A FLOR DA IDADE

A FLOR DA IDADE

A FLOR DA IDADE

 

E daí que a flor da idade

com o tempo se despetala?

O que importa, na verdade. . .

é o perfume que ela exala

 

o pólen que nela resta

e os desejos que ela guarda!

Basta que lhe faça festa

um colibri . . . pra que arda

 

desabroche e refloresça

em laivos exuberantes

 

e uma vez mais, se ofereça

com mais ânsia . . . do que ‘antes’!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição Compartilha Igual 4.0 Internacional -.

Poema musicado por ADALTON MIGUEL BATISTA

 

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PENITENTE RETIRANTE

RETIRANTESPENITENTE RETIRANTE

 

Desperto nu

e a cor do céu azul recobre

meu corpo ‘’pobre’’. . .

e o couro cru que me reveste

 

Visto o zinabre do existir

Despisto a peste

Rumo ao sudeste

sigo (ou tento prosseguir)

 

Talvez, quem sabe, algum porvir

inda me reste

e eu roa um osso pouco antes de ruir

 

de sucumbir e de jazer no chão agreste

em que nem cardo nem cipreste

hão de florir.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição Compartilha Igual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

SOU MAIS EU! NÃO SOU MAIS UM!

MAIS EU4SOU MAIS EU! NÃO SOU MAIS UM!

 

Sou o que sou . . .  Sou mais do que ‘pareço’!

Por isso, adoço e saboreio . . . os dissabores

O que pra tu é ‘o fim’, pra mim, é recomeço!

Nunca, por nada empalideço meus rubores

 

 

Sou conhecido por ousar, por não ter preço

(e permaneço . . .  abarrotado de fulgores)!

Insubmisso, eu meço a dor . . . e adormeço

a ler um sol dormente impresso nos ardores

 

 

que gritam cores dentro em mim quando emudeço

meus vários versos, adversos . . .  subversores

 

Eu sou mais eu! Não sou mais um! Bem me conheço!

E não me prostro aos pés de pulhas e impostores!

 

Com gente má não desperdiço meu apreço

nem me embeveço com servis bajuladores

 

Adoro a Deus, adoro o ouro e douro as dores

com as quais adorno o meu espírito e o avesso

 

da sanidade que cultivo e que enalteço

em meus poemas tão ‘sutis e encantadores’

 

que dilaceram e trituram os ‘doutores’

da Lei omissa que não sigo ou reconheço

 

Não abro mão de receber o que mereço

para favorecer chacais . . . salteadores

 

e demagogos falastrões e enganadores. . .

(A estupidez é um mal do qual eu não padeço)!

 

Defendo e honro a minha Pátria que é meu berço!

Defendo e honro a meus irmãos . . .   trabalhadores!

 

Batalhadores que não temem repressores. . .

e sabem bem que a Luz não teme o breu espesso!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM by RENÉ MAGRITTE

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TAMARA DUAS CARAS

TAMARA2

TAMARA DUAS CARAS

 

Tamara tem duas caras

(e, as duas . . . são de pau)!

Eu tenho uma cara só

(e é de bobo, por sinal)!

 

Dizia que eu era ‘o tal’

só que me fez de bocó!

Sem massagem e sem dó

achou bom me fazer mal. . .

 

 

‘Fez a rapa’ em meu mocó! 

Levou meu falso Chaggal

o meu canário (Dicró)

o Miró (meu cão chow-chow)

e até meu Simca Chambord!

Deixou só  . . .  um Sonrisal

dois discos do Simonal

e as fotos de minha vó. . .

 

 

Vou te contar Juvenal. . .

Eu quase ‘retorno ao pó’

Quase voo pro Plano Astral !

Quase ‘fecho o paletó’!

 

Mas, já, já, fico legal

e supero o quiproquó. . .

Só quero agora um goró,

um tira-gosto com sal

 

 

e que a maldita Tamara

se encalacre, se trumbique

no Acre, em Araraquara

no Iraque ou em Zurique!

Tomara que quebre a cara

(ou, as caras) e que fique

cega e banguela. . .  Tomara!

Só pra deixar de trambique!

 

Basta isso e, eu me refaço!

Peço em namoro a Monique

depois caso . . . acerto o passo

compro um belo Maverick

 

me mando de Mossoró

pruma cidade bem chique

monto um grupo de forró

e, quem sabe, até enrique!

