POUCAS E BOAS

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POUCAS E BOAS

 

E daí se eu rimo arraia

com estrela Aldebarã

rouxinol com samambaia

ou Taj Mahal com rã?

 

 

Se eu rimo écran com lacraia

colibri com hortelã

ou montanhas do Himalaia

com  praia de Itapuã?

 

 

Perdoe-me, ‘doutor’, não sou do ‘Clã’

nem sou também  ‘seu fã’ . . .   Sou de outra laia

Menos ilustre, sim (e menos vã)

mas, nada impede que eu me sobressaia

 

 

Aceito todo aplauso e toda vaia

porém, dispenso a ‘crítica malsã’. . .

Não vim servir de ‘exemplo’ ou de ‘cobaia’

nem vou dizer amém à bambambã  

 

 

Não tenho ‘pedigree’ e nem ‘larjan’

mas, rimo bem  labuta com gandaia

amor com ‘’As litanias de Satã’’

e Odebrecht . . .  com  maracutaia

 

 

Rimo Allan Poe, ’doutor’, com Peter Pan

calopsitas com saramandaia

maracatus com blues do Djavan

e altivez . . .  com tomara-que-caia

 

 

Não vim ao mundo pra fazer ‘merchan’

e nem pra ‘açucarar mamão papaia’. . .

Pode cantar o ‘Hino de Duran’

não temo não . . .  eu sou de ‘um ‘outra laia’

 

 

Nasci ‘poeta torto’,  à la Tim Maia

Chacal, Torquato Neto e Adoniran. . .

‘Rimo contra a maré’ . . . ‘Morro na praia’

(mas, leio Baudelaire e ouço Chopin)

 

 

Rejeite a minha ‘lira vira-lata’

mas, por favor , respeite a Poesia. . .

Não sou um ‘erudito aristocrata’

mas, sou POETA e sei: TENHO VALIA

 

 

O seu diploma o terno e a gravata

lhe caem bem mas, eu . . .  tenho a ousadia

de transformar a vida que me mata

no verso . . .  que é meu pão de cada dia

 

 

Não quero entrar pra sua Academia

tampouco estilhaçar sua ‘redoma’. . .

Eu quero é mais . . . amor, democracia

mais ‘justa divisão’  que ‘falsa soma’

 

 

Sua ‘doutrina hermética’ não doma

a minha ’lira herética e erradia’

eu rimo léu com lar, céu com Sodoma

e santidade com selvageria

 

 

Rimar não é pecado e nem defeito

e eu verso do meu jeito, ’seu doutor’. . .

Defeito é presumir-se um ‘ser perfeito’

sem sê-lo . . .  e exigir ouvir louvor

 

 

No mais, tenho alergia a aleivosia

e nojo da inveja e do desdém

sou o que sou e digo (quem diria)?

ninguém ,doutor, é mais do que ninguém!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE; JOAN MIRÓ

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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