ENTRE AS PERNAS

1260ENTRE AS PERNAS

 

entre quatro paredes

entre céus e cidades

entre nós (sãos e sós)

dentre as grades

 

 

entre cactos verdes

entre meias verdades

entre falsos heróis

e covardes

 

 

tomo porres de sede

lambo luzes e alardes

chovo trevas e pós

sobre as tardes

 

 

entre azuis e granizos

e sorrisos mortais

guardo sóis indecisos

e esse verso voraz

 

 

todo escrito e mal dito

entre linhas cruzadas

entre o teu labirinto

e meus nadas. . .

 

 

entre fulo e aflito

o recito entredentes

oh, poema imperfeito

que interdita os poentes!

 

 

entre o agora e o antes

ressuscito a má sorte

e me acabo infinito

entre as pernas da morte

 

 

finalmente levito. . .

nu de mim entre nuvens. . .

rompe ventres meu grito

(mesmo assim . . . não me ouves)!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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