A MUSA

hikari shimoda4

 

A MUSA

 

Quisera ser um poeta

de estrelas no céu da boca. . .

Saber palavra secreta

Deixar uma frase louca

 

 

Quisera ser um poeta

de causar espanto e sustos

entortando a linha reta

tirando o sono dos justos

 

 

Mas, ai!  A minha poesia

nasce assim tímida e crua

seja ao Sol do meio-dia

ou pela noite sem lua. . .

 

 

E aos pés da letra se prostra. . .

Sim! Pra todo mundo ver!

Qual Musa ingênua que mostra

tudo . . .  o que eu quero esconder!

 

PAULO MIRANDA BARRETO 2010

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

Anúncios

CARNE MORTA

guerra valdir ferreiraCARNE MORTA

 

entre os ‘bem-aventurados’

e os ‘homens invisíveis’

há multidões de pecados

e abismos inconcebíveis

 

 

há anos-luz apagados

e há trevas irreversíveis. . .

mares de refugiados

indiferenças terríveis

 

 

fortunas incalculáveis

e misérias indizíveis. . .

corações impermeáveis

nus de amor, inacessíveis

 

 

uma dúzia de abastados

e milhões de miseráveis

sonhos loucos realizados. . .

sonhos simples inviáveis. . .

 

 

uns poucos, vivem do nome

dos juros, da mais-valia

já outros morrem de fome

de frio, de dor, de agonia

 

 

fronteiras, classes e castas

grupos, blocos e etnias

fontes de injustiças vastas

desumanas hierarquias

 

 

problemas inomináveis

(com mil soluções possíveis)

perduram indissolúveis

aos olhos dos insensíveis

 

 

‘continentes de egoísmo’

‘impérios de prepotência’

financiam terrorismo

ódio, guerra, violência

 

 

a indústria bélica berra

lucros doidos, formidáveis!

oh! como haver paz na Terra

com arsenais infindáveis?           

 

 

tanta, tanta guerra santa

de santidade profana. . .

a gente colhe o que planta. . .

(só desgraça, raça humana)?

 

 

a aparência nos engana

nos controla, nos conduz

seguimos na sanha insana

entre a espada e a cruz

 

 

entre Deus e a Ciência

entre a descrença e a fé. . .

o ‘progresso’ é decadência

 tudo ‘avança’ em marcha-á-ré

 

 

onde reina a indiferença

e ovaciona-se a omissão

quem vence é a desavença

o orgulho e a ambição

 

 

quando a cabeça não pensa

no próximo, o coração

torna-se ferida imensa

carne morta . . . maldição.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: VALDIR FERREIRA

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.