SEBASTIÃO

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SEBASTIÃO

 

Não tenho dinheiro no bolso da calça

nem também no da camisa. . .

Minha vida, seu moço, anda descalça. . .

e só pra não morrer, vivo de brisa

 

 

Não tenho dinheiro guardado no banco

(Nem aqui nem na Suíça)

De meu só tenho meu nome

meu amor . . . e fé castiça

 

Já estou pra morrer de fome

e de sede de justiça. . .

-Pra nós, seu moço, ela tarda

e é falha e cega e omissa-!

 

 

Desde menino eu batalho

nunca soube o que é preguiça. . .

Sou um motor no trabalho

-um motor que nunca enguiça-

 

Tenho a coragem e a cara

mas a covarde cobiça

de quem tem muito me para

sobre a areia movediça

 

 

O meu dinheiro é contado

é tributado, seu moço. . .

Compro o feijão, pago as contas

não sobra nada no bolso

da calça nem da camisa . . .

Do fruto do meu esforço

não sobra polpa, nem casca

nem gostinho e nem caroço

 

 

Ás vezes almoço é janta

ás vezes janta é almoço. . .

Meu suspiro é mais profundo

que o fundo fundo do poço

 

Eles com cordões de ouro

e eu com a corda no pescoço. . .

Não . . . eu não vivo de brisa. . .

Só sobrevivo, seu moço!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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