CIBELE

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CIBELE

 

sobre o leito de Cibele

falo afago e falo açoite

despetalo a flor da pele      

e calo a boca da noite

 

 

sob o efeito de Cibele

coloro olores e lumes

em profundezas e cumes. . .

e até que o céu se desvele

 

 

enluaro  pirilampos

bolino laivos, delírios. . .   

e molho os lírios dos campos!

e desmantelo martírios!

 

 

ah! estrela que me ‘ensolara’

que sorve a seiva que expilo. . .

sou seu Ganges! sou seu Nilo!

seu oásis . . . no Saara!

 

 

noite adentro . . .  dentro dela

me refaço e me aniquilo!

morro, renasço e oscilo !

sou sol e chama de vela!

 

 

escafandrista e astronauta!

servo e senhor do seu cio!

que, sem receios . . . sacio

no seio . . . da noite alta!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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OCASO

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fiz pálidos meus rubores

cálidos meus calafrios

obscenos meus pudores

serenos meus desvarios

 

 

fiz sombrios os meus brios

odiáveis meus amores. . .

e agora . . .  saboreio dissabores

tecendo versos parcos e baldios

 

 

de luz, de som, de paz, de fé, de cores. . .

de tudo o que era vasto

em meus escritos . . .

 

 

e, hoje . . .  meus harmoniosos gritos

são só  silêncios . . .

ensurdecedores.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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A PRIMA

ANTONIA

A PRIMA

 

Alice ama champanhe, algodão doce

e sexo selvagem . . .  com soldados

Não é como a mamãe quis que ela fosse

mas, tem uma porção de ‘predicados’

 

 

Ela é mais feliz que a sua prima, Antônia

que vive trancada . . .  a tecer bordados. . .

Mulher recatada, casta, pura e idônea

(cercada de tédio por todos os lados)

 

 

Alice é uma mulher ‘sem cerimônia’

tem todos os desejos . . .  saciados

É antônimo da ‘santa’ prima Antônia    

‘assexuada . . .  e cheia de cuidados’         

 

 

Alice é esperta, está certa e, Antônia

que só quer rezar e evita  namorados

é exemplo de virtude e parcimônia. . .

mas, sofre de insônia (e de não ter pecados).          

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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TEMPO AO TEMPO

TEMPO AO TEMPOTEMPO AO TEMPO

 

eu decidi dar um tempo

ao tempo que joguei fora

passando o passado a limpo

desperdiçando o agora

 

 

pensando no amor estéril

que cultivei sem sucesso

amor trevoso, funéreo

e venenoso em excesso. . .

 

 

não posso voltar atrás

mas posso seguir em frente

e reaver minha paz

e bem viver o  presente

 

 

dos ‘bons tempos’ que perdi

sendo tolo . . .  e infeliz. . .

levarei o que aprendi:

sofri . . .  tão só porque quis.

 

PAULO MIRANDA BARRETO  (1993)

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ORDENS DO DIA

ÁUREA3ORDENS DO DIA

 

Não desperdicemos tempo

falando em Reforma Agrária!

Empenhemo-nos agora

em revogar a Lei Áurea

 

 

reformar a Previdência

adular os ruralistas

e dizimar (sem clemência)

os direitos trabalhistas!

 

 

Finjamos que estamos certos

e cobertos de razão

pois o mundo é dos espertos

( sejam eleitos ou não)

 

 

Então, sigamos avante

cumprindo as ordens do dia

(rumo ao inferno de Dante) . . .

E viva à Democracia!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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OUTRO PESSOA??

OUTRO 3

OUTRO PESSOA??

 

Não se avexe não, maninha. . .

Sou um poetinha à toa!

Rei sem reino, sem coroa

sem trono, cetro . . . ou rainha

 

 

Minha fama?  É miudinha!

Não serei outro Pessoa. . .

Pensa que chego a Lisboa???

Nunca fui nem à Varginha!!!

 

 

Não tenho milho pra broa  

e nem pirão pra farinha . . .

Sou um poetinha à toa !

Se aperreie não, maninha. . .

 

 

que o bom Deus não me abençoa

e o Demo . . . não me apadrinha

Cobra criada . . .   não voa

e aquelas asas que eu tinha

 

 

vendi . . . à uma andorinha

numa manhã de garoa. . .

