O ANJO HEREGE

heregeO ANJO HEREGE

 

O anjo herege abomina

o êxtase do devoto

 

Faz anotações

Rumina

Transpira

Tira uma foto

 

 

Bola um plano, à surdina

Tenta um controle remoto

Morde a língua, se alucina

Treme, causa um terremoto

 

 

E o devoto nem se abala. . .

Segue ‘lépido e fagueiro’

tão intrépido e trigueiro                       

quanto um romeiro de Cícero. . .

 

 

O anjo herege espia irado

gemendo, bege de raiva

rangendo os dentes, urrando

e enfim, se desencoraja

 

 

Desiste

o pobre-diabo

soltando um silvo de naja

 

e rasteja

para longe. . .

onde haja fé que não aja

 

 

Talvez vá tentar um monge

jovem e de ‘carne fraca’

no Tibete ou no Camboja. . .

Quem sabe uma freira, em Praga?

 

 

— Que inferno! pensa consigo

Tantos incautos no mundo

e fui perder o meu dia

com o devoto da Poesia. . .

 

E se evola

furibundo.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

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