PLÁGIO DE MIM MESMO

PIPA10

PLÁGIO DE MIM MESMO

 

Mais tarde choverão meus olhos sujos

dessa angústia cinza que nubla o meu brilho. . .

Vou fingir jaguares . . . forjar caramujos

e gotejar silêncios no ladrilho

 

 

Falar ás paredes, beijar azulejos

contar meus segredos ao ventilador

Solver-me no bolor dos meus desejos. . .

e nascer de novo . . . seja como for

 

 

Minha solidão é a do sertanejo

ou a do astronauta que jamais voltou

Não lembro de ninguém quando me vejo. . .

Hoje sinto falta de saber quem sou

 

 

Mas amanhã, quem sabe, eu me reveja

e seja (ou volte a ser) quem nunca fui. . .

Herói que nunca foge da peleja

ou anjo azul que a lua não dilui.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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POR QUE VOCÊ ESCREVE POESIA?

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POR QUE VOCÊ ESCREVE POESIA?

 

escrevo porque preciso decifrar-me em silhuetas

consolar flores que piso enquanto danço indeciso

exorcizar os demônios que habitam minhas gavetas

e dar nome às borboletas que, desde sempre, escravizo

 

 

escrevo porque não devo . . . porque não tenho juízo

porque sou doido e me atrevo a exibir minhas facetas

porque sou feito de aço, de carne, osso e granizo

escrevo porque preciso estilhaçar ampulhetas

 

 

coreografar piruetas, cata-ventos e birutas

cruzar palavras secretas, inseminar devaneios. . .

ler nas almas dos poetas as estratégias astutas

que vençam vitórias régias e deflorem os floreios. . .

 

 

escrevo porque sou torto, por que não fujo da luta

porque o silêncio é um estrondo de trovão na minha boca

porque do meu ócio imenso brota essa bruta labuta

que me faz gritar poesia no ouvido da vida mouca!

 

 

escrevo porque preciso dinamitar meus defeitos

fugir das frases de efeito que friso desesperado. . .

dar voz aos meus infinitos pretéritos imperfeitos

e enfeitar esse meu jeito de menino rejeitado

 

 

escrevo porque amenizo com versos minhas verdades

suavizando as saudades do que deixei de viver. . .

escrevo pra ser sem ser . . . pra suprir necessidades

ou tão só porque escrevendo me eternizo . . . sem querer.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.