 

 

Ai! Eu queria ver só

se a Tamara descarada

voltasse toda lascada

e cheia de trololó

 

 

bancando a arrependida

e implorando meu perdão. . .

pra eu poder chama-la de bandida

de chocha, de cachorra sem noção

de bruxa malvada, de  desenxabida

e, depois manda-la . . . ir lamber sabão!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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CABEÇA COLMEIA

colmeia

CABEÇA COLMEIA

Se as abelhas

são ideias

eu bendigo meus enxames

 

Minha cabeça

colmeia

despeja mel nos ditames!

 

 

E, se eu extraio de sandices, odisseias

se entronizo e louvo palavras plebeias

se cubro de estimas mil rimas infames

 

 

é por cantar círios, cantar azaleias

e versar pros lírios e pras cattleyas

tal como pras heras presas nos arames!

 

 

Achas que me importa que de vil me chames?

Que aos quatro ventos tu denigras e difames

a minha Lira . . .  e o meu santo nome em vão?

 

 

Sou o que sou e, assim serei, mesmo que trames

mil atentados contra mim . . .  ou que derrames

meu sangue doce como o mel por sobre o chão!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE by Larry Wright

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LÍRIOS EM CAMPOS MINADOS

 

lírio

LÍRIOS EM CAMPOS MINADOS

 

Fala e caminha com profetas maltrapilhos

Canta belezas corcundas

Louva Deidades profanas 

 

 

E, a cada passo (em falso) esculpe trocadilhos

-com mansidões iracundas

e sanidades insanas-

 

 

Compõe, assim, os seus poemas andarilhos

-tece rimas vagabundas

e aliterações ciganas-

 

 

Gasta o seu tempo recobrindo-se de brilhos

e de emoções mais profundas

que a  Fossa das Marianas!

 

 

No exato instante em que transcreve seus idílios

vê campos minados repletos de  lírios

e enxerga amor . . .  no olhar dos furibundos!

 

 

Como quem busca a Deus em cárceres e exílios

e alcança a paz submetendo-se a martírios

e frequentando domicílios de outros mundos

 

 

versa pra elucidar seus lúcidos delírios

e comprovar, em solitude e sem auxílios

que a Eternidade toda é feita de segundos

 

(e que os gerânios . . .  são tão belos quanto os círios).

 

 PAULO MIRANDA BARRETO

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MICHELE

michele

MICHELE

 

Deixaste teus cílios postiços, Michele

e tua nécessaire . . .  em meu banheiro

Bem como teu hobby e o casaco de pele

jogados num canto . . . inda com teu cheiro

 

 

Saíste sem nem despedir-te de mim

há mais de seis dias . . . E, espero, contudo

que voltes usando um vestido carmim

de seda ou cetim . . . quiçá de veludo

 

 

Mas, caso não voltes  . . . findarei assim

trancado no quarto, tristonho e sisudo

tendo por consolo . . .   garrafas de gim

e, por confidente, meu criado-mudo

 

 

A não ser que eu surte . . .  ao Diabo apele

e venda pra ele a minh’alma penada

em troca de ter-te comigo . . . Michele

pra mais uma noite de amor . . . e mais nada!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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AINDA MORA

 

AINDA MORA3

AINDA MORA

 

Lembra a colcha de chenile

que você trouxe do Chile

e deixou no chão do quarto?

 

 

Guardei comigo, Camile  

entre aquele antigo ancile

restaurado e o retrato

 

 

seu . . . que ficaram na estante

junto à estátua de elefante

que compramos na Letônia

 

 

Guardei até o seu desodorante

o seu xale, o seu laxante

e o seu remédio pra insônia. . .

 

 

O meu apê parece um relicário. . .

ou futurista antiquário

em quel vivo relembrando

 

 

choroso, taciturno e solitário

nosso amor incendiário

que acabou se esfriando. . .

 

 

Dói relembrar os momentos

ardorosos e febrentos

que tivemos no começo!

 

 

Depois . . . vieram os ventos

brigas, desentendimentos

e tudo virou do avesso

 

 

Nem seu endereço eu sei

(e acho que nem saberei)

Nós terminamos assim. . .

 

 

Mas, se você se foi . . . e eu fiquei

Se nunca mais lhe vi nem reverei

por que você ainda mora . . .  em mim?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

MUSICADO E INTERPRETADO POR: ADALTON MIGUEL BATISTA

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VINTE CENTAVOS

vinteVINTE CENTAVOS

 

Lembro a turba conturbada

incômoda e incomodada

pondo lenha na fogueira. . .

 

Tacando fogo no circo

sem medo de abrir o bico

diante da horda embusteira. . .

 

Massa guerreira, focada

protestando exasperada

sem partidarismo ou travos

 

E, hoje, perguntando fico

(como alguém que pagou mico)

não foi . . .  por vinte centavos?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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