MENOS MAL

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Entre os cios do ciúme

e os ócios da solidão

ainda pulsa (a pulso)

o coração. . .

 

Não te apago nem te expulso.

Estás presente . . .              

no meu peito, em minha mente. . .

e tanto e tão

irremediavelmente que eu desisto

desse orgulho e não resisto

à tentação

 

 Paixão degenera a gente

dilui, deleta a Razão

 

Ainda sinto em mim o teu perfume

ressinto ainda a estranha sensação

de ser um peixe á mais no teu cardume. . .

sonhando ser ‘teu par ‘. . . vã pretensão

 

 

Sob o bolor da dor e do abandono

fumando em frente a placa de não fume

indago: perco o sonho ou perco o sono?

Rendo-me ao mel ou morro no azedume?

 

 

E antes que a estar morto eu me acostume

alcanço o celular, te telefono

e imploro que tu venhas com teu lume

de Sol . . . para enfeitar meu céu de outono

 

 

Sem ti todo o meu mundo se resume

á um oceano mínimo e sem sal. . .

Melhor ser só mais um no teu cardume

do que nadar sozinho . . . É menos mal

 

 

Te aceito sem pudor e nem queixume

que sem teu beijo a vida é um funeral. . .

E se eu morrer de amor. . . ou de ciúme

morro feliz . . . feliz . . . Ponto final!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MIRAGEM

 

stranger

MIRAGEM

 

por um segundo insignificante

partícula de tempo , pó de instante

um ínfimo momento irrelevante

um átimo . . .  eu  perdi você de vista

 

 

E atônito, ante á turba alvoroçada

tomado de um pavor indescritível

busquei alucinado, e nada! Nada!

Nenhum sinal ou rastro seu, visível

 

 

Senti-me como o ágil velocista

que perde por um mísero milésimo

a glória inebriante da conquista

á custa de um detalhe mero e mínimo

 

 

Em mim, o seu semblante inesquecível

ficou como indelével tatuagem. . .

qual vívida memória irreversível

versificada em linhas de miragem

 

 

qual vívida verdade inverossímil

pra sempre extraviada na paisagem. . .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DE UM PILEQUE POLIGLOTA

bourbon

DE UM PILEQUE POLIGLOTA

 

Ela tem olhos de LED                    

Lindos lábios de neon

E lê Baudelaire no ipad

Ouvindo um rock do bom

 

 

Nem sabe que make me mad

que ‘anaboliza’ o meu dom

de sofrer calado . . . Its sad!

Vou ao bar beber Bourbon. . .

 

 

Quem sabe a veja de novo

uma vez mais, talvez duas

numa das cinco mil ruas

por onde inda vou passar. . .     

 

 

Faço Sol, my God, ou chovo

imaginando ela nua?

Lastimo? Praguejo? Louvo?

Calo-me . . . ou uivo pra lua?

 

 

Is over . . . Perdi a chance. ..

E vai ser assim forever

que timidez e romance

não combinam never . . . Never!

 

 

Shes gone . . . Shes gone . . . Whatever!

Vou ao bar beber bourbon

ouvindo Gardel . . . Alone

como sempre . . . Ever . . . Ever. . .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: James Ensor – The Drunkards (1883)

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SEIS POR MEIA DÚZIA

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SEIS POR MEIA DÚZIA

 

Eram de areia os castelos

de fumaça os elos

de mentira as juras

 

 

e o amor fez-se abismo

cheio de cinismo

e verdades duras

 

 

Meus sorrisos belos

ficam amarelos

e as luas . . . escuras.

 

 

Troco o romantismo

pelo realismo.

(Ambos são loucuras).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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PECADO ORIGINAL

 

 

 

feliz

PECADO ORIGINAL

 

Hoje eu não tardo nem falho

Pego atalho, chego cedo

Não erro nem me atrapalho

Ganho tempo e perco o medo

 

 

Fico rico, rei, palhaço

Passo de bento á possesso

Hoje eu aconteço e faço

do meu fracasso um sucesso

 

 

Hoje eu brilho! Hoje eu mereço

tudo lindo e tudo novo

E ensolarado amanheço

E não trovejo nem chovo

 

 

Hoje não planejo . . . ajo!

E viajo ao paraíso!

E corado me encorajo

a exagerar sem aviso

 

 

Hoje ninguém me segura

Ninguém fura o meu balão

Nem abaixa minha altura

Nem para o meu coração

 

 

Hoje é meu dia de sorte

de fluir sem reticência

de independência sem morte

sem corte e sem penitência

 

 

Hoje eu rejo. Hoje eu reajo

Hoje eu não fujo da raia. . .

E mesmo que haja um naufrágio

nado e não morro na praia!

 

 

Hoje é meu dia! Meu dia!

Sem desprezo e sem pesar!

Tenho amor e poesia

pra fazer, vender e dar!

 

 

Hoje eu chego são e salvo

pra festa, pro carnaval

pro sarau e pra seresta!

Chego por bem . . . e sem mal!

 

 

Silêncio no tribunal

que hoje ninguém me condena!

Meu pecado é original. . .

é divino e vale a pena!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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SIGA A SETA

INDECISÃO

SIGA A SETA

 

a rotina atribulada

veloz atropela apelos

esfola a pele dos sonhos

arranha céus, tornozelos

joelhos, unhas pintadas

calcanhares, cotovelos

roubando o brilho dos olhos

pregando olhares á espelhos

retrovisores atrozes

á luz de sinais vermelhos. . .

nos cruzamentos algozes

no trânsito engarrafado

cheio de atrasos ferozes

e anseios dilacerados

 

 

cala retratos falados

poesias canções e vozes. . .

