POEMA DE VASTA DOR

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POEMA DE VASTA DOR

 

Minha alegria (sofrível)       

faz-me rir com dissabor

Já o meu pranto (risível) 

faz jus ao de um fingidor

 

 

Azarado incorrigível

malnascido e sofredor

meu futuro é  previsível:

‘Um fracasso promissor’

 

 

Fiz-me pastor do impossível

Lúcido (pra lá de louco)

Pai- de-santo (do pau oco)

e um ‘prezado desprezível’  

 

 

Sinto muito e faço pouco

caso do in-dis-cu-tí-vel

nominal e intransferível

destino meu: O sufoco

 

 

Versador irreversível

fiz-me insone sonhador

que teima em buscar alívio

nos arredores do horror

 

 

Notório imperceptível

e esdrúxulo rimador

sou um ídolo passível

de passar por impostor

 

 

Minha glória é a dos inglórios. . .

a de um semideus falível. . .

Meus ditos contraditórios

concebem o inconcebível

 

 

mas, sou ‘mito perecível’

feitor de feitos simplórios

Merecedor da dor indirimível

que exibo em meus sorrisos . . .  irrisórios.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: RENÉ MAGRITTE

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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QUARTA-FEIRA DE CINZAS

CINZAS3QUARTA-FEIRA DE CINZAS

 

Sou  do bloco dos ranzinzas!

quero que o carnaval passe. . .

 

Na Quarta-feira de Cinzas

minha Fênix renasce

 

 

do silêncio  dos tambores

dos rumores, das fuzarcas

e das retumbantes dores

que advém dos vãos amores

e das múltiplas ressacas.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MELHOR QUE O PIOR

MELHORMELHOR QUE O PIOR

 

é melhor cair no samba

do que cair na cilada!

despencar da corda bamba

quebrar a cara . . .  lavada!

 

 

melhor cair na  gandaia!

gritar no meio da rua!

Temer?  Tomara que caia!

nossa  luta continua!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

 

 

 

VERSOS CHEIOS DE RODEIOS ou Bolero paraguaio

BOLERO OS NAMORADOS EMANNO DUCCESCHI

VERSOS CHEIOS DE RODEIOS

                     ou

       ‘Bolero Paraguaio’

 ——————————————–

eu moraria com ela  

num castelo. num iglu

num motel, numa favela

em Mali , em Honolulu

 

 

no Alabama, em Istambul

em Oxford, em Magé. . .

numa oca no Xingu

num sítio em Nova Guiné

 

 

numa vila da Europa

no sertão do Piauí

numa cobertura em Copa

num sobrado em Mandaqui

 

 

numa tenda em Bagdá

debaixo de um viaduto

nos subúrbios de Maputo

de Gaza ou do Panamá

 

 

sob o céu e sobre o chão

eu dormiria com ela. . .

falando bem sério, irmão. . .

sem lero-lero ou balela

 

 

viveria à pão e água

sem chorumela ou lamento. . .

no Haiti, na Nicarágua

num pântano lamaçento

 

 

em qualquer canto da Terra

Somália, Egito, Peru

Cubatão . . .  Botucatu

ou Santa Cruz de la Sierra

 

 

numa cabana em Utah

num carro em Guadalajara

sobre a areia do Saara

num tríplex . . . (do Guarujá)

 

 

cara !  eu iria com ela

pra qualquer lugar no mundo. . .

Vênus ou Venezuela

Oiapoque ou Passo Fundo

 

 

sem pensar nem um segundo

nos perrengues e mazelas. . .

virava rei . . .  vagabundo

ou lavador de janelas

 

 

fosse pra viver com ela

tornava-me até faquir

sem temor e nem cautela. . .

bastava ela me pedir

 

 

pra tê-la por toda a vida

viveria em  qualquer parte

até onde Deus duvida:

-Polo Norte, lua, Marte-

 

 

no entanto, ela foi-se embora!

e foi-se embora sem mim!

sumiu . . .  por aí afora

por esse mundo sem fim

 

 

e . . .   se foi pra Bora-Bora

Báli, Costa do Marfim

Bom Jesus de Pirapora

China ou Quixeramobim. . .

 

 

não sei . . .  mas, fiquei sozinho

a meio caminho andado

do paraíso sonhado

sentado nesse banquinho

 

 

nesse bar, bebendo vinho

desiludido e largado

feito um cão abandonado. . .

feito um pássaro sem ninho. . .

 

 

Rosa . . . só deixou o espinho

da desilusão cravado         

dentro em meu coraçãozinho

e, desde então, meu chegado

 

 

vivo assim, embriagado    

sem rumo  nem paradeiro

vagando por todo lado

andarilho . . . forasteiro . . .

 

 

se Deus fosse brasileiro

e contasse onde ela está. . .

eu ia atrás . . . bem  ligeiro

nem que fosse em Shangri- Lá!

 

 

quisera encontrar um mapa

que levasse-me até ela. . .

ou à um cabaré da Lapa

onde uma ‘dama’ ou ‘donzela’

 

 

causasse-me uma amnésia…

roubasse o meu coração

e o mandasse pra Indonésia

pra Itália ou pro Japão

 

 

pra que enfim eu esquecesse

de sentir e de lembrar

que Rosinha . . .   escafedeu-se

e nunca mais  . . .  vai voltar!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INSULADO E INSÓLITO

INSULADOINSULADO E INSÓLITO

 

no reverso de meu verso

há o inverso da uma farsa

que arranha o céu submerso

sob a pele que se esgarça

 

 

e, atento, sigo disperso

da desconexa graça

que ilumina o breu perverso

na cortina de fumaça. . .

 

 

faminto e nu

eu finjo que converso

com Deus e Belzebu

na noite baça. . .

 

 

risonho e jururu

(sou controverso)

murmuro i love you

para uma traça. . .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: by RENÉ MAGRITTE

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MOMENTUM

MOMENTOMOMENTUM

 

em tempos de pós-verdade

a culpa é dos inocentes

e quem defende a igualdade

ofende os  ‘indiferentes’

 

 

quem protesta é ‘delinquente’

quem se prostra é ‘sumidade’

e frente a calamidade

o coro dos descontentes

 

cala-se . . . sem gravidade

(ou choro, ou ranger de dentes).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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NÃO DIGA

não diga3

NÃO DIGA

 

Por Deus, amiga, não diga

supondo estar com razão

que Amor não enche barriga. . .

É verdade? Sim e não

 

 

O Amor não enche barriga

tão só porque não é pão

Mas, o pão não cura intriga

nem ódio . . .  nem solidão

 

 

Então amiga, não diga

essa frase, esse bordão:

-Amor não enche barriga –

 não faça essa afirmação

 

 

Pois, num mundo, cara amiga

de vaidade e de ambição

o Amor não enche barriga

mas . . .  sacia o coração.

 

PAULO MIRANDA BARRETO -1989

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