EL SALVADOR

EGON 

 

 

 EL SALVADOR

 

sob o céu dessa cidade

minha assídua solidão

toma Sol . . .  nua de alarde

sonhando uma insolação

 

 

seu corpo branco me encarde

seda a minha sedução 

faz-me são . . . (que insanidade)!

eu era alucinação

 

 

simulava a realidade

realizava a ilusão

e agora . . .  minimizo a enormidade

que sobra no meu vasto coração

 

 

 

poeta sou (poeta de verdade)

discípulo fiel dessa ilusão

que torna eterna a minha ingenuidade. . .

(eu creio que estou cheio de razão)

 

 

e enquanto vivo e morro de saudade

eu corro atrás do amor e da paixão

mas sou retardatário . . .  chego tarde

a todo encontro, evento e ocasião

 

 

a minha solidão sob o Sol arde

e sob a lua uiva e uiva . . . em vão

minh’alma ruiva assombra a claridade

das noites modorrentas de verão. . .

 

 

fiz-me  prisão . . .  e invento a liberdade

não tenho nenhum pássaro na mão. . .

voo só . . . no chão, no céu , nessa cidade

com mil pardais . . .  na imaginação

 

 

poeta . . . sou poeta de verdade?

o que é a verdade? Não sei não. . .

sei que a verdade dói . . .  sem piedade

(e faz-me um salvador sem salvação).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: ‘O POETA’ de EGON SCHIELE

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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