DEDO NO OLHO

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DEDO NO OLHO

 

não sou peixe de cardume

nem ovelha de rebanho

ninguém restringe ou resume

o meu lume . . .  e o meu tamanho

 

 

não sigo regras . . .  modelos. . .

modismos . . .  normas impostas. . .

e, embora fale pelos cotovelos

eu nunca, nunca falo pelas costas

 

 

tu dizes: -ser poeta é um mau costume. . .

é tua opinião . . . eu não estranho . . .

não ligo, não me importo nem me acanho. . .

me vês por baixo, mas . . .  estou no cume

 

 

sou mouco a teus insultos e apelos

e deixo-te as perguntas sem respostas. . .

meus versos? podes lê-los ou não lê-los . . .

e pouco me interessa se não gostas

 

 

te acalmes . . . ou arranques os cabelos

não hei de adocicar teu azedume . . .

vivo meus sonhos . . . tu, teus pesadelos

e sou bem mais feliz do que presumes

 

 

repito: não sou peixe de cardume

tampouco sou ovelha de rebanho

e, ser poeta é dom . . . não ‘mau costume’

costume mau é o teu . . . de ser tacanho!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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