TEMPO

tempo3TEMPO

 

O tempo é arqueiro que dispara flechas

em forma de ponteiros de relógio. . .

Elas agrisalham barbas e madeixas

e amarelam todos os versos que forjo          

 

 

Tempo intempestivo, desnorteia ventos

apaga memórias, vestígios e chamas

Come calendários, carcome momentos

amores, intentos, flores, caligramas                

 

 

E, ao passo que avança, evidencia pechas

máculas malignas . . .  dignas de nojo        

que invadem segredos por ínfimas brechas

e  desnudam pejos . . .  com horrendo arrojo

 

 

Tece a eternidade com instantes lentos

vãos alumbramentos, dolorosos dramas

mentiras felizes . . . e veros tormentos

-Tudo é ornamento para  suas tramas-

 

 

Resta-me conta-lo, admira-lo e vê-lo

eterno e soberbo . . . no Evo dos anos

até que a brancura tome o meu cabelo

e Ele me aniquile como aos meus enganos

 

 

Impotente e fraco,  não posso detê-lo. . .

(Sou mero algarismo dentro de seus planos)

Limito-me a ouvi-lo . . . sem contradize-lo. . .

e a seguir versando . . .  meus desvãos humanos.

 

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ”TRÊS ESFINGES DE BIQUINI” de SALVADOR DALÍ

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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