EXCERTOS (DE UM MAIS NOVO TESTAMENTO)

Rembrandt_Christ_Driving_the_Money_Changers_from_the_Temple vendilhõesEXCERTOS

(DE UM MAIS NOVO TESTAMENTO)

 

I

Em verdade, em verdade vos digo:

A Verdade dói.

 

II

O meu Reino não é deste mundo

dos negócios.

 

III

Bem aventurados os que usufruem da isenção de impostos.

 

IV

O pastor é teu senhor

e nada te sobrará.

 

V

Dai a César o que é de César

no Templo de Salomão.

 

VI

A fé move montanhas

de dinheiro. . .

(mais para o cofre dos lobos

que pro bolso dos cordeiros)            

 

VII

O Senhor Jesus não mais poderá

pôr-se á expulsar os vendilhões do templo. . .

Conforme escritura lavrada em cartório

ficou comprovado:

São proprietários!

 

VIII

Deus é Pai e Deus é bom!

Sirvamos, pois, a Ele e a Mamon!

Mamon é um ‘filho pródigo’ de Deus!

(Devemos sempre amar nossos irmãos).

 

IX

Não usarás o nome do teu Deus em vão

porém, em causa própria,

por que não?            

 

X

Nada é impossível aquele que crê.

E já que você crê. . .

pague pra ver!

 

XI

O amor é cego.

 

XII

Deus é amor?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: Jesus expulsando os vendilhões do Templo- Rembrandt 1626

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DEIXE-MO-LOS PARA ALÁ

ordem

DEIXEMO-LOS PARA ALÁ!

 

Deixemos os extremistas /terroristas para Alá!

Meu país é pacifista. . .

e olhem como ele está:

Fez-se ninho de golpistas

‘revanchistas de crachá’

gordos porcos chauvinistas

versados em blá-blá-blá. . .

 

 

O futuro do Brasil ‘tá pra lá de Bagdá’. . .

Mas, deixe estar

pois que o vento

que venta lá, venta cá

 

 

Um dia o gigante acorda

conta um, dois, três . . .  e já

E essa corja toda samba

na corda bamba!

Ê laiá!

 

 

 Aí sim, o ‘bicho pega’

pega- pega pra capar!

e até a justiça cega

vai ter olhos de enxergar!

 

 

Não vai sobrar um só santo

sem pecado pra pagar. . .

Toda vaca vai tossir!

Toda cobra vai fumar!

 

 

Mesmo sem ser fevereiro

o carnaval vai chegar!

Ah, meu povo brasileiro

vai sorrir e vai cantar!

 

 

E pra quem sorriu primeiro

chorar é o que restará. . .

Quem tiver olhos de ver

(e sobreviver) verá!

 PAULO MIRANDA BARRETO

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NADA É TANTO

noturno

NADA É TANTO

 

no meio do meu nada, tudo é tanto

que faço o meu espanto ser sorriso. . .

e santo . . . eu infernizo o paraíso

-a minha eternidade é por enquanto-

 

 

eu encho um rio, um mar e sobra pranto

levanto as mãos ao céu e em nuvens piso

mas o meu peso é muito e o desencanto

me faz chover qual chuva de granizo

 

 

eu canto , canto e nunca sei o quanto. . .

e colho e planto mais do que preciso

e falo grego . . . e calo em esperanto. . .

e só me encanto enquanto me hostilizo. . .

 

 

minha expertise é toda de improviso. . .

e o que não minimizo, eu agiganto

meus exageros geram prejuízo. . .

no meio do meu tudo . . . nada . . .  é tanto!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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