VALEU!

pipas4VALEU!

 

a boca dispara raios 

diz : ‘para-raios arranham

céus nos quais os papagaios

dos meninos . . .  se emaranham’

 

 

e a boca dispararia   

impropérios, palavrões

mas diz pura poesia. . .

‘O rio sorriu erosões’

 

 

a boca até pariria

asperezas, maldições. . .

mas quer dizer poesia

(que enluare assombrações)

 

 

faz da brisa ventania

faz das geleiras vulcões

faz da tristeza alegria

transforma tudo em canções

 

 

diz: – Daniel, a poesia

vigia a cova e os leões. . .

e a dor que há nela extasia

e anestesia aflições

 

 

desilude luzidia

mil sombrias ilusões

e com malícia alicia

sinas e alucinações

 

 

mas, meu deus! Ave Maria!

a boca que  floresceu

há de murchar algum dia

cheia de silencio e breu.. . .

 

porém, se deixar poesia

ah! se cantar poesia

se semear  poesia

antes de calar . . . valeu!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ÚLTIMOS DESEJOS

 

tristesse-fabien-kerneis-1ÚLTIMOS DESEJOS

 

queria pensar em nada. . .

esquecer de tudo . . . tudo. . .

ficar cego, surdo, mudo

tornar-me um ser inumano. . .

 

 

beber . . .  todo um oceano

(matar a sede afogada)

e tornar-me alma penada

ou mais simplesmente, um bicho

 

 

talvez dormir

(morrer) de madrugada

e súbito . . .  acordar em Machu Pichu

 

 

despido desta angústia

gangrenada. . .

(ainda que entre a espada e o crucifixo).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: YOK MORIMOE ( XHXIX/HI)

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PRESSÁGIO

pressagio8PRESSÁGIO

 

tenho fé de que nem vou acreditar

quando vir o céu ruir

e o chão tremer

 

 

quando vir o seu castelo desabar

quando vir o seu poder

desvanecer

 

 

eu nem vou acreditar mas, hei de ver

sua trama desfazer-se

e fracassar. . .

 

 

sua claque, seus asseclas a gemer

vendo o circo pegar fogo

e evaporar

 

 

acredite em mim, não ouse duvidar

pois assim será

(ou haverá de ser)

 

 

e a mesóclise que desfazer-se–á

soará como um delírio

démodé.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DOIDA! DANADA! DANILA!

frida7DOIDA! DANADA! DANILA!

 

tem um quê de Frida Kahlo

misturada com Tarsila. . .

ora é insosso caldo ralo

ora é shot de tequila

 

 

me deslumbra e me aniquila

me apazigua e me atormenta

musa mansa  e violenta

mulher de aço  e de argila

 

 

ora é treva , ora cintila

ora é fria,  ora é febrenta

cocaína ! camomila!

noite escura ! céu magenta!

 

 

santo deus! ela me tenta!

e eu só penso em possuí-la

decifrá-la . . . traduzi-la

em letra e música lenta

 

 

ah! ela é oito e é oitenta!

coisa intrépida que oscila!

norte que desorienta!    

doida! danada! Danila !

 

 

com seu quê de Frida Kahlo

misturada com Tarsila. . .

faz-me rei, faz-me vassalo

faz-me beijá-la e cuspi-la

 

 

ela é quizomba e é quizila!

quero mantê-la e mata-la

quero acolhe-la e bani-la

e maldize-la e louva-la!

 

 

ah ! liberdade que exila!

ah ! delícia que avassala!

doida! danada! Danila!

lhe amo . . .  e odeio amá-la!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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VOLTA E 666

6664VOLTA E 666

 

Volta e meia meia meia

sou como o diabo gosta

coisa alguma me aperreia

(nem ouvir quem ‘fala bosta’)

 

 

E enfeitado de feitiço

eu me eriço, sem vergonha

feito um anjo insubmisso

que realiza o que sonha!

 

 

Deus nem se importa com isso. . .

Minha poesia é risonha

‘faz arte’, ‘ brinca em serviço’

zomba da ‘lira enfadonha’!

 

 

Perguntou? Eis a resposta!

Cá está. . . Leia e releia!

Soo como o diabo gosta

volta e meia meia meia!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ANSWER

miro4ANSWER

 

como é que o senhor sabe

quando o poema está feito

terminado, pronto enfim?

 

 

ora, isso é fácil, menina! 

Sei que o poema termina

quando continua em mim!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: JOAN MIRÓ 

 

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INSTANTE

instanteINSTANTE

 

eu olho o relógio

mas não vejo a hora

 

vejo o céu que chora

lavando as janelas

da sala de espera

onde o tempo devora

 

a mudez sonora

das minhas mazelas.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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CAI, CAI, WI-FI

wi-fi1

CAI ,CAI, WI-FI

 

‘Mon Dieu’! Helena não sai

do WhatsApp. . .

 

‘Ces’t la vie’!

 

mas, quando cai o wi-fi. . .

ai, ai

 

ela sai de si!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ULTIMATO

salvador

 

ULTIMATO

 

não me deixe

pra amanhã

 

não me deixe

pra depois

 

nem me deixe

para lá

 

 

que é profundo

o meu afã

 

(tanto que vale por dois)

 

mas, amar por dois . . .

não dá.

 

ARTE: SALVADOR DALI & PHILLIPE HALSMAN

PAULO MIRANDA BARRETO

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TODO SANTO DIA

Super lua vista entre os galhos secos do sertão do PiauíTODO SANTO DIA

 

traduzo uma ventania

interpreto um colibri

lapido a bijuteria

(e juro que é um rubi). . .

 

 

ruborizo uma apatia

dou asas a um jaboti

travisto-me de poesia

(e finjo que não fingi)

 

 

canto todo santo dia

mil canções que nunca ouvi

e versos . . . por teimosia

(ou por mania . . .  e daí)?

 

 

o que mais eu quereria?

tenho tudo

bem aqui:

 

 

papel, caneta azul, uma guria

e a lua lá no céu

(cheia de si).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.