RETOCADO AXIOMA

AXIOMARETOCADO AXIOMA

 

Não conhecereis a verdade

pois, a pós-verdade

vos enganará.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

CHARGE by SHOVEL

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ANÔMALO E NORMAL

ANÔMALOANÔMALO E NORMAL

 

uma pílula, uma pérola

uma epístola, um postal

uma sílaba, uma cédula

uma súmula, um sinal

 

uma fábula, uma vírgula

uma espátula, um punhal

uma gárgula, um Calígula

uma távola, um quintal

 

uma célula maligna

uma insígnia banal

uma flâmula, um enigma

uma lágrima sem sal

 

um apóstolo, uma pústula

um apóstata do mal

um subsolo, uma cúpula

um crápula angelical

 

rei dos judeus, do cangaço

ser anômalo e normal

deus imortal e palhaço. . .

sou poeta marginal 

 

 

e, sem pejo ou embaraço

desnaturo o natural

aconteço, faço e passo

do ponto . . .  (e ponto final)!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: por RENÉ MAGRITTE

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SORAIA SEREIA

rené 1

SORAIA SEREIA

 

‘’a vida é tão curta quanto a tua saia’’

mas,’inda te enfurnas no quarto dos fundos

e segredas versos à uma samambaia

alheia a beleza de bilhões de mundos

 

 

que pairam no espaço infinito, Soraia

enquanto  teu corpo perfeito definha

enquanto  teu corpo moreno desmaia

de tédio na cama em que dormes sozinha. . .

 

 

à espera da morte, vives de tocaia. . .

não sabes o nome da tua vizinha

se a lua está cheia, se o sol inda raia

ou se a humanidade rasteja ou caminha

 

 

e o que só deus sabe e ninguém adivinha

é o quanto te amo . . . te amo Soraia!

e tudo eu faria pra que fosses minha

moveria os montes de todo o Himalaia

 

 

mas, tu sequer lembras da força que tinhas

dos velhos amigos, da casa na praia

de nós vendo estrelas, catando conchinhas

sentados na areia e ouvindo Tim Maia. . .

 

 

lembro-me de tudo, de cada coisinha

das tuas blusinhas tomara que caia. . .

dos teus lindos brincos de água-marinha

de todas as flores que te dei,  Soraia

 

 

mas, agora o medo dentro em ti se apinha

te rói ,te espezinha, te prende à uma teia

e tu já não ousas . . .  não cruzas a linha

tu és prisioneira . . . e a própria cadeia

 

 

e a minha esperança morre . . . pobrezinha

poema de amor que não tem quem o leia. . .

peixe fora d’água . . .  sol que se esfarinha

e morre a esperar-te, Soraia . . . sereia.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: ‘’INVENÇÃO COLETIVA’’ por RENÉ MAGRITTE

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ANJO DO GEENA

GEENA1

ANJO DO GEENA

 

Eu amaria Maria

amaria Madalena

Helena, Lúcia, Luzia

Eleonora e Milena

 

 

Bem como amaria Lia

Clara, Carla, Filomena

Vitória, Beth, Sofia

Vilma loira e Ana morena

 

 

Mas, eu sei que sofreria. . .

e não valeria a pena. . .

 

Qual delas fiel seria

a um anjo do Geena?

 

 

Prefiro amar a açucena

a flor do campo, vadia

ou a papoula obscena

(cuja seiva me extasia)

 

 

feito um tocador de Avena. . .

doido amásio da poesia. . .

e alegre colibri (de alma pequena)

deflorando  as flores . . .  que dão-lhe valia.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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VIRTUOSO VÍCIO

VIRTUOSO 4

 

VIRTUOSO VÍCIO

 

não! simuladas audácias!

não! refinadas falácias!

‘poemas para inglês ler’

 

 

eu quero é dizer acácias

e cantarolar galáxias

pra todo mundo entender!

