SOBRE NÉVOAS E RESQUÍCIOS

 pelucia hikari shimoda2

SOBRE NÉVOAS E RESQUÍCIOS

 

Quem dera resgatar minhas audácias. . .

e a sua ‘elegante astúcia’. . .  

Mas, em nossa rua não há mais acácias

e nem tampouco amor . . . Maria Lúcia  

 

 

Através dos anos cavei precipícios. . .

Indícios apontam que inventei distâncias. . .

que troquei delícias por mil sacrifícios

e preciosidades por desimportâncias

 

 

Lembro com saudade nossas peripécias

nas tardes em que o Sol dourava os ócios. . .

Até nossa malícia era inocência. . .

Mas hoje, nosso mundo é o ‘dos negócios’

 

 

A fúlgida euforia fez-se inércia

Você verteu-se em ‘musa da falácia’

e eu . . . tornei-me um  ‘mercador da Pérsia’

 revendendo alívio a donos de farmácia. . .

 

 

E aqueles paraísos fictícios  

tão nossos . . . em seu todo e nas minúcias

sumiram-se entre névoas de suplícios

e ardis que o tempo urdiu com vis argúcias

 

 

Os nossos ‘dons’ perderam-se entre exícios. . .

Já nem sonhamos mais, Maria Lúcia. . .

Da infância só restaram-nos resquícios

e o olhar sem luz dos bichos de pelúcia.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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