-a rotina mente metas

e omite metamorfoses-

 

 

dosa dias e overdoses

de pressa, de correria

de pressões e de neuroses

esclerosando a alegria. . .

 

 

não! não relaxe nem goze

use o tempo á seu favor (?)

ganhe o pão, perca o amor!

(doce vida sem glicose)

 

 

rotina é direta e reta

ereta, seta contínua

siga a sina, siga a seta

que lhe deleta e amofina

 

 

assim . . . o dia termina

do jeito que começou

siga a seta, siga a sina. . .

o que passou já passou!

 

 

amanhã, ‘seis da matina’

tem reprise, mesmo show

você não sai da rotina. . .

dessa ciranda assassina

que torna cego o seu voo. . .

 

siga a seta, siga a sina

como quem nunca sonhou. . .

você não sai da rotina

nunca mais sai da rotina

nem lembra por onde entrou. . .

 

e quando o dia termina

e quando a vida termina

vê que o seu tempo acabou. . .

 

 

sem confete ou purpurina

sem paz nem adrenalina. . .

e o que passou . . . já passou.

 

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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ENTRE AS PERNAS

1260ENTRE AS PERNAS

 

entre quatro paredes

entre céus e cidades

entre nós (sãos e sós)

dentre as grades

 

 

entre cactos verdes

entre meias verdades

entre falsos heróis

e covardes

 

 

tomo porres de sede

lambo luzes e alardes

chovo trevas e pós

sobre as tardes

 

 

entre azuis e granizos

e sorrisos mortais

guardo sóis indecisos

e esse verso voraz

 

 

todo escrito e mal dito

entre linhas cruzadas

entre o teu labirinto

e meus nadas. . .

 

 

entre fulo e aflito

o recito entredentes

oh, poema imperfeito

que interdita os poentes!

 

 

entre o agora e o antes

ressuscito a má sorte

e me acabo infinito

entre as pernas da morte

 

 

finalmente levito. . .

nu de mim entre nuvens. . .

rompe ventres meu grito

(mesmo assim . . . não me ouves)!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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AINDA ME QUERES?

633

 

 

 

 

 

AINDA ME QUERES?

 

É porque te amo

que derramo rios

mansos e bravios

dentro dos teus mares

 

 

e se não me amares

ficarão sombrios

tristes e vulgares

meus céus . . .  luzidios

 

 

É porque te amo

que  aclamo teus cios

com mil desvarios

e ávidos ardores

 

 

Se me deres dores

se me desprezares

quê farei das flores

e desses altares?

 

 

É porque te amo

que chamo o teu nome. . .

Tenho sede e fome

das tuas ternuras

 

 

Se ousares agruras

Ai! Se me deixares

cairei de alturas

espetaculares

 

 

É porque te amo

que inflamo o meu lume

e sinto ciúme. . .

e igualo-me ás feras

 

 

Se domo megeras

se armadilhas tramo

se queimo quimeras. . .

é porque te amo

 

 

Se me abandonares

se não mais quiseres

meus rios em teus mares

meu corpo em teu leito

 

 

nunca mais me deito

com outras mulheres. . .

Se tu me deixares

morro  . . .  Ainda me queres?

PAULO MIRANDA BARRETO

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VAI, MARIA!

 

SAMBAVAI ,MARIA!

 

Maria vai longe

Maria vai fundo

Vai sozinha, vai com as outras

Vai com Deus e todo mundo  

     

 

Vai sorrindo, vai sambando

Vai maravilhando o povo. . .

toda linda . . . rebolando

num novo vestido novo

 

 

Vai Maria . . . vai sonhando

que o seu dia há de chegar

Vai rindo e rodopiando

nas voltas que o mundo dá

 

 

Vai de leve . . . vai levando

Vai pra lá de Paquetá

contra a corrente nadando

sem medo de se afogar

 

 

Vai devagar . . . vai rezando

com fé no seu Orixá. . .

Crendo Maria (até quando)?

que tudo vai melhorar

 

 

Vai vivendo e aprendendo

a fazer pouco de mim. . .

Vai fazendo e acontecendo

Vai Maria . . . até o fim

 

 

Vai correndo atrás da paz

da ilusão de ser feliz

vai buscar além do mais

o que quer . . . já que não quis

 

 

 

ficar . . . E eu fiquei pra trás

“largado” como se diz

a ver navios no cais

lendo os versos que lhe fiz

 

 

Você foi . . . longe demais

sem adeus caiu no mundo

e o mundo é um poço sem fundo

nele tudo se desfaz

 

 

A dor e o meu amor já estão passando. . .

Maria. . . você foi longe demais

Um dia . . . se quiser voltar atrás

não volte . . . não estou mais lhe esperando.

 

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

ARTE: “SAMBA”   de DI CAVALCANTI

 

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EM BRANCO

BRANCO PPPPEM BRANCO

 

entra pelo cano

sai pela culatra

de repente, fica “humano”

sem palavra ao pé da letra

 

 

poeta . . . a coisa está preta!

olha essa página em branco!

bardo não pega no tranco?

está travado o Poeta?

 

 

oh, bailarino perneta!

pobre velocista manco !

cadê a sua muleta?

cadê seu sorriso franco?

 

 

cadê a Lira, oh ufano?

ela já não lhe idolatra?

Vate entra pelo cano?

Bardo sai pela culatra?

 

 

tanta pena, tanta tinta

tanto papel e alfabeto

e nenhuma ideia “pinta”

nada ,nada ,nada . . . exceto

 

 

este desespero mudo

este vazio desmedido

este silêncio absurdo

e este seu queixo . . . caído.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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