POEMA DE VASTA DOR

vasta1

POEMA DE VASTA DOR

 

Minha alegria (sofrível)       

faz-me rir com dissabor

Já o meu pranto (risível) 

faz jus ao de um fingidor

 

 

Azarado incorrigível

malnascido e sofredor

meu futuro é  previsível:

‘Um fracasso promissor’

 

 

Fiz-me pastor do impossível

Lúcido (pra lá de louco)

Pai- de-santo (do pau oco)

e um ‘prezado desprezível’  

 

 

Sinto muito e faço pouco

caso do in-dis-cu-tí-vel

nominal e intransferível

destino meu: O sufoco

 

 

Versador irreversível

fiz-me insone sonhador

que teima em buscar alívio

nos arredores do horror

 

 

Notório imperceptível

e esdrúxulo rimador

sou um ídolo passível

de passar por impostor

 

 

Minha glória é a dos inglórios. . .

a de um semideus falível. . .

Meus ditos contraditórios

concebem o inconcebível

 

 

mas, sou ‘mito perecível’

feitor de feitos simplórios

Merecedor da dor indirimível

que exibo em meus sorrisos . . .  irrisórios.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: RENÉ MAGRITTE

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s