OS ELEITOS

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OS ELEITOS

de Radyr Gonçalves (Citando Paulo Miranda Barreto)

Como escritor – sou um fiasco

(Sou um fiasco em quase tudo)

Não me iludo…

No entanto, guardo comigo milhares de exercícios poéticos

Alguns com cheiro de mofo

De tão velhos, alguns bem rabugentos

Versos de sertão, canto de pintassilgo versejando em pleno sulfite

Gemidos de sacerdotisas em pleno cio místico

Orgasmos volúveis, tesões voláteis

Nacos de Lua devorando a praia

Sou um desastre como poeta

Meu ritmo é capenga

E a sonoridade arenga

Com meu ouvido de quenga

(Meu ouvido não presta)

Quem é bom de poesia é bom das ouças

Tenho alguns versos sobre moças

Mulheres de mares, escravas de lares

Amantes de homens imbecis…

Mas voltando ao que interessa

Escrevo mal à beça…

Meus versos são apenas pressas

Presas fáceis de poesia ruim

Mas descobri que poucos são os poetas, de fato…

Aquele sujeito que nasceu com um faro para o verbo coringa

Aquele que tem na moringa o verso cantado

Que metrifica sem contar

Que conta sem notar

Que faz verso até do ar

Que rima dor com verbo amar

E ainda assim fica tudo perfeito…

Esses poetas são os “Eleitos”

Conheço poucos desse jeito

São mágicos, trágicos, perfeitos

Por exemplo

Qualquer versador comum é só um esqueleto

Diante da verve viva e sacra

De Paulo Miranda Barreto.

 

RADYR GONÇALVES

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