VERSOS CHEIOS DE RODEIOS ou Bolero paraguaio

BOLERO OS NAMORADOS EMANNO DUCCESCHIVERSOS CHEIOS DE RODEIOS

                     ou

         ‘Bolero Paraguaio’

 

eu moraria com ela  

num castelo. num iglu

num motel, numa favela

em Mali , em Honolulu

 

 

no Alabama, em Istambul

em Oxford, em Magé. . .

numa oca no Xingu

num sítio em Nova Guiné

 

 

numa vila da Europa

no sertão do Piauí

numa cobertura em Copa

num sobrado em Mandaqui

 

 

numa tenda em Bagdá

debaixo de um viaduto

nos subúrbios de Maputo

de Gaza ou do Panamá

 

 

sob o céu e sobre o chão

eu dormiria com ela. . .

falando bem sério, irmão. . .

sem lero-lero ou balela

 

 

viveria à pão e água

‘’sem lenço nem documento’’

no Haiti, na Nicarágua

sem chorumela ou lamento. . .

 

 

em qualquer canto da Terra

Somália, Egito, Peru

em Cuba, em Botucatu

ou Santa Cruz de la Sierra

 

 

numa cabana em Utah

num carro em Guadalajara

sobre a areia do Saara

num tríplex . . . (do Guarujá)

 

 

cara !  eu iria com ela

pra qualquer lugar no mundo. . .

Vênus ou Venezuela

Oiapoque ou Passo Fundo

 

 

sem pensar nem um segundo

nos perrengues e mazelas. . .

virava rei . . .  vagabundo

ou lavador de janelas

 

 

fosse pra viver com ela

tornava-me até faquir

sem temor e nem cautela. . .

bastava ela me pedir

 

 

pra tê-la por toda a vida

viveria em  qualquer parte

até onde Deus duvida:

-Polo Norte, lua, Marte-

 

 

no entanto, ela foi-se embora!

e foi-se embora sem mim!

sumiu . . .  por aí afora

por esse mundo sem fim

 

 

e . . .   se foi pra Bora-Bora

Báli, Costa do Marfim

Bom Jesus de Pirapora

China ou Quixeramobim. . .

 

 

não sei . . .  mas, fiquei sozinho

a meio caminho andado

do paraíso sonhado

sentado nesse banquinho

 

 

nesse bar, bebendo vinho

desiludido e largado

feito um cão abandonado. . .

feito um pássaro sem ninho. . .

 

 

Rosa . . . só deixou o espinho

da desilusão cravado         

dentro em meu coraçãozinho

e, desde então, meu chegado

 

 

vivo assim, embriagado    

sem rumo  nem paradeiro

vagando por todo lado

andarilho . . . forasteiro . . .

 

 

se Deus fosse brasileiro

e contasse onde ela está. . .

eu ia atrás . . . bem  ligeiro

nem que fosse em Shangri- Lá!

 

 

quisera encontrar um mapa

que levasse-me até ela. . .

ou à um cabaré da Lapa

onde uma ‘dama’ ou ‘donzela’

 

 

causasse-me uma amnésia…

roubasse o meu coração

e o mandasse pra Indonésia

pra Itália ou pro Japão

 

 

pra que enfim eu esquecesse

de sentir e de lembrar

que Rosinha . . .   escafedeu-se

e nunca mais  . . .  vai voltar!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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