia

‘overdose de bonança’

que me arrancasse da cruz

 

 

Queria algum xarope de empatia

um elixir contra o ranço

que assola o mundo enfermiço

 

 

Uma colher de sopa de alforria. . .

Veneno qualquer que me desse descanso. . .

Queria tomar um bom chá de sumiço.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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