POEMA DITO ENTREDENTES

ratoeira 1

 

POEMA DITO ENTREDENTES

 

paguemos os impostos e os patos

(e a conta dos insensatos)

brava gente brasileira!

 

 

sigamos bem gentis, mansos e gratos

(ou fulos e estupefatos)

lamentando a roubalheira. . .

 

 

os ‘Salvadores da Pátria’

salvam somente mandatos

(de qualquer jeito ou maneira)

 

 

e a democracia é um  ‘fato’:

‘escolha o seu candidato

entre o que FEDE e o que CHEIRA’

 

 

paguemos os impostos e os patos

(e a conta dos insensatos)

desçamos essa ladeira!

 

 

e prossigamos . . .  cordatos

rumo às urnas . . .  como ratos

(entre o gato e a ratoeira).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

paulomirandabarreto.wordpress.com

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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SÁBIO INÁBIL

QUANDO MENOS2SÁBIO INÁBIL

 

Não passo de um sábio inábil

que ,por amor, beija livros

e que, por vício, lê lábios

 

 

o meu rigor é frágil, torto, débil

-trapezista enviesado

ousando equilíbrios ébrios-

 

                                                        

sou onça desengonçada

fingindo desenvolturas       

com as patas fraturadas

 

 

garça de asas esgarçadas

que nunca alcança as alturas. . .

e arrasta-se sobre nadas

 

 

malabarista de letras

desastrado extraio versos

da tinta dessas canetas

 

 

aleijando borboletas. . .

colecionando insucessos. . .  

e pondo sóis . . . em gavetas

 

 

se ainda faço poesia

‘como manda o figurino’

meu bem . . . é por teimosia

 

 

talvez, quem sabe, algum dia

eu me enxergue . . . pequenino

e perca essa má mania.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DA BOCA PRA FORA

DE POETA16

DA BOCA PRA FORA

 

Eu canto e faço de conta

que não sei contar as horas. . .

Passo o dia lendo as noites

com meus óculos de auroras

 

 

Esculpo estátuas em nuvens

reinvento ventanias. . .

e enfeito a treva do mundo

com estrelas luzidias

 

 

Minha boca guarda chuvas

e um segredo revelado

Transmudo o silêncio em versos. . .

Falo retratos (calado)

 

 

A pressa em mim não demora . . .

Eu vivo é de fantasia

e voo (da boca pra fora)

com asas de poesia!

 

PAULO MIRANDA BARRETO       

ARTE: ROBERTO WEIGAND

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TROVA PRA MENINA TRISTE

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TROVA PRA MENINA TRISTE

(primeira versão)                          

 

Os meus versos em seus lábios

caem bem . . . como uma luva

Você os enche de Sol

mas seu olhar . . . guarda chuva.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DESPERTAI!

DESPERTAI2

 

DESPERTAI!

 

Nesse instante em que os errados

tentam passar-se por certos

mantenha os punhos cerrados

e os olhos bem abertos

 

que os réus não foram julgados. . .

(e o Congresso é dos ‘espertos’)

 

 

Despertai, meus bem amados!!!!

(Pois o mundo . . .  é dos despertos)!

 

PAULO MIRANDA BARRETO      

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PLÁGIO DE MIM MESMO

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PLÁGIO DE MIM MESMO

 

Mais tarde choverão meus olhos sujos

dessa angústia cinza que nubla o meu brilho. . .

Vou fingir jaguares . . . forjar caramujos

e gotejar silêncios no ladrilho

 

 

Falar ás paredes, beijar azulejos

contar meus segredos ao ventilador

Solver-me no bolor dos meus desejos. . .

e nascer de novo . . . seja como for

 

 

Minha solidão é a do sertanejo

ou a do astronauta que jamais voltou

Não lembro de ninguém quando me vejo. . .

Hoje sinto falta de saber quem sou

 

 

Mas amanhã, quem sabe, eu me reveja

e seja (ou volte a ser) quem nunca fui. . .

Herói que nunca foge da peleja

ou anjo azul que a lua não dilui.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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POR QUE VOCÊ ESCREVE POESIA?

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POR QUE VOCÊ ESCREVE POESIA?

