MORAR NO LUME

morarMORAR NO LUME

 

incomodado, eu ouço o cricrilar dos grilos,

a triturar, a estilhaçar os meus sigilos  

e os meus anseios de cristal

dentro da treva. . .

 

 

conhecem bem os mil idílios que mutilo,

todos os versos que componho, que compilo

e a solidão sem fim da qual

minh’alma é serva . . .

 

 

eles veem  tudo que elaboro, que burilo

sabem as rimas que eu adoro, as que repilo

e tudo aquilo que me acalma ou que me enerva

 

 

com asco, espiam-me . . .  e homiziam-se na relva

enquanto tonto,  entre a paz e a guerra oscilo

buscando o utópico equilíbrio sob a névoa

 

 

desta assombrosa, impiedosa e fria selva

dentro da qual, por ser covarde, inda me exilo

feito um Adão selvagem , lúgubre  . . . e sem Eva

 

 

somente um último desejo se conserva

dentro de mim : morar no lume que me enleva. . .

e converte-lo em meu  eterno e terno asilo

 

 

entrar no lacrimoso olhar dos crocodilos

que, pelas noites, observam-me  tranquilos. .  .

enquanto o pálido luar no ar se eleva

 

 

e nunca mais . . . ouvir o cricrilar dos grilos

a triturar, a estilhaçar os meus sigilos. . .

e  os meus anseios de cristal . . . dentro da treva.                

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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