APERREIO

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APERREIO

 

o sol se põe em Taiwan

cai uma chuva em Dublin

venta forte em Teerã

e ela . .  . não liga pra mim

 

 

faz 30 graus em Macau

amanhece em Maceió

um sismo assola o Nepal

e eu . . .  continuo só

 

 

neva nos alpes da Austrália

há uma guerra em Bagdá

é feriado na Itália

e ela . . .  não diz onde está 

 

 

porque não telefonar

sei lá, mandar um e-mail

um postal pelo correio

um bilhete . . .   pra avisar

 

 

se partiu pra não voltar

ou foi só dar um passeio?

ah! pra quê me judiar. . .

me deixar nesse aperreio?

 

 

a lua surge em Hanói

um tufão varre Miami

ruge o mar em Niterói

e eu . . . amasso um origami

 

 

cai um jato na Espanha

um ditador no Zimbábue

um UFO na Grã-Bretanha

e eu . . . quero que o céu desabe

 

que o mundo acabe e não reste

nem uma única estrela

viva no reino Celeste

se eu nunca mais . . .   puder vê-la

 

 

ela me ama . . .  ou não ama?

Deus! a dúvida me enerva!

 

vencido pelo sono .. . vou pra cama

e só meu cão (castrado e triste)

me observa.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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MAIS TOM ZÉ

paulobarretouneversos.wordpress.com

tom zé eduardo kobraMAIS TOM ZÉ

 

Meu tom

é mais Tom Zé

que Tom Jobim

 

 

Do bojo eu fujo

a jato

Eu ajo assim:

 

 

Cabeça pelo pé

Não pelo sim

 

O que é o que é

não é pra mim

 

Eu vou além do até

Pra lá do fim

 

Eu vim por onde voo

Vou de onde vim

 

Não falo grego

inglês ou mandarim

 

Falo em bom português

(vaso ruim)

 

mas, quebro a regra . . .

e nego a negação

Eu extravaso enfim

(mas soo tão bom)!

 

caio bem em bistrôs

e botequins

 

se tô que tô

em Tóquio ou Tocantins

 

 

Meu tom

é mais Tom Zé

que Tom Jobim

 

 

E a minha poesia

é cor

ação!

 

 

É enganação sincera

Serafim!

 

 

Meu salvador Dalí

me salva são. . .

 

 

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ANTI-APATIA

ANTI2

ANTI-APATIA

 

Meu caro irmão . . . se for sua intenção

não ver-me  assim, aflito e indignado

Mas, sim conformado com a situação. . .

Ouça o meu conselho: Espere sentado!

 

 

Tenho coração, tenho sangue nas veias

e, sendo assim, não rendo-me à apatia

como o conformado que ri, preso às teias

da suja corja . . . que encoraja a covardia

 

 

Posso ser pacífico, mas, não sou passivo

Nunca fujo à luta . . .  Sou bravo guerreiro

que enquanto tiver força . . . e estiver vivo

‘na raça e no peito’ . . . será Brasileiro!

 

 

Enquanto ‘a circunstância’ lhe acovarda

vou à peleja, irmão, de corpo e alma!

Porque, quando a Justiça falha e tarda

nenhum homem de bem . . .  mantém a calma.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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NUNCA ANTES NA HISTÓRIA

Lula-ExPresLula-LulaDaSilva-PT-24abr2017-FotoSergioLima.

 

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA

 

A vida é um duelo de virtude e vício. . .

Nunca lhe foi dito que seria fácil

ou que valeria a pena o sacrifício

          -mas, você foi teimar . . .  Luiz Inácio-

 

 

Já nasceu sabendo o sabor do suplício

A seca e a fome foram seu prefácio. . .

e, você venceu  . . .  saiu do precipício

    escalou o monte e chegou ao Palácio!

 

 

Fez tudo o que pode (e mais do que podia)

Fez o que devia (e mais do que almejava)

Fez pelo seu povo o que ninguém faria. . .

    -deu fôlego novo à gente que arquejava-

 

 

Hoje, enfrenta a ira de uma mídia chula

e a ‘Inquisição’ . . .  da Justiça que finge

ser cega . . .   pra não ver que o fato, Lula

    é que: quem ‘vem de baixo’ . . . os atinge.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DEIXA O ZÉ,MANÉ!

zé mané3

DEIXA O ZÉ, MANÉ!

 

Meu vizinho da direita

nunca foi meu inimigo. . .

Ele apenas não ‘aceita’

ou ‘concorda’ com o que digo

 

 

Já meu vizinho da esquerda

(que pensa igualzinho a mim)

não vê nisso dano ou perda. . .

Concorda comigo, e fim!

 

 

Mas, vejo  você, Mané

‘fã’ do PSDB

hostilizar o José

por ele ‘ser’ pró- PT

 

 

Ô Mané, não desatina!

Deixa de ser encrenqueiro!

O José é gente fina

como você,   companheiro!

 

 

Povo desunido é presa

fácil pra quem manipula. . .

Ama o Aécio? Beleza!

Ama o Lula? Viva o Lula!

 

 

Cada um é o que é

Mané . . . como tem que ser

Deixa ser Petista o Zé!

Seja Tucano você!

 

 

Não deixe a ideologia

desfigurar sua alma

Mantenha a cabeça fria

Mantenha a fé e a calma

 

Não torne-se um ‘animal’

por conta da discordância . . .

