AVESSO

avesso11

AVESSO

 

Perdoai-me Senhor . . . pois, eu sei o que faço

nas versos que teço

nas rimas que traço

 

 

me esmero e amanheço

vencendo o cansaço

nos versos que meço

nas rimas que caço. . .

 

 

sei bem dos limites que ousado ultrapasso

nos degraus que desço. . .

nesses voos que alço. . .

 

 

eu ‘cresço e apareço’

depois . . . me desfaço

nos versos que teço

nas rimas que traço

 

 

se eu erro, Pai . . . confesso e reconheço. . .

e, se me ‘disfarço’

é porque careço

 

 

desse manto espesso

que amo e amasso. . .

nos versos que meço

nas rimas que caço

 

 

no entanto, não peço mais do que mereço

e quando fracasso. . .

também me embeveço

 

 

Pai! Não tenho preço. . .

e de graça eu grasso

nas rimas que teço

nos versos que traço

 

 

sou moço travesso . . .  castiço e devasso. . .

com desembaraço

me exibo ao avesso

 

 

viçoso . . .   pereço

morrendo .. .   renasço

nos versos que meço

nas rimas que caço

 

 

e, queira ou não queira . . .  sou o que pareço. . .

um ‘manso possesso’. . .

um ‘excesso escasso’. . .

 

 

desde o meu  começo

eu . . .  por mim me passo. . .

nos versos que teço

nas rimas que traço

 

 

perdoai-me oh Pai! Quase sempre esqueço. . .

sou ave de gesso. . .

não de pedra ou aço

 

 

porém, me arremesso

no abismo . . . no espaço

dos versos que meço

das rimas que caço

 

 

e me despedaço. . .

e desapareço. . .

já lasso e defesso

perdendo o compasso

 

 

 

 

das rimas que teço  . . . dos versos que traço

mas, não me amordaço. . .

eu nunca emudeço

 

 

padeço . .  enlouqueço. . .

e sangro e me esgarço

nos versos que teço

nas rimas que traço

 

 

perdoai-me, oh Pai, mas eu sei o que faço

eu sei o que faço!

eu sei o que faço!

 

 

ai!  desobedeço Vossas leis . . . e abraço

as que eu mesmo teço. . .

as que eu mesmo traço. . .

 

 

qual manso possesso

castiço e devasso

nos versos que meço. . .

nas rimas que traço. . .

 

 

nesses voos que alço. . .

nos degraus que desço. . .

verdadeiro e falso. . .

desde o meu começo.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: RENÉ MAGRITTE

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s