UM MOTIVO

 

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UM MOTIVO

 

Sim . . .  Deve haver um motivo

pra que eu não desapareça

pra que eu permaneça vivo

(não importa o que aconteça)

 

 

Sim . . .  Deve haver um motivo

pra que eu não perca a cabeça

nem  meu lume compassivo

no ventre da treva espessa

 

 

Tem que existir um motivo

pra que a fé não esmoreça

pra que a paz não desfaleça

aos pés do Horror destrutivo

 

 

Tem que existir um motivo

para que o Amor não pereça. . .

e o Sol no céu azul reapareça

luzente, renovado . . . e redivivo!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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CLARÍSSIMA PROFECIA

claríssimaCLARÍSSIMA PROFECIA

 

Nem mesmo a água mais benta

poderá lavar as mãos

e as almas desta agourenta

e vil massa de malsãos!

 

 

E o sangue dos inocentes

E a fome dos miseráveis

os morderá como dentes

de feras abomináveis!

 

 

Quando o amargo remorso

e a consciência do erro

forem pra eles desterro

lembrar-se-ão do Pai Nosso. . .

 

 

Mas, então, já será tarde!

Deus os terá condenado

pelo odioso pecado

ao Fogo Eterno que arde!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’Saturno devorando a um filho’’ by GOYA

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A SEMENTE

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A SEMENTE

 

Quer que do ódio a semente

germine nocivamente

em nossa Terra Adorada?

 

Vá em frente, inconsequente!

Seu sangue . . .  e o da sua gente

a manterá bem regada.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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AOS OLHOS DE DEUS

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AOS OLHOS DE DEUS

 

Hoje, eu rezo por Caim

como rezo por Abel

Rezo por Jesus e Judas

Pilatos e Barrarás

 

 

Hoje rezo pela Paz

‘’na terra como no céu’’

antes que tudo se perca

e seja tarde demais

 

 

Eu rezo pra ver meu povo

a salvo, nas mãos de Deus

e não nas mãos do Opressor

(ou aos pés do Satanás)

 

 

Eu não rezo só por mim . . .

Rezo por todos os meus

entes queridos e amigos . . .  

Bem como pelos ‘rivais’

 

 

que, cegos de ódio, anseiam

vingar-se dos irmãos seus

sem ver que, aos olhos de Deus

TODOS nós somos Iguais

 

 

Rezo por Jair, Fernando

santas, santos e . . . ateus

(e pra que não mais ajamos

quais selvagens animais).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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QUE MAL FAZ?

que mal faz seduction bartosz bedaQUE MAL FAZ?

 

Os meus olhares compridos

febris . . . e cheios de luz

são ávidos e, atrevidos. . .

bolinam teus olhos nus

 

 

Quebram regras e sigilos

Quebram gelos e tabus

e adivinham teus mamilos

sob o vestido . . . (Jesus)!

 

 

Espionam teus segredos

tuas curvas, teu querer

Tateiam-te como dedos

sequiosos  . . .  de prazer

 

 

Veem teus receios, teus medos

Mergulham dentro em teu ser

Leem teus lábios, teus enredos    

e o que anseias . . .  esconder

 

 

Dirás que são ousados, enxeridos

gulosos . . . penetrantes por demais

Mas, ai! Não são, por isso, ‘proibidos’

e nem, de forma alguma . . .’ imorais’

 

 

Entendas . . . são assim, desinibidos

e ousados só pra ti, pra ninguém mais. . .

Querem somente seduzir os teus sentidos

e desnudar  a tua alma . . .  Que mal faz?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ”SEDUCTION” by BARTOSZ BEDA

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DE TRAPAÇAS E TROPEÇOS

 

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DE TRAPAÇAS E TROPEÇOS

 

Deixe que eu brinque em serviço

que me espalhe em prosa e verso. . .

Se eu rimo com fracasso ou com sucesso

não sei, mas, pode crer, nasci pra isso!

 

 

Sossegue o facho . . . É só o que lhe peço

Sei muito bem lidar com ‘rebuliços’

E andar pisando em solos movediços

é o que mais faço, desde o meu começo

 

 

Não tema por meu jeito insubmisso. . .

Se valso com palavras que não meço

e bailo entre a escassez e o excesso

é só  insensatez . . . que desperdiço

 

 

 

Pois, sou de carne e osso, não de aço

mas, a minh’alma é impávida e tem viço

Brincar com fogo . . .   é o melhor que faço!

E ah! Se eu me queimar, que mal há nisso?

 

 

Sossegue amor, que eu morro, mas, renasço

das cinzas . . .  dos azuis . . . da luz dos versos!

Não há quem descompasse o meu compasso!

(Vou sempre um passo à frente dos perversos)

 

 

E, sempre amarro bem os meus cadarços

É só de vez em quando . . .  que tropeço

Se eu caio e quebro, junto meus pedaços

depois, requebro . . . rio . . .  e recomeço!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: by Jean-Michel BASQUIAT

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VERSOS DESACORÇOADOS

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VERSOS DESACORÇOADOS

 

Não há luz no fim do túnel

nem vaga-lumes no breu. . .

