DOURADA AURORA

 

rosacruzDOURADA AURORA

 

Reside uma dor estranha

no ventre dos versos meus. . .

Dor tão aguda que arranha

os céus da boca de Deus. . .

 

 

Oh, sim! Ele é testemunha

dessa dor que neles mora

(Mesmo Ele se acabrunha

e, por mim, lamenta e chora)

 

 

Vê a minh’alma tacanha

perder-se adentro dos breus

Mas, Seu pranto Santo a banha

prometendo-lhe apogeus. . .

 

 

Seus anjos me vêm em sonhos

e anunciam minha hora

Dizem: Teus olhos tristonhos

verão . . .  a Dourada Aurora!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ELA CONTINUA NUA

CONTINUA NUA

ELA CONTINUA NUA

 

Ela continua nua

na minha imaginação

e sensual se insinua

nas linhas da minha mão . . .

 

 

No submundo da lua

No céu da minha emoção

É paixão que se acentua

Loucura que faz-me são!

 

 

Tensão de alta voltagem!

Ânsia sem moderação!

Idolatro a sua imagem

com selvagem devoção!

 

 

É inigualável visão!

Admirável miragem!

Morena alucinação!

Serena libertinagem!

 

 

E enquanto voo pela rua

indo em sua direção

nua ela baila e flutua

dentro do meu coração!

 

 

Ai! De segunda á segunda

louvo a segunda intenção

dessa paixão que me inunda

feito a lava de um vulcão!

 

 

Perdição mais que fecunda!

Desvairada  ebulição!

Incandescência profunda!

Indecente sedução !

 

 

Que seja eterna esta sanha

fervorosa que nos toma. . .

Quente como o Sol da Espanha!

Como as noites de Sodoma!

 

 

E o suor dela me banha!

E o cheiro dela me toma!

E a nossa paixão tamanha

louca, sem freio e sem doma

 

 

cresce, aparece e avança

mais e mais a cada dia!

Nunca esfria nem se cansa

só nos alegra . . .  e extasia!

 

 

E a Santa Virgem Maria

bendiz essa nossa dança

e unge a nossa euforia!

Nossa ‘fogosa aliança’!

 

 

Nossos pecados benditos

nus de culpa e de pudor

são como divinos ritos

do mais verdadeiro Amor. . .

 

 

Mesmo Deus, Nosso Senhor

e os Seus anjos mais bonitos

aos nossos voos incontritos

rendem graças . . .  e louvor!

 

 

E dizem: Sejam louvados

vossos esfaimados coitos

e vossos beijos afoitos

pois, amais . . . e sois amados!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: by CÍCERO DIAS

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SOBRE MIM

SOBRESOBRE MIM

 

vez em quando, perco o prumo

perco o rumo

perco a rima

 

 

fico ‘pra baixo’ . . .  me inumo

mas, pouco a pouco, me arrumo

reajo e  volto por cima!

 

 

ah . . .  reascendo meu facho

queimo os mapas e me acho

‘entre aspas’ e poemas

 

 

pois, trepido mas, não racho!

no final . . . gozo . . .  relaxo

e dilacero os dilemas!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

imagem: BY Shutterstock

 

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PERDIDO ENTRE ASPAS

ASPAS

PERDIDO ENTRE ASPAS

 

perdi a esperança e o bonde. . .

(nem Drummond sabe aonde)

nunca mais os encontrei

 

 

mas, o dom que mim se esconde

sempre que eu chamo, responde. . .

Poeta . . . eu sempre serei!

 

 

mesmo perdido entre aspas

contramãos e contracapas

teimo . . . e  desato meus nós!

 

 

chego aonde quero (sem mapas)

e, embora engula sapos, cuspo farpas!

mordaça alguma calará . . .  a minha voz!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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FRANCISCA

ODALISCA 4 MATISSEFRANCISCA

 

essa moça, essa Francisca

quando passa, quando pisca

ai da minha hipertensão!

 

 

fisga-me sem usar isca. . .

com seu corpo de odalisca

faz-me querer ser sultão!

 

 

ah! seja mansa ou arisca

eu quero segui-la à risca

com fervor e devoção!

 

 

chamam-na de ‘piturisca’

rapariga e boa bisca

mas, acho que é invenção

 

 

de quem por despeito vão

sente inveja de Francisca

e logo, borra e rabisca

a sua reputação!

 

 

fico atento a tentação

quando o lábio ela mordisca. . .

petisca quem não arrisca?

ora! é lógico que não!

 

 

vou declarar-me à Francisca

porque ai, ai . . . quando ela pisca

Deus do céu! Quando ela pisca

(juro) . . .  sai até faísca

do meu pobre coração!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’ODALISCA’’ 1926 por HENRI MATISSE

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SÓ TOLSTÓI

TOLSTÓI3SÓ TOLSTÓI

 

‘Tô de bode’, Baudelaire!

Vá! Vá lá contar ao Poe

que a poesia não me quer. . .

que o desdém dela me dói!

 

 

Sonhei ser outro Pessoa!

‘Super. poeta’! Um ’herói’!

Fiz-me um rimador à toa. . .

Ser alado . . .  que não voa

Construtor que se destrói. . .

 

 

Mas, ficarei numa boa. . .

Tornar-me-ei motoboy

lá em Hanói, em Lisboa

cá,, na ‘terra da garoa’

ou, quiçá, em Niterói . . .

 

 

E, nunca mais Baudelaire

essa dor que me corrói

doerá . . . Se Deus quiser!

Só lerei Leon Tolstói!

 

 

E essa desilusão que me magoa

a que meu coração mói e remói

a que me tira o sono e me atordoa

será lembrança vã que se esboroa

tal qual uma casquinha num dodói. . .

 

 

Vá! Dê no pé, Baudelaire!

Leve consigo o Allan Poe

e, caso encontre o velho Mallarmé. . .

conte-lhe as novas: Só lerei Leon Tolstói!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DEIXE ESTAR, ESTHER

esther2

DEIXE ESTAR, ESTHER

 

Até que a nossa dor sare

e a nossa mágoa se cure

deixe que a noite nos vare  

sem que a treva nos perfure

 

 

E até que o tempo nos pare 

eternize ou transfigure

deixe que a Luz nos ampare 

nos repare e nos depure

 

 

sem que a morte nos separe

sem que o temor nos torture

sem que o ódio que nos azare

sem que o mal nos enclausure

 

 

deixemos que o horror se arrare

pra que só  o amor perdure

até que o Sol ressurja . . . nos aclare

e, finalmente, a Paz impere . . .e nos sature!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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