COM O ACASO

acasoCOM O ACASO

 

Vivo calado . . . recluso

e acabrunhado, Marisa

Esse é um disfarce que uso

com maestria precisa!

 

 

Pois, ao fingir ser tristonho

os anjos rudes me evitam

os anjos bons me visitam

e, eu realizo o que sonho!

 

 

Bolino estrelas  . . . resvalo 

nas mãos de Deus e me caso

com cada verso que falo

cada rima que extravaso!

 

 

Encanto, atraio e seduzo

toda letra que eletriza

e, alado  . . .  abraso a brisa

no azulado céu que cruzo!

 

 

Espalho o lume que exalo!

Galgo o cume do Parnaso!

Nu de pejo e  sem abalo

acasalo . . . com o acaso!

 

 

Sou astro de luz ungido!

Sublime sol reluzente!

Finjo ser introvertido

mas, sou profuso e eloquente!

 

 

(Posso não fazer sentido

mas, pra quê ser coerente

num mundo em que o Escolhido

foi pra cruz injustamente)?

 

 

Melhor manter-me modesto

distante dos holofotes

longe do fausto funesto

e dos mundanos archotes

 

 

que ao sacro ofício me presto

sem gabar-me de meus dotes. . .

De estúpidas vaidades não me infesto

(a humildade é alma de meus motes)

 

-Só deixo os vãos glamoures (que detesto)

para os ‘regentes’, as ‘serpentes’ . . .  e os ‘coiotes’-.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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A SÉTIMA TROMBETA

trombeta1A SÉTIMA TROMBETA

 

Os falsos mitos da Esquerda e da Direita

são  somente histórias para boi dormir. . .

 E, a tola massa (contrafeita ou satisfeita)

nem desconfia que o pior . . . está por vir.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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OS FILHOS DO HOMEM

filhos do homem

OS FILHOS DO HOMEM

 

Se é que os filhos do Homem

saíram mesmo . . .  ao Pai

que por Messias os tomem!

Coelho . . .  não sei se sai

 

 

desse mato ou da cartola

de algum ‘Mago Justiceiro’

que condene-os à ‘degola’. . .

(ou à cruz . . . junto ao ‘Cordeiro’).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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MILAGREIRO

milagreiroMILAGREIRO

 

posso comover os montes

desandar por sobre as águas

e enrubescer longínquos horizontes

enquanto afago e afogo minhas mágoas

 

 

tornei-me um leitor de vidas

um ávido inventor de vendavais

que espanta o amargor das margaridas

bem como adoça os dissabores abissais

 

 

não, não sou ‘ pastor de almas’

mas, posso lê-las (como leio corações)

semear nelas incontáveis emoções

e, libertá-las, com poemas, de seus traumas

 

 

fiz-me poeta, pequenino, miudinho

fajuto anjinho que, do nada, faz poesia. . .

e que transforma realidade em  fantasia

enquanto sonha transmutar a água em vinho.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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O MENINO

o meninoO MENINO

 

O menino guarda chuvas

guarda sóis e  luas cheias

Esconde verdades turvas

em seus bolsos e nas meias. . .

 

 

Pelas ruas, cata ventos

desacata ‘autoridades’

vê anjos em cruzamentos

a garimpar . . .  caridades

 

 

E, ao redor do mundo gira

a mover rodas gigantes

e carrosséis de mentira

pra estarrecer os passantes. . .

 

 

Sim! O menino é um poeta

pequeno . . . mas, destemido

que sabe: Sua alma está repleta

de um ouro dispensável pro bandido

 

 

Podia ser profeta, um ‘Escolhido’

chamado a semear amor no mundo

mas, preferiu versar, quase escondido

no fundo de seu eu mais que profundo

 

 

Se um dia envelhecer . . . talvez, perceba

que o seu ofício é sacro ,mas, ingrato

E, então, se desiluda.  fume . . . beba

e morra só . . .  no mais completo anonimato.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: de NILO ZACK

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QUATRO PERGUNTAS A DEUS

4 perguntas1

QUATRO PERGUNTAS A DEUS

 

Deus, meu Deus! Quando virá

o fim dos Tempos . . .

incertos?

 

 

E o Salvador? Jamais retornará

para salvar o mundo. . .  

dos espertos?

 

 

Somente a injustiça reinará?

Ninguém dará valor

aos desvalidos?