Pois, discordar em si, é natural

mas antinatural é a ignorância

 

 

O meu lado animal . . .  é racional

Por isso, não tolero

a intolerância. . .

 

Vejo no ‘semelhante’

o meu igual

(Ainda que comungue de outras ânsias).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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UM PEQUENO APOCALIPSE

apocalipse4UM PEQUENO  APOCALIPSE

 

Nesta sala

quase cela

minha sanidade oscila

entre o pesar que me assola

e a solidão que me insula. . .

 

 

e, nem mesmo Deus calcula

quanto o Demônio me esfola

e me escalpela e me pila

e me flagela

e me empala. . .

 

 

nesta vila de São Paulo. . .

nesta sala feita em cela

jaula estreita em que me enjaulo

feito um leão . . .  que ‘amarela’

 

 

contabilizo as mazelas

digiro os sapos que engulo

e empilho minhas dores (todas elas)

dentro em meu peito (mínimo casulo)

 

 

e, ao fim do dia cheio

de sequelas. . .

exausto da esperança

que simulo

 

 

desisto de ser eu . . .  

e, afinal pulo

dentro do breu

por uma das janelas.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ERETO E RETO

ereto9

ERETO E RETO

 

Posso tomar catorze cubas-libres

e, ainda assim, de tudo me apercebo:

dos pesos , das medidas , dos calibres

das atenções que dou , das que recebo

 

e, mesmo que eu promova diatribes

meu bem . . .  nem  fico bambo quando bebo!

 

 

Bebendo, eu danço mambo, tango, rumba

sambo na corda bamba , sapateio

canto vitória , ‘pontos de macumba’

dou cambalhota (e nem me despenteio)!

 

Meu coração não bate . . .  ele retumba!

(zabumba vão de mágoa . . . e de amor cheio)!

 

 

Meu santo é forte (e safo pra caramba)!

eu  fico ‘alto’ sim, mas . . .  não ‘arreio’

Meu equilíbrio exímio não descamba

(e, nem fumando diamba eu cambaleio)!

 

Amor . . . bebida alguma me esculhamba!

 (só fico ébrio mesmo . . . quando leio)!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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LET ME LOVE BILLIE HOLLYDAY

billie 77LET ME LOVE BILLIE HOLLIDAY           

 

a vida é dura . . .  eu bem sei

e ouvir Billie Holliday

não vai torná-la melhor…

 

só que  já me acostumei

a ouvi-la e, anyway

sem ela . . .  tudo é pior.. .

 

ela sabe quem amei

os fracassos que amarguei

as ilusões que persigo. . .   

 

e a  cada passo que dei

e em todos os que darei

hei de levá-la comigo

 

you laugh at me and you say     

que feliz nunca serei

só que não lhe dou ouvidos

 

with my sweet Lady Day

e  ao som de Gloomy Sunday

encontro-me . . .   entre os perdidos.

 

PAULO MIRANDA BARRETO 2015

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PECADO ORIGINAL

pecado 7PECADO ORIGINAL

 

Hoje eu não tardo nem falho

Pego atalho, chego cedo

Não erro nem me atrapalho

Ganho tempo e perco o medo

 

 

Viro rei, rico, palhaço

Passo de bento a possesso

Hoje . . .   eu aconteço e faço

do meu fracasso um sucesso

 

 

Hoje eu brilho! Hoje eu mereço

tudo lindo e tudo novo

E ensolarado amanheço!

E não trovejo nem chovo!

 

 

Hoje não planejo . . .  ajo!

E viajo ao paraíso!

E corado me encorajo

a exagerar sem aviso

 

 

Hoje ninguém me segura

Ninguém fura o meu balão

Nem rebaixa minha altura

Nem para o meu coração. . .

 

 

Hoje é meu dia de sorte

De fluir, sem reticência

De independência sem morte

sem corte e sem penitência

 

 

Hoje eu rejo! Hoje eu reajo!

Hoje eu não fujo da raia. . .

E mesmo que haja um naufrágio

nado e não morro na praia!

 

 

Hoje é meu dia! Meu Dia!

Sem desprezo e sem pesar!

Tenho amor e poesia

pra fazer, vender e dar!

 

 

Hoje eu chego são à festa

ao baile de carnaval

ao sarau e à seresta!

Chego por bem . . .  e sem mal!

 

 

Silêncio no tribunal!

Que hoje ninguém me condena!

Meu pecado é original

é divino . . .   e vale a pena!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ALARME FALSO

VOCE QUE2

 

ALARME FALSO

 

eu, poeta pelo avesso

eu, cidadão incomum

tenho valor, mas, não preço

sou mais eu  . . . não sou mais um

 

 

e, embora ‘mande bem’ . . .   desobedeço

a quem me tem desdém por não comprar-me

sou muito mais tenaz  do que pareço

e oculto-me . . .  fingindo revelar-me

 

 

e ai de ti, que crês nesse meu ‘charme’

de moço manso e introspectivo . . .

e tentas tolamente sabotar-me

com teu discurso parco e sedativo

 

 

se ousasses mesmo  vir e confrontar-me

terminarias . . .  devorado vivo

eu mal consigo ouvir teu falso alarme. . .

que como tu . . .  é baixo e inexpressivo.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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