TÔ DE MAL,MARIA ALICE!

cara1

TÔ DE MAL, MARIA ALICE!

 

Pouco importa quantas rimas eu derrame

a teus pés, ao teu redor ou sobre ti

que te estime, que te mime, que te ame

que te leve à Roma, à Londres ou Madri. . .

 

 

Sei que ainda que eu surfasse um tsunami

que escalasse o Monte Fuji e o Everest

que surrasse o Mike Tyson e o Van Damme

que acabasse com a seca do Nordeste

 

 

Mesmo assim, Maria Alice, tu dirias

que sou frouxo, murcho, chocho e xexelento

que não valho um quilo e meio de excremento

e que nunca, em tempo algum, tu me amarias

 

 

Desmereces meu amor todos os dias. . .

Idolatro-te . . . e só dizes que não presto

Se eu pedisse de joelhos não darias

para mim teu coração (quiçá o resto)!

 

 

Mas, já chega. Eu juro! Nunca mais te agrado

Nunca mais te digo nem um elogio

Não dou flor, cordão de ouro (folheado)

nem te levo no forró de Seu Dario

 

 

Nem rabisco! Nem um cisco de poema!

Nunca mais dedico um verso meu a ti

Nem que a vaca tussa, nem que a ema gema

nem que Obama venha ao Crato me pedir

 

 

Nem Jesus há de fazer com que eu te adule

outra vez . . . Eu tô de mal pra nunca mais

Aliás , eu quero o xale azul de tule

e o anel de lápis-lazúli que te dei, dias atrás

 

 

Levarei Marina à missa, Ana ao cinema

Guiomar pra comer bolo de aipim

e andarei de braço dado mais Jurema

(Sim, aquela prima irmã de Miguilim)

 

 

Mas jamais na minha vida darei trela

para ti , Maria Alice . . . Te esqueci!

Rapariga troncha! Quenga requenguela!

Se te amei foi por cegueira . . . Agora eu vi!

 

 

Eu desprezo-te sem dó, choro nem vela

tal e qual tu me fizeste . . . Eis o teu troco!

Traste! Peste! Mequetrefe! Magricela!

Eu te odeio inteira, muito e mais um pouco!

 

 

E que eu fique gago, vesgo, mouco e leso

se algum dia, uma outra vez falar contigo. . .

Beijo os pés de meu mais sórdido inimigo

mas por ti, Maria Alice, eu sequer rezo

 

 

Eu prefiro ver o Cão, o ‘Sete pele’

frente a frente do que olhar na tua fuça

Que desdém, ‘neném’. . . se paga é com repulsa. . .

Lá sou besta . . . pra adorar quem me repele?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s