 

 

Pra sempre Barrabás se safará

e o Justo definhará

aos pés dos Anjos . . .  caídos?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’A Glorificação da Eucaristia’’ BY VENTURA SALIMBENI

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NADA CONTRA

nada contra

NADA CONTRA

 

Nada contra a Realeza!

Cada um . . . é o que é!

Nada contra a correnteza!

E nada contra a maré!

 

 

Sou contrário (com certeza)

a quem  trai a boa fé

do povo em prol da baixeza

de um  ‘Rei’ que odeia a ralé. . .

 

 

Perdoe-me, Vossa Alteza!

Sou um ‘pobre de marré’

sem mania de grandeza

(moro longe . . .  e ando a pé)

                                                              

 

Mas, vejo bem a vileza

que ora exibe-se, e, que até

lustra as botas da crueza

que pisam Zé  . . . e Mané

 

 

Tudo bem! Manda quem pode

Quem tem juízo, obedece

Com sorte, Deus nos acode

e,  até o Cão nos esquece. . .

 

 

Nem sempre quem ‘tá por cima’

nos píncaros  permanece. . .

(Perdoem a pobreza desta rima)

mas, quem soberbo sobe e subestima

seu povo . . .  certamente, logo ‘desce’.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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RIO DO PRANTO

 

rio do pranto1

RIO DO PRANTO

 

Eu rio do pranto que verto. . .

Jamais o converto em mar

Transformo o erro em acerto

Nasci pra contrariar

 

 

e bagunçar o coreto. . .

Convenço a banda a tocar

como quero e, me intrometo

até tudo se afinar!

 

 

Sou um filme em branco e preto

ou multicor (e noir)

Poeta e  ‘Avatar’ do gueto!

Pluralista . . .  e singular!

 

 

Ouço Milton, ouço Hermeto

Chico e Jards Macalé. . .

Leio Poe, Lima Barreto

Hilda Hilst e Mallarmé!

 

 

E em casa de ferreiro sou espeto

de pau pra dar em doido (com ternura)!

Sou mais venenoso que o cianureto

e pra todos os males . . .  tenho a cura!

 

 

Sou torto de nascença e sem conserto

porém, meu bem, jamais pendi ao mal!

O meu Maestro é Deus e, em seu concerto

sou instrumento realista . . .  e surreal!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM:’’ALIMENTO’’ por LARISSA POETA

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MALES NECESSÁRIOS

male1

MALES NECESSÁRIOS

 

Não acho uma só palavra em dicionários inscrita

que defina fielmente o pesar dos solitários

ou mesmo a estranha sensação que me visita

sempre que leio , nos jornais . . .  obituários

 

 

Por isso eu sigo com minh’alma mais que aflita

pelos  silentes labirintos dos horários

a ornamentar com tolas rimas a desdita

que há muito habita minha casa e meus armários

 

 

Desde criança, todo o óbvio me irrita

‘’existem peixes que preferem os aquários’’

Só o insólito absurdo . . .  é que me excita

‘’amo demônios que frequentam santuários’’

 

 

Não comerei seu caviar numa marmita!

Não beberei champanhe em vasos sanitários!

Não salvarei mendigos multimilionários!

(A poesia . . . é minha ‘droga’ favorita)!

 

 

Os meus sinônimos são feitos de contrários

e, dentro em mim,  é o silêncio que mais grita

Procuro e encontro meu futuro em antiquários

e, meu passado, no presente que o imita. . .

 

 

Eu faço a minha horrenda dor soar bonita

enquanto teço versos tristes . . .  ou hilários

e, esse  meu coração  precário inda acredita

no amor de Deus, no Bem . . .   e em males necessários

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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MAIS QUE CRUA

cabeluda2MAIS QUE CRUA

 

Talvez Deus nunca me acuda

o Diabo não me carregue

a Virgem me negue ajuda

e até Jesus me renegue. . .

 

 

Talvez eu me desiluda

perca a graça, a paz, a fé

Maldiga o Poe, o Neruda

o Bandeira e o Mallarmé

 

 

E nenhum Bicho me pegue

ou me coma . . .e uma desnuda

verdade (mais que crua) se encarregue

de revelar que a minha vida . . . é absurda

 

 

 

Pois, sei que todo santo dia o mundo muda

e eu sigo sempre igual . . . tal qual um ‘Zé Mané’

que põe no colo uma mentira cabeluda

beija-lhe a face . . .  e ainda faz-lhe um cafuné.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: YOK MORIMOE (XHXIX/HI)

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