SOBRE CISCOS E TRAVES

Vector businessman looking for future trendsSOBRE CISCOS E TRAVES

 

Tá falando mal do Trump?

Esculhambando o Fidel?

No seu quintal tem Temer e Geddel!

 

-e mais mil e um malandros

escolados em meandros

arrastando o seu Brasil pro beleléu-

 

 

Cuide do que é seu primeiro

Deixe os outros pra depois

Fique de olho na PEC

na estória do ‘caixa dois’

nas ‘soluções’ e ‘benesses’

que não saem do papel. . .

 

(Pra cuidar do mundo todo

já existe um Deus no céu)!

 

 

Eu aqui, desempregado

‘’maltrapilho e maltratado’’

sem nem ‘um tostão furado’

pra comprar feijão e arroz

vivo uma ‘vida de gado’

e estou bem mais preocupado

em vigiar o Senado

que em dar nome à ‘outros bois’. . .

 

 

Fidel? Que descanse em paz!

Trump? Que seja feliz!

Olhe ao seu redor, rapaz!

Como anda o seu país?

 

 

Ficando aí distraído

com os ‘tropeços do vizinho’

pode acabar surpreendido

pelas pedras do caminho

 

 

-e o nosso . . . é bem pedregoso

torto, todo esburacado

muito longo, sinuoso

sombrio e mal assombrado-

 

 

Portanto, tenha cuidado

Não desperdice atenção

olhando pro ‘outro lado’. . .

olhe pro seu próprio chão

 

 

que estamos no mesmo mundo

e, talvez, ‘no mesmo barco’. . .

mas, nosso ‘poço’ . . . é bem fundo

e em torno dele há um ‘charco’

 

 

Pra sair desse ‘atoleiro’

vasto, fétido e nojento

todo e cada brasileiro

necessita estar atento

 

 

É preciso olhar ‘pra dentro’

com os olhos bem abertos

-ser mais sábios que os ‘espertos’

de esquerda, direita e centro-

 

 

E então, quando afinal a nossa terra

honrar o lema ‘Ordem e Progresso’

aí a gente fala, grita e berra

contra os ’vilões alheios’. . . sem recesso.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ISABELA ADORMECIDA

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ISABELA ADORMECIDA

 

Isabela perambula

sob pálidas estrelas

contando passos e luas

em ruas, praças, vielas

 

 

Esmolambada e banguela

Magrela e sem sobrenome

ela é somente Isabela

filha do vício . . .  e da fome

 

 

Quase não come . . . nem fala. . .

se fala, fala sozinha

(ninguém se presta a escutá-la)

caminha, pena . . .  e definha

 

 

Louca de ‘pedra’ e ‘farinha’

desnorteada no sul

Isabela ‘perde a linha’

sob o sol e o céu azul

 

 

Tão arisca quanto um bicho

vagueia de pés no chão. . .

buscando em latas de lixo

restos de paz, sonhos, pão

 

 

algum beijo enferrujado

um crepúsculo lilás

um poema inacabado

um dom . . .  que ninguém quer mais

 

 

qualquer verdade encardida

um túnel com luz no fim. . .

um milagre . . . uma saída

uma porta, um trampolim

 

 

um naco de amor, de bolo

um lírio , um favo de mel

qualquer alívio ou consolo. . .

um mapa que a leve ao céu

 

 

Mas, Isabela não acha

mais que esperanças perdidas. . .

e segue assim, cabisbaixa

pelos becos e avenidas

 

 

Cheia de medo e feridas

Cheia de angústia e torpor

ri das luzes coloridas

que piscam pra sua dor. . .

 

 

Vaga só e desvalida

entre os ‘cidadãos normais’

‘gente de bem’, ‘bem nutrida’. . .

‘semelhantes desiguais’

 

 

Passa desapercebida

por todos . . .  mas, não por mim

que enxergo em sua tez desiludida

um não sei quê de anjo . . . Querubim?

 

 

Quisera dar-lhe guarida

um fardo menos ruim

um’ outra chance . . .  outra vida

mais feliz, menos doída

outro começo, outro fim. . .

 

 

Guardá-la em mim,  protegida

e nunca mais vê-la assim

desacordada, caída. . .

‘Isabela adormecida’

sobre a grama dum jardim

 

 

entre flores sem perfume

e gente sem coração

num mundo em que a piedade

é um ‘mau costume’

e a fria indiferença . . .  ‘convenção’

 

 

Os olhos de Isabela não têm lume. . .

São negros . . . são da cor da solidão 

Da cor da sua pele de betume. . .

Tão negra . . .  quanto o ébano e o carvão

 

 

Tão negra quanto a negra escuridão

que assombra minha alma (tão pequena)

ao escutar da boca de um ‘cristão’

—- Não sinta compaixão. Não vale a pena. . .

 

 

Eu guardo em mim os olhos de Isabela. . .

e sei que ela guardou os meus também

Tomara Deus . . .  um dia  . . . os olhos dela

enxerguem toda a luz . . . que os meus não veem.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

FOTOGRAFIA by LEE JEFRIES

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OS ELEITOS

radyr

OS ELEITOS

de Radyr Gonçalves (Citando Paulo Miranda Barreto)

Como escritor – sou um fiasco

(Sou um fiasco em quase tudo)

Não me iludo…

No entanto, guardo comigo milhares de exercícios poéticos

Alguns com cheiro de mofo

De tão velhos, alguns bem rabugentos

Versos de sertão, canto de pintassilgo versejando em pleno sulfite

Gemidos de sacerdotisas em pleno cio místico

Orgasmos volúveis, tesões voláteis

Nacos de Lua devorando a praia

Sou um desastre como poeta

Meu ritmo é capenga

E a sonoridade arenga

Com meu ouvido de quenga

(Meu ouvido não presta)

Quem é bom de poesia é bom das ouças

Tenho alguns versos sobre moças

Mulheres de mares, escravas de lares

Amantes de homens imbecis…

Mas voltando ao que interessa

Escrevo mal à beça…

Meus versos são apenas pressas

Presas fáceis de poesia ruim

Mas descobri que poucos são os poetas, de fato…

Aquele sujeito que nasceu com um faro para o verbo coringa

Aquele que tem na moringa o verso cantado

Que metrifica sem contar

Que conta sem notar

Que faz verso até do ar

Que rima dor com verbo amar

E ainda assim fica tudo perfeito…

Esses poetas são os “Eleitos”

Conheço poucos desse jeito

São mágicos, trágicos, perfeitos

Por exemplo

Qualquer versador comum é só um esqueleto

Diante da verve viva e sacra

De Paulo Miranda Barreto.

 

RADYR GONÇALVES