RAPSÓDIA LÚGUBRE

 

081024

 

RAPSÓDIA LÚGUBRE

 

quando eu nem sabia o segredo das flores

já sonhava nomes pra dar aos perfumes. . .

e cantava estrelas dentro dos negrumes. . .

(como se já fora um fazedor de amores)

 

 

a minha  inocência cheirava a rubores!

eu nascera feito . . .  torto e sem tapumes

 

 

e, mesmo iletrado, aliterava ardores

namorava a lua e  lia os vagalumes. . .

 

 

escavava o céu e desnudava os numes

bolinava as  nuvens e inventava cores

 

 

ah! e eu nem sabia o segredo das flores!

(os meus sonhos eram colibris implumes)

 

 

mas, eu já provava os verbos sedutores. . .

seus doces sabores . . .  e seus azedumes

 

 

foi há muito tempo  . . .  tempos promissores

hoje teço horrores . . .  canto só queixumes

 

 

versifico névoas . . .  trevas . . .  e bolores. . .

só rimo temores,  mágoas e ciúmes. . .

 

 

e só vejo estrelas . . .  quando sinto dores

sou poeta apenas por vício . . . (ou costume).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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NOTURNO (escrito à luz do amanhecer)

noturno2

 

 NOTURNO

(escrito à luz do amanhecer)

 

nasci deformado em letras

-só me interessa a palavra-

 

 

‘meus olhos violavam violetas’

e o Sol . . .  era de mim que ele raiava

dava-me  à luz zunindo

e reluzia

enquanto o céu noturno

se azulava

 

 

num tempo em que sequer deus existia

nas mãos da poesia eu me entregava

e aos pés da letra eu ria e me prostrava

(era um Poeta . . .  e ainda nem sabia)

 

nasci deformado em letras

 -só me interessa a poesia-

 

 

‘com lava a lua lava os azulejos’

‘de trás de cada estrela cai um anjo’

e Jeová inveja os meus desejos

bem como as heresias que eu esbanjo. . .

 

 

eu soo bem verdadeiro quando finjo

atinjo o alvo e salvo os dias sujos. . .  

cravejo de safira os percevejos

e louvo a  lentidão dos caramujos!

 

 

 

por bem, por mal, por vicio (ou por malícia)

cresci crucificando  borboletas. . .

e encarcerando lumes em gavetas. . .

 

estou Poeta

(chamem a polícia)!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.