FICO

DE POETA7

 FICO

I

guarde bem suas ‘verdades’

não quero mesmo sabe-las. . .

se a sua língua esconde claridades

a minha . . . quer tão só dizer estrelas”.

 

II

vejo poesia na fila do banco

no papel em branco

na cor do crepúsculo

 

 

num frívolo elogio, num solavanco

no salto de um tamanco, num minúsculo

versículo da Bíblia , num opúsculo

no Sol luzindo, em meu entusiasmo

no seu sarcasmo infindo, num orgasmo

ou mesmo no espasmo de algum músculo. . .

 

 

eu vejo poesia no quiabo

no rabo de um foguete, na apatia

na cruz, na eucaristia, no diabo

no que não devo e até no que devia. . .

 

 

num percevejo eu vejo poesia!

na bula do remédio tarja preta!

no bêbado bailar da borboleta!

na letra enluarada à luz do dia. . .

 

 

na luta, na labuta e na folia

no cáustico cantar do desencanto

no olhar da prostituta e no do santo

no riso e no pranto da Virgem Maria

 

 

a vejo em tudo e tanto em todo canto

que até no que converso vejo versos. . .

à flor da minha pele ou submersos

em mim, no meu bocejo e em meu espanto     

 

 

e ah! se eu contrario o Acadêmico

não pedirei desculpas nem licença. . .

Nosso Senhor Jesus era polêmico

também . . . (isso fez toda a diferença)!

 

 

você não pensa assim? lamento muito

mas isso não dilui meu sentimento

nem desmotiva o intento . . . o meu intuito

de ser todo poesia (cem por cento)

 

 

vivo de brisa, e sei . . . meus pés de vento

não dão passos em falso, são precisos!

conduzem as verdades que eu invento

pra fora dos ‘horrendos paraísos’

 

 

pra longe de ‘exigentes exegetas’

e do rigor feroz dos ‘santos críticos’. . .

não louvo os ‘arquitetos paralíticos’

e a pompa hostil de mil ‘falsos poetas’ . . .

 

 

 

não quero pódio, topo e nem altar

da minha ‘imperfeição’ faço virtude. . .

nenhuma rejeição me desilude

nem pode a ovação me deslumbrar. . .

 

 

e se você espera, enfim, que eu mude

ou que emudeça . . . esqueça.  Eu vou ficar!

Nasci pra versejar (que Deus lhe ajude). . .

Você e os seus vão ter que me aturar!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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