 

Por mais que a verdade doa. . .

a minha . . . é de mentirinha.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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REACENDA! REASCENDA!

 

5REACENDA! REASCENDA!

 

Meu amor. . .  saia do sério!

Sobressaia por aí !

Vá com Deus pelo hemisfério

norte ou sul . . .  Saia de si!

 

 

Vá ser feliz . . .  sem mistério

sem chilique, sem pití . . .

Reverta esse revertério!

Faça dele um frenesi!

 

 

‘‘Vá andar que o mundo é grande’’!

Vá viver que a vida é boa!

Saia da linha! Desande!

Vá chorar de rir á toa !

 

 

Vá já, my baby! Se mande !

Se avie, que o tempo voa!

Salte de banda! Debande!

Dê-se ao desbunde, pessoa !

 

 

‘’Quem fica parado é poste’’

Dispare . . . Vá se encantar

com algo novo. . .  Se goste!

Vá curtir! Vá viajar!

 

 

Vá dar uma volta ao mundo!

Vá descobrir o Brasil!

Vá longe, meu bem, vá fundo!

Vá ver o que nunca viu!

 

 

Não vá morrer de saudade

de quem há muito partiu. . .

Parta também . . . Nunca é tarde!

Vamos! Deixe de fastio!

 

 

Vá que vá, meu bem! Se anime!

Não desista de existir. . .

Vá buscar alguém que rime

com o melhor . . . que está por vir!

 

 

Vá, desamarre esse bode!

Bora! Sacode a poeira!

Basta querer! Você pode!

É isso, querida. . .  Queira!

 

 

Chute o pau dessa barraca!

Meta a mão nessa cumbuca!

Enfie esse pé na jaca!

Vá! Se jogue na muvuca!

 

 

A vida é pra ser vivida . . .

e amor foi feito pra dar!

Basta de estar deprimida!

Despreze esse seu pesar!

 

 

Vá além! Passe do ponto

e do limite . . .  Desponte!

Vá se encontrar em Toronto

em Báli em Belo Horizonte!

 

 

Perca o juízo . . . e a vergonha. . .

Drible o medo de viver!

Só realiza quem sonha!

Aposte! Pague pra ver!

 

 

Reveja o que está perdendo

e quanto tem a ganhar. . .

Vá . . . que o sol já está nascendo

Renasça amor . . . Vá brilhar!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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POEMA DA VOLTA

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POEMA DA VOLTA

 

abra os braços, o sorriso, os botões, o fecho-ecler

e os portões do paraíso . . .

que estou voltando, mulher

 

 

abra um vinho, abra a janela, as portas do coração

e enxugue seus olhos, bela

pra rever-me . . .  salvo e são

 

 

abra o quarto! abracadabra! reabra o corpo fechado

anjo bom que me endiabra!

minha benção! meu pecado!

 

 

abrace a  minha saudade, meu desejo afoito, aflito. . .

e abra-se em flor à vontade

do meu amor infinito!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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CANÇÃO PARA NÃO CANTAR de RADYR GONÇALVES

 

mestreCANÇÃO PARA NÃO CANTAR

 

Exalo um silêncio acre

Noturno, cauteloso

Fujo da lua – lobo

Fujo do dia – medo

Há um abismo entre o meu olhar

E o meu verso

 

Há um descontentamento perene em mim

Vivo numa gaiola

Ao som de uma gaita

Eu choro um choro que dilacera o aço das minhas forças

 

Há um lúgubre pavilhão no final do corredor do meu peito

A praça central está abandonada

Não há esperança na calçada

Há uma calcificação dorida nas linhas da minha vida

Uma secura de vontades

Nunca choveu no sertão da minha alma

 

Há um desnível descomunal nas páginas da minha prosa

Meu verbo queima

Minha morte é glosa no canto de um curió

Que canta só

Para tentar quebrar meu silêncio

Mas meu silêncio é imenso

Ensurdecedor

 

Minha dor é tamanha

Que o horizonte se apequena

Diante da cena

 

(Eu caminhando para o abismo!).

 

RADYR GONÇALVES

INCOMUNISMO

coreiasINCOMUNISMO

 

nunca subestime o poder das ideias

e a força visceral

dos ideais

 

pois, o que é capaz de separar Coreias

também pode igualar

os desiguais.

 

PAULO MIRANDA BARRETO   03/10/2017

 

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