CONSUMIÇÃO

62CONSUMIÇÃO

 

Quero amar, não sei se devo

não sei se frevo ou bolero

se me travo ou se me atrevo

se me podo ou se  exagero

 

 

se medito ou desespero

se disparo ou só suspiro

se me solto ou me encarcero

se acerto o alvo ou . . . só miro

 

 

Deliro, sem lero-lero?

Parto já pro tudo ou nada?

Goleada ou zero á zero?

Luz acesa ou apagada?

 

 

Quero amar, não sei se devo

não sei se fervo ou me esfrio

se não amo . ..  e só escrevo

ou se lhe chamo . . . e sorrio!

 

PAULO MIRANDA BARRETO  

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INVENÇÕES DO VENTO

 

ventania

INVENÇÕES DO VENTO

 

Seduzo a eternidade do momento

burilando ideias

nos balés que finjo. . .

 

 

Lidando com palavras

no imóvel movimento

só Deus conhece o ápice que atinjo

 

 

Afano umas verdades

das invenções do vento. . .

Metade delas canto

o resto, minto

 

 

Carrego enormidades

na voz do pensamento. . .

E quase tudo escrevo

o resto, sinto

 

 

Conheço o nome escuro

do outro anjo

que vez ou outra vem

valsar comigo. . .

 

 

A sombra não me assusta!

Na treva eu também vejo!

Não temo mal algum. . .

Nenhum perigo

 

 

Não são dóceis ovelhas

que pela noite eu tanjo

mas, desassossegado

ou não, eu sigo

 

 

Gastar-me não me custa!

Gastar-me é meu desejo!

Não temo mal nenhum

e amo o inimigo.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: “A VENTANIA” Anita Malfatti

 

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FIM DA LINHA

500FIM DA LINHA

 

acho que pra ela

só tenho valia

enquanto me anulo

 

 

trancado na cela

fazendo poesia

dos sapos que engulo. . .

 

 

sem choro nem vela

sem ave Maria

sem qualquer abalo

 

 

ela me congela

com sua apatia

e eu tolo, me calo. . .

 

 

sem cura, a sequela

me aleija a euforia. . .

meu sonho estrangulo

 

 

me dói a mazela

da vida vazia

e do amor que simulo

 

 

ai . . . livro-me dela?

fujo pra Bahia?

a pé? a cavalo?

 

 

ou me alio á ela

e finjo que a magia

não foi pelo ralo?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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POLAROID

609POLAROID

 

O seu sorriso amarela

aquela fotografia

Se eu estivesse nela. . .

não amareleceria.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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QUEM SABE?

1673

QUEM SABE?

 

Quem sabe, um dia desses eu me enforque

nalgum hotel do Rio ou de Paris. . .

ou pule de uma ponte em Nova Iorque

e infelicite o tal “final feliz”

 

 

Talvez viva pra sempre . . .  e nem me toque

que eu disse tudo o mais que ninguém  diz. . .

E vá pra luz, tal qual astro do rock

que toca um blues e jaz sem dar o bis

 

 

Sei lá . . .  Quem sabe um dia eu me coloque

além do quase sempre por um triz. . .

deixando para trás o achaque e o choque

de nunca ter bem visto os bem te vis

 

 

 

Quem sabe Deus um dia me convoque

pra ir tramar com Ele alguns ardis. . .

ou Lúcifer me leve de reboque

pra lá dos Paraísos que eu não quis

 

 

Talvez, depois de tudo nada fique

e nem faça sentido isso que  fiz. . .

E eu vague á ver navios indo a pique

num mar silencioso e fundo e gris. . .

 

 

Quem sabe um dia alguém me versifique

dedique um verso á mim . . . tolo infeliz

E o pouco que deixei se multiplique

aos ventos . . .  ou nos voos dos colibris.

 

PAULO MIRANDA BARRETO          

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O GRITO

premium-8O GRITO

 

Nada

nada mais me assusta

A minha exclamação surge entre aspas

despretensiosa

nua de surpresas. . .