 

escrevo porque preciso decifrar-me em silhuetas

consolar flores que piso enquanto danço indeciso

exorcizar os demônios que habitam minhas gavetas

e dar nome às borboletas que, desde sempre, escravizo

 

 

escrevo porque não devo . . .  porque não tenho juízo

porque sou doido e atrevo-me a exibir minhas facetas

porque sou feito de aço, de carne, osso e granizo

escrevo porque preciso . . .  estilhaçar ampulhetas

 

 

coreografar piruetas, cata-ventos e birutas

cruzar palavras secretas, inseminar devaneios. . .

ler nas almas dos poetas mil  estratégias astutas

que vençam  vitórias régias e deflorem os floreios. . .

 

 

escrevo porque sou torto, por que não fujo da luta

porque o silêncio é um estrondo de trovão na minha boca

porque do meu ócio imenso brota essa bruta labuta

que faz-me gritar poesia no ouvido da vida mouca!

 

 

escrevo porque preciso dinamitar meus defeitos

fugir das frases de efeito que friso desesperado. . .

e dar voz aos  infinitos pretéritos imperfeitos

que enfeitam esse meu jeito de menino rejeitado

 

 

escrevo porque amenizo com versos minhas verdades

suavizando as saudades do que deixei de viver. . .

escrevo pra ser sem ser . . .  pra suprir necessidades

ou tão só porque escrevendo, fico eterno. . . sem querer.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ESPIA,LUZIA. . .

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ESPIA, LUZIA. . .

 

Espia, Luzia, espia!

O Sol fazendo poesia. . .

inaugurando a manhã

 

 

Vindo e afagando a euforia

que aflora em nós luzidia

feito infindável afã. . .       

 

 

Espia ,Luzia, espia!

A tarde urdindo magia

nas folhas do flamboyant. . .

 

 

Riachos cochichando com as gias

e os sapos coaxando sinfonias

que soam e  ressoam pela chã. . .

 

 

Espia, Luzia, espia

a pressa com que cai a noite fria

do céu . . .  sobre nós dois . . .  entre os  lençóis  

 

 

Silenciando as vozes desse dia. . .

Sorvendo nossa luz qual negra harpia. . .

Parindo breus que assombram girassóis. . .

 

 

Espia, por favor, Luzia espia

o tempo a esmiuçar nossa alegria

e a enegrecer seus olhos . . .  meus faróis. . .       

 

 

nossa paixão morrendo . . .  de agonia. . .

tristonha, enraizada na afasia

que espanta os bem-te-vis e os rouxinóis. . .

 

 

Espia, por favor, Luzia . . . espia

enquanto é tempo . . .  a chama e a melodia

da vida em meu poema, em minha voz. . .

 

 

Que logo a luz se apaga . . .  o corpo esfria

a alma voa, o verso silencia. . .

e só Deus sabe o que será de nós. . .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: MARC CHAGALL

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CAVALO DE CARROSSEL

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CAVALO DE CORROSSEL

 

 meu plano era voar alto

do alto do arranha-céu. . .

mas tenho medo de alturas

 

-nunca saio do papel –

 

 

prendo-me às letras , não salto

vago em círculos . . . ao léu

poetizando tonturas

 

-cavalo de carrossel-

 

zonzo, inocente ou incauto

troto e galopo pinel. . .

entre versos e loucuras

 

menino-alazão . . . corcel.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DE POETA PRA POETA

 

DE POETA8

DE POETA PRA POETA

 

Vive de brisa

une versos

pira bolando parábolas

vibra a delirar palavras

lapidando fábulas          

burilando sílabas            

 

 

Dubla azuis

dribla verdades

nubla céus com pó de giz. . .

e olhando a lua cheia de saudades

entoa uma canção

(quase feliz)                                                           

 

 

Seduz a luz

traduz os colibris

com timbres de silêncios e trovões

Enfeita a dor

com signos sutis

tecendo frases feitas de ilusões

 

 

Decifra corações

(ao pé da letra)

soletra sonhos bons, sinas rimadas

é um santo (nada casto)

que penetra

a carne fraca e lânguida dos nadas

 

 

Com unhas, dentes

línguas afiadas

e lâminas (tão cegas quanto o amor)

se corta, se recorta e tanto sente

que se dissolve em mares

sóis poentes

e lindas alvoradas . . .  Fingidor!

 

 

Esfinge . . . “Finge tão completamente

que chega a fingir que é dor

a dor que deveras” . . . mente!

 

 

Não é “alegre nem triste”

é poeta simplesmente. . .

Figura fascinante o Trovador!

 

 

Esse ser que nasce pra morrer de amor

e depois de morto . . .

vive eternamente.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: ROBERTO WEIGAND

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