A SANHA

handez

A SANHA

 

Essa febre que não passa

Essa sanha que me eriça

Esse fogo sem fumaça

Essa ânsia insubmissa

 

 

Essa paixão . . .  Minha nossa!

É obsessão que não cessa

força que de mim se apossa

mal que me faz bem á beça

 

 

É valsa e montanha russa

Verdade e falsa promessa

Sonho que a alma esmiúça

sem explicar . . . Ora essa!

 

 

Essa paz que me alvoroça

e que me acossa e me atiça

a bem querer essa moça

com tanto ardor e cobiça

 

 

É amor? Será feitiço?

Uma ‘virtude devassa’?

Meu Deus! Que diabo é isso?

É Graça, Pai . . . ou desgraça?

 

 

Caio dentro ou saio dessa?

Diga-me Deus, o que faço?

Preciso saber depressa

ou dessa noite não passo. . .

 

 

Puxo ou afrouxo esse laço?

Fico ou saio desse fosso?

Renuncio ou satisfaço

a esse anseio colosso?

 

 

Ela é fera  . . . que me caça

que  me alcança sem esforço

e que me abrasa e me abraça 

a mordiscar meu pescoço. . .

 

 

 

Afaga e arranha meu dorso. . .

me martiriza e me amassa

Sorri quando me contorço

de prazer . . . e por pirraça

 

 

meus limites ultrapassa

e do início recomeça. . .

Ela é febre que não cessa

Ela é  fogo . . . sem fumaça

 

 

Não há medida que meça

essa querença que pulsa

essa lascívia convulsa

desmesurada e possessa

 

 

Deus! minh’alma está defessa

e, por mais força que eu faça

já não resisto à Vanessa . . .

-a carne

               é fraca . . .   

                                   e fracassa-.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ANTES DAS DEZ

ANTES DAS DEZ

ANTES DAS DEZ

 

bebendo vinho barato, antes das dez da manhã

(em jejum) o bardo nato

lê Gibran Khalil Gibran

 

 

chega a parecer sensato em seu pulôver de lã . . .

um ‘homem de fino trato’. . .

(sem pedigree nem larjan )

 

 

lindo, rindo no retrato

tem pinta de bom vivant

mas é modesto, de fato

(Zé com aura de Titã)

 

 

é um notório literato

que jamais terá um fã

e, um dia . . . morrerá no anonimato

a beber vinho barato . . .  antes das dez da manhã.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM- Portrait of a Poet, 1902-PABLO PICASSO

 

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DÊ O FORA, TEMER

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DÊ O FORA, TEMER

 

Já é hora, já é hora

desse vice virar ex

Ora, Temer . . . Dê o fora!

Vá embora de uma vez!

 

 

Tchau querido! Adeus Michel!

Say goodbye, so long,  farewell !

Please, go home . . .  Go to hell!

Vá purgar o mal que  fez

 

 

Digo-lhe em bom português;

Largue depressa esse osso

Mostre alguma sensatez

(mesmo no fundo do poço)

 

 

Olhe a corda em seu pescoço. . .

Porque não sair agora??

 

Ora Temer . . . Vá embora!

Dê o fora de uma vez!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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MOÇO INSOSSO

funeral

MOÇO INSOSSO

 

engole goles de mágoa de tédio e melancolia

depois . . . escreve poesia

como se fosse remédio

 

 

vai para o topo dum prédio e roga à virgem Maria

um prêmio da loteria

e a  paz no Oriente Médio. . .

 

 

coitadinho do poeta . . .  moço insosso e sem noção

ele é um ‘pato’, um pateta

(mas, tem um bom coração)

 

 

crê em Jesus, nos profetas e na reencarnação

(lê ‘’Poema em linha reta’’

como quem faz oração)

 

 

pena deus não tenha pena

de quem teima em versejar

 

(poetar não vale a pena

só multiplica o penar)

 

 

e o poeta se apequena

fingindo se agigantar. . .

 

(vive e morre . . .  no Geena

sonhando com Gibraltar).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DESENCANTADA

836DESENCANTADA

 

ela não é mais a mesma. . .

anda mesmo ensimesmada

muda e de cara amarrada

mais parece um abantesma

 

 

com suas cismas eu cismo. . .

vive agora enclausurada

pressentindo um cataclismo

na manhã ensolarada

 

 

tomada de ceticismo

não crê no bem  . . .  e em mais nada

maldiz o meu romantismo

e duvida que é amada. . .

 

 

varada de  pessimismo

vara as noites acordada

abismada . . .  em seu abismo

princesa . . .  desencantada.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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NEM SÓ DE PÃO II

FOME 7

 NEM SÓ DE PÃO II

 

‘’Nem só de pão vive o homem’’

mas, a tantos falta o pão. . .

que resta-me pensar que os que bem comem

têm tudo . . . menos alma . . . e coração

 

 

Senhor , não quero usar teu santo nome

em vão . . . mas, oh! meu Deus, por que razão

aquele que sacia a própria fome

não pensa em minorar a de um irmão?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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AVISO

aviso

AVISO

 

Após a Terceira Guerra

a Paz reinará na Terra

(Os homens . . . perecerão)                   

 

Este é um assombroso aviso:

‘Baratas herdarão o Paraíso’

(e Deus . . .  se orgulhará da Criação).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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VERSOS BÊBADOS

gim3

VERSOS BÊBADOS

(mar de gin)

 

de vez em quando naufrago

num mar

                  de doses

                                     de gin

 

 

(lá no fundo, me embriago

                    só para emergir

                                  de mim)

 

 

e entre um e outro trago

           amargo . . .

           me estrago . . .   sim!

 

 

mas, me aprofundo

    me alargo

me ilumino

    viro um ‘mago ‘

 

 

e só ‘apago ‘

            no

                       fim.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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