(Talvez, por isso, seja perigosa)

 

 

Devo desculpar-me por delicadezas?

Engolir espinhos e cuspir na rosa?

‘O poeta é um monstro á esculpir belezas’?

Mais pose que poesia . . . e muita prosa!

 

 

Esse meu poema escrito em linhas tortas

jamais encherá de oásis os desertos. . .

Você conta estrelas, eu, crianças mortas

Já perdi o jogo . . . O mundo é dos espertos

 

 

Não há sinais no céu então, invento

Não minto como os ‘donos da verdade’

Sou fingidor sincero, cem por cento

Meu todo nunca está pela metade

 

 

Á ler suavidades na aspereza

eu adivinho o Sol durante o eclipse. . .

e os ‘gênios’ que compõem a ‘Realeza’

metidos á bestas do apocalipse

 

 

são meros bonifrates sem astúcia

vomitando pérolas de papel e acrílico

para impressionar uns porcos de pelúcia

ou para encher os olhos de algum crítico

 

 

Nada, nada mais me assusta

o ‘belo’, o ‘forte’, o ‘impávido’, o ‘colosso’. . .

Não tenho preço . . . e sei o quanto custa

se transformar num deus de carne e osso

 

 

Não quero nada mais e tudo posso. . .

Eu não descanso em paz . . . Eu não me canso!

E faço o Satanás rezar Pai-Nosso

mas ah . . . conforme a música eu não danço!

 

Tampouco anseio a altura dos altares

ou o dourado ouro que os adorna. . .

Assim, de pés no chão, voo pelos ares

sentindo o céu em brasa e a brisa morna

 

 

Eu faço da poesia um idioma

e dessas rimas fáceis meu caminho. . .

Ele me leva longe da redoma

do abismo fundo e do redemoinho

 

 

Eu sou um passarinho e estou na mão

de Deus . . .( Estou melhor que dois voando)

Não sou sozinho . . . nem na solidão

que sou um só . . . Mas valho por um bando!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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TODA A VERDADE

764TODA A VERDADE

 

Não sei nem tenho raiva de quem sabe

de tudo o que eu não quero mais saber. . .

 

Só sei que o infinito em mim não cabe

e tudo estava escrito antes de eu ler. . .

 

Sou muito mais que só ser ou não ser

e é a sonhar que eu crio a realidade. . .

 

No dia em que eu souber toda a Verdade

farei o que puder para esquecer. . .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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O ESPERADOR

POETA- FABIÁN PÉREZO ESPERADOR

 

espero que o tempo não passe de mágica

que a vida não passe de um filme sem fim

 

e que o fim não passe de um simples disfarce

que me desenlace para além de mim. . .

 

se o Sol que se põe é o mesmo que nasce

quero que comigo também seja assim

 

espero que, um dia, o silêncio me abrace

me faça poesia e me eternize enfim.

 

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE : FÁBIAN PEREZ

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ESPELHO MEU

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ESPELHO MEU

 

Desci do céu e dei cabo

das asas que Deus me deu

Disse adeus á Deus . . . Diabo!

Oh espelho, espelho meu!

 

 

Como soo quando desabo?

Soo ou não soo? Quem sou eu?

Doo a luz, mas sempre acabo

cego ao Sol . . . dentro do breu.

 

 

Só voo pelo céu da boca

(da boca de quem me leu)

 

E ecoo na cabeça louca

de quem nunca me esqueceu. . .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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SÚPLICA

811SÚPLICA

 

pousa, pousa poesia

mariposa vaporosa

na luz dos meus pensamentos

na solidão luminosa

no Sol da minha agonia

que é cor de rosa dos ventos

vem . . . suavizar desalentos

curar minh”alma chorosa

enquanto agoniza o dia.

 

 

vem, repousar poesia

raposa maliciosa

aos pés dos meus sentimentos

e arranca a dor rancorosa

da minha alma sombria

enquanto agoniza o dia

e a noite cai . . . silenciosa

feito mudez ruidosa

na minha cama vazia.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.