ESPIA,LUZIA. . .

LUZIA7

 

 

ESPIA, LUZIA. . .

 

Espia, Luzia, espia!

O Sol fazendo poesia. . .

inaugurando a manhã

 

 

Vindo e afagando a euforia

que aflora em nós luzidia

feito infindável afã. . .       

 

 

Espia ,Luzia, espia!

A tarde urdindo magia

nas folhas do flamboyant. . .

 

 

Riachos cochichando com as gias

e os sapos coaxando sinfonias

que soam e  ressoam pela chã. . .

 

 

Espia, Luzia, espia

a pressa com que cai a noite fria

do céu . . .  sobre nós dois . . .  entre os  lençóis  

 

 

Silenciando as vozes desse dia. . .

Sorvendo nossa luz qual negra harpia. . .

Parindo breus que assombram girassóis. . .

 

 

Espia, por favor, Luzia espia

o tempo a esmiuçar nossa alegria

e a enegrecer seus olhos . . .  meus faróis. . .       

 

 

nossa paixão morrendo . . .  de agonia. . .

tristonha, enraizada na afasia

que espanta os bem-te-vis e os rouxinóis. . .

 

 

Espia, por favor, Luzia . . . espia

enquanto é tempo . . .  a chama e a melodia

da vida em meu poema, em minha voz. . .

 

 

Que logo a luz se apaga . . .  o corpo esfria

a alma voa, o verso silencia. . .

e só Deus sabe o que vai ser de nós. . .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: MARC CHAGALL

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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