PELE VERMELHA

PELE VERMELHA2

PELE VERMELHA

 

Saia pra lá, cara-pálida!

Eu sou um pele-vermelha

de carne viva e alma cálida!

(Jamais serei mansa ovelha)!

 

 

Sua ideologia esquálida

não passa de uma balela!

E a sua falácia inválida

é um mimimi requenguela!

 

 

Vá doutrinar o incauto

o obtuso, o alienado!

Sou da lucidez arauto

bem vivido e malcriado!

 

 

Com a verdade, eu não falto!

Mentir, pra mim, é pecado!

O meu Senhor é o mais Alto!

O seu . . . é o Anjo exilado!

 

 

Não! Não sou da sua laia!

Não pertenço à sua trupe!

Vá rinchar na sua baia!

Dane-se! (e, não me desculpe!)

 

 

Vá lá prestar continência

beijar mãos e lavar pés. . .

Fico aqui, na resistência

bem longe da pestilência

das suas . . .  pútridas fés.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição Compartilha Igual 4.0 Internacional -.

 

 

 

Anúncios

DOS BONS

bons

DOS BONS 

 

Poeta de fato tem calos nos olhos

de ler e ter deleites de leitor!

Rescende poesia por todos os poros

e escreve . . .   como se fizesse amor!

 

 

Há quem fabrique enfeites, forje brilhos

burile palavrórios sem valor

E, há quem simule luz em estribilhos

para inventar ‘vermelhos sem rubor’. . .

 

 

Ouvi dizer:  ‘’Todo poeta é um fingidor’’

Mas,  fingidor, de fato,  é aquele que não finge

como quem finge um fingimento enganador. . .

É o que finge não fingir, e, engana a Esfinge!

 

 

Poeta mesmo . . . é um sábio distraído

que, atento ao pé do ouvido e ao pé da letra

torna-se um hábil gavião, tão . . . tão fingido

que, ao revelar-se, passa-se por borboleta.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

FORA DAS LEIS

BONS FINGIDORES

FORA DAS LEIS

 

O bardo namora a aurora

e é amásio

das marés

 

 

A verdade dele mora

fora das leis

de Moisés. . .

 

 

Sempre diz: – Sou o que escolho

(livre ou libertinamente)

Sou mais de olho no olho

do que de ‘’olho por olho’’

do que de ‘’dente por dente’’-

 

 

Volte atrás ou siga em frente

sua guerra é pela Paz

E, o seu Amor permanente

é ternamente tenaz. . .

 

 

Mais feliz do que o falaz

(que nunca diz o que sente)

diz o que quer, simplesmente

(com destemor contumaz)

 

 

E, se quem cala consente

calado . . . ele fala mais

que os falastrões e que tais

(num dialeto silente)

 

 

Seus versos têm a luz de um Sol nascente

e alumiam lindamente

os mais sombrios quintais. . .

 

 

E o seu fulgor é tão intenso,  tão fulgente

que excita a alma da gente. . .

e abranda o breu dos Umbrais!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição Compartilha Igual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A OVELHA NEGRA

OVELHA NEGRAA OVELHA NEGRA

 

Ei! Soube da ovelha negra?

Mandou o Pastor pastar!

Partiu de vez pra refrega

e, em vez de obedecer, quis se mandar

 

 

Desmoralizado diante do rebanho

o Pastor ficou estupefato e mudo

mas, a ovelha negra dobrou de tamanho!

Partiu toda cheia, gargalhando e tudo!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição Compartilha Igual 4.0 Internacional -.

 

 

HOMENS DE BEM

homens de bem1HOMENS DE BEM

 

hoje, há mais cegos que videntes, pelo visto

hoje, há mais fãs de Barrabás do que de Cristo

hoje, há bem menos escolhidos que chamados

 

hoje , o correto e inocente é que é malvisto

hoje, é o justo que é maldito e que é malquisto

e, ‘homens de bem’, são só os mal intencionados.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição Compartilha Igual 4.0 Internacional -.

 

GOLDEN SHOWER

golden showerGOLDEN SHOWER

 

What is a golden shower?

The leader asked  me

It’s like sun above the flower?

No sir! It’s a rain of . . . pee!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ILUSTRAÇÃO: by PENETT

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição Compartilha Igual 4.0 Internacional -.

 

TODOS OS OLHOS

TODOS3TODOS OS OLHOS

 

Apagou-se o fogo eterno

que ardia em meu coração

Meu Éden tornou-se Inferno

Meu prazer . . .  fez-se aflição

 

 

Quanto mais eu me consterno

e definho . . .  em solidão

meus olhos, só veem Inverno. . . 

Todos os olhos . . . Verão.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição Compartilha Igual 4.0 Internacional -.