Só há mesmo este infortúnio

que caminha ao lado meu

 

 

Nada mais me entusiasma 

Meu vigor . . . desvaneceu

Hoje, sou como o fantasma     

dum homem que não morreu

 

 

dum sábio que fez-se incauto

que viu doçura em devassos

que foi, do sucesso, arauto

e agora . . .  rima fracassos

 

 

Tolo que mendiga abraços

olhares, afagos, beijos

e conta estrelas e passos

enquanto castra  desejos. . .

 

 

Voo alto . . . e  caio no sono

sem sonhar com céus azuis

ou com coisas que ambiciono

mas, com najas . . .  e urubus

 

 

Neste mundo-cão sem dono

minha ilusão . . .  diluiu-se

Eram de areia o meu trono

e o meu castelo, Clarice

 

 

Ter esperança . . . é tolice

Há muito, a minha morreu

se, ao menos, Deus permitisse

que também morresse eu

 

 

talvez, findasse o infortúnio

que assombra o caminho meu

e eu vislumbrasse a luz no fim do túnel

ou vaga-lumes a brilhar . . . dentro do breu .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: by FABIEN KERNEIS

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LONGE DE MEGIDO

MEGIDO HUGO SIMBERG 1

LONGE DE MEGIDO

 

Pálido, trêmulo, trôpego

todo alquebrado e dorido

vê desolado o arquipélago

e ouve do vento o rugido

 

 

Relâmpagos em Galápagos

gritam negrumes no ouvido

de seus poemetos náufragos

pobres . . . e nus  de sentido

 

 

O amor, recluso em seu âmago

incita o orgulho ferido

a devorar seu estômago

feito um lobo enfurecido. . .

 

 

Ai ! Foi um pródigo, um pândego

e há de quedar esquecido

curvado, soturno e lôbrego

como um anjo mau . . . caído

 

 

Que jamais será chamado. . .

Nunca será escolhido. . .

 

e ali jazerá  . . .  ilhado

 roto . . .  e longe de Megido.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’ANJO FERIDO’’ de HUGO SIMBERG

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POIS É, CLOÉ!

BANKSY BALOON GIRLPOIS É, CLOÉ!

 

Hoje, bem cedo, eu despertei mais melancólico

do que um domingo nebuloso num zoológico

ou que um menino com dois braços engessados

 

 

Fiz logo um drinque duplo e de teor alcoólico

mais alto que o Everest  . . . e , quase eufórico

o engoli . . . .em quatro goles desvairados 

 

 

Pus pra tocar um blues antigo e hipnótico

Depois, compus um poemeto psicótico

e fui lavar a cara inchada no lavabo

 

 

Lá encontrei, num frasco, o seu psicotrópico

e até pensei em suicídio (um ato utópico)

no entanto, sou  ‘muito covarde’ pra dar cabo

 

 

à minha vida , porque dela, mão não abro

e, amo vive-la, mesmo com todo o sofrer

 

( ir pra o inferno e abraçar-se com o diabo

pra mim, não passa de um ridículo clichê)

 

 

-E, cá pra nós, Cloé . . .  clichê é um troço brabo

que não cai bem pra quem escreve e sempre lê-

 

Vou é vestir meu terno azul (e démodé)

cair na farra e me esquecer deste macabro

 

 

longevo, triste e tenebroso volutabro

em que atolado estou . . .  por causa de você

 

Já está na hora de chutar o descalabro. . .

o seu traseiro  . . .  e desencalacrar meu ser

 

 

Hoje eu desisto de ser anjo, me endiabro

e, abro mão, de vez, do mal de bem querer

 

a uma mulher que malmequer . . . senão acabo

morrendo cedo, azedo, amargo e sem prazer

 

 

Eu vou zoar . . .  me pendurar no candelabro

de um cabaré e com três damas me entreter

 

que, sou bem moço e, de meu viço inda me gabo. . .

(não há de ser de solidão que vou morrer)

 

 

Vou repassar meu bê-á-bá de cabo a rabo

com Filomena . . .  com Tainá . . .  com Maitê

 

e me esbaldar mais do que um pândego nababo!

Pois é, Cloé . . .  não sou mané . . .  Até mais ver!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ”Girl with a baloon’ by BANKSY

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OS AZUIS QUE NUNCA USAMOS

 

lençóisOS AZUIS QUE NUNCA USAMOS

 

aqueles brancos lençóis

por sobre os quais nos deitamos

e rolamos . . .  e amamos         

com ardor mais que feroz   

 

queimei . . . com furor atroz

assim que nos separamos . . .

 

 

e agora, com fantasmas, fico a sós

lendo o que sobrou de nós

sob os azuis lençóis . . .

que nunca usamos.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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