FUNERAIS

MARINHEIRO4

FUNERAIS

 

já sou como se não fosse

ou como se não bastasse

ser humano e manso e doce

a cada manhã que nasce. . .

 

 

a cada hora que avança

a cada voz que emudece

diminui minha esperança

e meu vigor esmorece         

 

 

já sou como se não fosse

ou como se não quisesse

cantar o verso que eu trouxe

de um jeito, de outro (ou desse)

 

 

quebrando regra e promessa

revelando o meu disfarce

e essa aflição que não cessa

a cada dia que nasce. . .

 

 

já sou como se não fosse

ou como se não pudesse

ser humano e manso e doce

enquanto o meu medo cresce

 

 

e os sonhos viram fumaça. . .

e o coração adoece. . .

e a vida é mera ameaça

de morte . . .que me embrutece

 

 

já faço depressa a prece. . .

já penso que tudo é farsa. . .

que nada é o que parece

e que esse tempo não passa

 

 

de uma mentira perversa

versada em suma injustiça

contaminando-me imersa

numa euforia enfermiça. . .

 

 

já sou como se não fosse. . .

como se apenas sonhasse

ser humano e manso e doce

a cada manhã que nasce

 

 

só quero que tudo passe. . .

que essa dor desapareça

no ar . . . ou me despedace. . .

e eu nunca mais amanheça.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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