MAIS UM

mais um6MAIS UM

 

Sob um governo imoral

elitista e ilegal

não me conformo em viver. . .

 

 

Vendo o Jornal Nacional

e os shows da corja Global

sei que só tenho à perder. . .

 

 

Seu etecetera e tal

distorce o essencial

diz o que convém dizer. . .

 

 

Não creio na ‘verdade teatral’. . .

na genialidade do boçal

nem nos despudorados no poder. . .

 

 

Para o seu próprio bem, me leve à mal. . .

Não sou indiferente nem igual

e enxergo além do seu ‘lugar comum’. . .

 

 

O que lhe falta eu tenho ‘à dar com o pau’:

Coragem, “cara dura’ e um visceral

prazer em ser ‘mais eu’ e não ‘mais um’!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Arte: VITOR TEIXEIRA

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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MAR DE LAMA EM MARIANA

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MAR DE LAMA EM MARIANA

 

A mais-valia vale mais que a vida humana

(pra Vale, vale lucrar)

 

 

Mas ah, quem lavará o mar de lama

que enlameou Mariana

de Minas (que não tem mar)?

 

 

Haja água pra lavar a mão tirana

da gente que nada em grana

e é hábil em se safar. . .

 

 

E pra quem morreu . . . banana!

‘Daqui á duas semanas

ninguém sequer vai lembrar’. . .

(Será)?

 

 

Se fosse em Copacabana. . .

Se fosse em Copacabana

toda a Terra ia chorar!

 

 

Seria uma sanha insana

grande, pan-americana

até o mundo acabar. . .

 

 

mas como foi Mariana

de Minas que nem tem mar

podemos deixar pra lá. . .

 

 

que até a lama secar

e a poeira baixar

a condescendência engana. . .

 

 

se fosse um lugar ‘bacana’

de gente rica, fina (e desumana). . .

aí por certo a cobra ia fumar. . .

 

mas foi lá em Mariana

lugar de gente simples e sem gana. . .

então não há porque se apoquentar

 

 

e já que lá em Minas não há mar

o mar de lama até veio á calhar. . .

 

tornar-se-á lugar para turistas

exclusivo para porcos

(leia-se capitalistas)

 

na lama

eles amam

chafurdar.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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TÔ DE MAL,MARIA ALICE!

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TÔ DE MAL, MARIA ALICE!

 

Pouco importa quantas rimas eu derrame

a teus pés, ao teu redor ou sobre ti

que te estime, que te mime, que te ame

que te leve à Roma, à Londres ou Madri. . .

 

 

Sei que ainda que eu surfasse um tsunami

que escalasse o Monte Fuji e o Everest

que surrasse o Mike Tyson e o Van Damme

que acabasse com a seca do Nordeste

 

 

Mesmo assim, Maria Alice, tu dirias

que sou frouxo, murcho, chocho e xexelento

que não valho um quilo e meio de excremento

e que nunca, em tempo algum, tu me amarias

 

 

Desmereces meu amor todos os dias. . .

Idolatro-te . . . e só dizes que não presto

Se eu pedisse de joelhos não darias

para mim teu coração (quiçá o resto)!

 

 

Mas, já chega. Eu juro! Nunca mais te agrado

Nunca mais te digo nem um elogio

Não dou flor, cordão de ouro (folheado)

nem te levo no forró de Seu Dario

 

 

Nem rabisco! Nem um cisco de poema!

Nunca mais dedico um verso meu a ti

Nem que a vaca tussa, nem que a ema gema

nem que Obama venha ao Crato me pedir

 

 

Nem Jesus há de fazer com que eu te adule

outra vez . . . Eu tô de mal pra nunca mais

Aliás , eu quero o xale azul de tule

e o anel de lápis-lazúli que te dei, dias atrás

 

 

Levarei Marina à missa, Ana ao cinema

Guiomar pra comer bolo de aipim

e andarei de braço dado mais Jurema

(Sim, aquela prima irmã de Miguilim)

 

 

Mas jamais na minha vida darei trela

para ti , Maria Alice . . . Te esqueci!

Rapariga troncha! Quenga requenguela!

Se te amei foi por cegueira . . . Agora eu vi!

 

 

Eu desprezo-te sem dó, choro nem vela

tal e qual tu me fizeste . . . Eis o teu troco!

Traste! Peste! Mequetrefe! Magricela!

Eu te odeio inteira, muito e mais um pouco!

 

 

E que eu fique gago, vesgo, mouco e leso

se algum dia, uma outra vez falar contigo. . .

Beijo os pés de meu mais sórdido inimigo

mas por ti, Maria Alice, eu sequer rezo

 

 

Eu prefiro ver o Cão, o ‘Sete pele’

frente a frente do que olhar na tua fuça

Que desdém, ‘neném’. . . se paga é com repulsa. . .

Lá sou besta . . . pra adorar quem me repele?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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EX-POETA

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EX-POETA

 

Tédios dilatados e ânimos mínimos

Silêncio maciço macerando estímulos

Nenhuma palavra brota dos meus lábios

Meus fáceis enredos perderam-se em limbos. . .

 

 

Eu . . .  que achava estrelas em cúmulos-nimbos

que tirava leite de pedras de sal

que jorrava odes . . . agora não rimo

nem amor com flor . . . Oh! Sina brutal!

 

 

Minha inspiração fugiu, me abandonou

se ‘teleportou’ pro espaço sideral

‘se mandou’ de mim e nunca mais voltou. . .

nem rastro deixou . . .  sequer me deu tchau

 

 

 

Incapaz agora de um versinho esquálido

uma trova pálida, um haicai raquítico

eis-me aqui: fatídico, apático, inválido

‘Ex-poeta’ . . . gélido . . .  pré-apocalíptico

 

 

Eu, antes intrépido, ‘lépido e fagueiro’

‘rápido e rasteiro’, múltiplo e eclético

tornei-me um estúpido . . .  Não fedo nem cheiro

Durmo o dia inteiro . . .  Sinto-me patético

 

 

Sei que não há médico, sábio ou feiticeiro

que possa livrar-me desta maldição. . .

Conformado, aguardo o dia derradeiro

sonhando ser bardo . . . noutra encarnação.

 

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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A MAÇÃ

maçã1A MAÇÃ

 

A maçã foi tão somente uma desculpa

A Serpente estava prenhe de razão. . .

Não, nem Eva nem Adão tiveram culpa

Pecador não é quem ama e sim quem não!

 

Paulo Miranda Barreto

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.