 

 

meus ingênuos malabares

minhas rimas singulares

são simplórias peripécias

 

 

mas, iluminam olhares

fluem, diluem luares

e eletrizam as inércias

 

 

a alma do meu negócio

é ser dos delírios sócio

fazer de meu ócio, ofício

 

 

e de solstício, equinócio

e dos versos, sacerdócio

ou santificado vício!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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DE POUCA FÉ

pouca fé

DE POUCA FÉ

 

porque rasuro os azuis

e arraso os roseirais

e estilho o brilho da luz

e humilho os milharais?

 

 

Pai! porque meus olhos nus

decifram sinas, sinais

ao despir mandacarus

e ao revolver areais?

 

 

porque é que encontro Jesus

nas esquinas, nos quintais

nos bares . . . e não na Cruz

ou dentro das Catedrais?

 

 

e, se é você,meu Deus, que me conduz

em sonho às dimensões celestiais

porque é que não me mostra aonde pus

a fé febril . . .  que em mim, não tenho mais?      

 

PAULO MIRANDA BARRETO       

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DO MURO AO MEU REDOR

muroDO MURO AO MEU REDOR

 

por tudo que não esqueço

por tudo que sei de cor

por saber que não mereço

o ‘quanto pior, melhor’

 

 

dentro em mim, desapareço

e rechaço o mal maior. . .

revelo-me pelo avesso

e ergo um muro ao meu redor. . .

 

 

longe do perseguidor

da trapaça e do tropeço

eu renasço e faço amor

com cada verso que teço. . .

 

 

sou meu servo e meu senhor

e, a cada noite, amanheço

à salvo . . . rimando a dor

com o ardor de não ter preço.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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POEMA AOS QUADRADOS

quadrados1POEMA AOS QUADRADOS

   

‘’cada um no seu quadrado’’

e todos andando em círculos . . .

redondamente enganados

por embusteiros ridículos

 

 

louvam slogans políticos

como notórios otários

discursistas panfletários

deficitários, raquíticos

 

 

adaptam-se ao sufoco

(choram sem ranger os dentes)

e elegem  incompetentes

pois, contentam-se com pouco. . .  

 

 

uns, que vivem na fartura

e até alguns ‘emergentes’

clamam pela ditadura

militar . . . oh indolentes!

 

 

ai! me dói ver o meu povo

tonto assim, desnorteado

ansiando um Brasil novo

mas, apegado ao passado

 

 

povo aflito, povo afoito

povo eivado de esperança

de que em dois mil e dezoito

haja uma grande mudança. . .

 

 

mas, quais são as opções

de ‘renovação’ no pleito?

há novos espertalhões

velhos amigos do peito

 

 

dos antigos mandatários

(parasitas da nação)

nada menos ordinários

que ‘os outros’ . . .   doce ilusão!

 

 

eu . . . não ponho a mão no fogo

ponho a mão na consciência!

sei que a política é um jogo

pautado em conveniência. . .

 

 

raciocinem com prudência

sejam menos passionais. . .

pois, a nossa inconsequência

favorece os imorais

 

 

votem com inteligência. . .

ela é mais que essencial

para agir com coerência

nessa zona eleitoral

 

 

povo meu! tenha tenência!

pense bem . . .  e vença o mal !

já basta de perder pela insistência. . . 

ninguém escolhe certo . . .  errando igual.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NA MORADA DO PERIGO

483NA MORADA DO PERIGO

 

hoje descobri, Senhora

aonde mora o perigo:

a um palmo do teu umbigo

(por ali abaixo . . .  e afora)

 

 

e eu que,  por gosto o persigo

com ânsia desarvorada

invadirei a morada

dele e , lá,  farei abrigo

 

 

só periga que comigo

te encantes demais, senhora

e tornes-me mais que amigo

do perigo que em ti mora

 

 

mas, se assim for, eu nem ligo!

não vou queixar-me nem nada. . .

e até que um de nós dois vá pro jazigo

eu serei teu e serás minha . . .  namorada!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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O ‘CIVILIZADO’

primata

O ‘CIVILIZADO’

 

Ele mata e ele desmata

com facão e motosserra. . .

Polui rio, mar, cascata

e só planta pés-de-guerra. . .

 

Dispara ainda a bravata

de que é ‘o Senhor da Terra’

 

O ‘civilizado’ . . .   erra

mais que o índio (e o primata)!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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