DISPARATE (Amor Danado)

amor9 LEONID AFREMOV 1955  THE IMPRESSIONIST LOVERSDISPARATE

(Amor Danado)

 

Se for pedir demais, Deus . . . me perdoe!

Mas, quero um grande amor desassombrado!

Assaz libidinoso e doido e ousado!

Que me oriente enquanto me atordoe. . .

 

 

Que ame amar demais e amaldiçoe

o ódio, o tédio, o medo , os versos xoxos. . .

Que adore dar prazer . . . e sempre doe

abraços apertados, risos frouxos. . .

 

 

Que nunca fique ausente do meu lado. . .

Delire a ler . . . a ouvir David Bowie

e vá comigo aonde quer que eu voe

(e soe bem . . . até desafinado)!

 

 

Que seja eterno enquanto dure o fado. . .

E enquanto o infinito for infindo

E enquanto houver amor no mundo irado. . .

Agora . . . e nos futuros que estão vindo. . .

 

 

Eu quero um grande amor exagerado. . .

Que gere inquietude e me arrebate

Que enxergue uma virtude em meu pecado

e que amiúde, coma chocolate. . .

 

 

Que me condene a sempre ser amado

(até depois que a vida enfim nos mate)

Quero um amor assim . . . ‘Amor danado’!

Perdão Senhor . . . se for um disparate.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: LEONID AFREMOV

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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VENDO DEUS

 

vendo8

VENDO DEUS

 

Anjo . . . eu só quero alegria

Sem caroço em nosso angu

Sem ais na nossa folia

Só tu e eu, eu e tu!

 

 

Vamos embora, Luzia

de volta pro Aracaju

pra longe dessa agonia

de mala e cuia e baú. . .

 

 

Fazer amor e poesia

sob o Sol e o céu azul!

Sem pressa . . . nem correria

(que apressado come cru)!

 

 

Bora lá, comer umbu!

Ai! Caju e melancia!

Carne seca e caruru. . .

com Pitú! ‘Vixe Maria’!

 

 

Misturar maracatu

com forró, xaxado & cia

até morrer . . . de alegria!

Tu mais eu e eu mais tu!

 

 

Viver de amor e poesia!

Luzia . . . Longe do sul!

Felizes (para sempre). . . Noite e dia!

Juntinhos . . . vendo Deus a olho nu!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DERRADEIRO ‘AU REVOIR’

anjos

 

DERRADEIRO ‘AU REVOIR’

 

No dia em que os anjos caírem em si

(algum tempo antes de Jesus voltar)

haverei de estar com Salvador Dali

a ler Baudelaire nos jardins de Alá. . .

 

 

Não há inferno aqui nem acolá!

E ‘fogo eterno’ é o meu (anote aí)!

No Além sei muito bem que mal não há       

Eu lá só vou colher o que escolhi. . .

 

 

Do amor que dei, dos versos que escrevi

da paz que semeei, farei um chá

e brindarei á tudo que vivi

junto dos meus (e Deus nos louvará)

 

 

De quem ficar não sei o que será. . .

Talvez o mundo acabe em frenesi. . .

Quem sabe continue como está. . .

Ou mude pra melhor (como eu previ)!

 

 

Só sei que nada sei . . . mas, e daí?

Se um dia saberei . . . quem saberá?

Quem sabe eu já sabia e me esqueci. . .

(Acho que eu sempre soube) . . . E quem dirá

 

 

se era verdade tudo o que menti 

ou se era mentira o que fingi jurar

ou se o que eu não jurei e nem fingi

alguém jurou, fingiu no meu lugar?

 

 

Os erros (que jamais admiti)

já corrigi . . . não tenho o que pagar

E os dons que nunca pude revelar

em ‘finas poesias’ diluí. . .

 

Eu vim, vi e venci . . . Daqui pra lá

me vou sem blá blá blá nem mimimi. . .

Só deixarei saudade . . . c’est la vie!

E os meus poemas, quem viver ,lerá!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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