CANTIGA DE UM AMOR ITINERANTE

itinerante CANTIGA DE UM AMOR ITINERANTE

 

o Sol não sai

do céu

nem quando é noite. . .

 

 

meu bem não sai

de mim

nem quando vai

 

 

lá pra Dubai

Dublin

Belo Horizonte

 

 

Londrina

Tocantins

ou Paraguai. . .

 

 

amor presente

ausente

itinerante

 

 

viajante

intermitente. . .

ai, ai, ai !

 

 

ele se vai

pra outro

continente

 

 

fica distante

e mesmo assim

não sai

 

 

de mim . . . vai a Pequim

Rússia

e Nigéria

 

 

de Bali

pra Sibéria

e Bombaim

 

 

da China

pro Peru

ou pra Bruxelas

 

 

e de Cabul

pra

Quixeramobim

 

 

sai de Xangai

e vai

à Normandia

 

 

dorme em Cotia

acorda

no Uruguai

 

 

almoça

em Istambul

janta na Hungria

 

 

de Aracaju

se manda

pra La Paz

 

 

passa em Berlim

me compra

alguns postais

 

 

me liga de Cascais

diz que está

bem. . .

 

 

que tem saudade

e pensa em mim

demais. . .

 

 

mas inda vai

ao Congo

e mais além

 

 

ao Cairo, ao Equador. . .

Madri

também. . .

 

 

depois torna á Belém

e (até

que enfim)

 

 

volta pra mim

no fim do mês

que vem. . .

 

 

se não tiver

que ir

á Medellín

 

 

e eu. . .

que até aqui

sobrevivi

 

 

suspiro aliviada

e digo

amém

 

 

como se ele

estivesse

logo ali. . .

 

 

a três

ou quatro quarteirões

daqui

 

 

já prestes

a chegar.

 

Sonhar

faz bem. . .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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