TRAPAÇAS DA PRESSA

 

trapaça

TRAPAÇAS DA PRESSA

 

Dias passam

não passeiam

tropeçam nos pés das pressas

que ultrapassam

trapaceiam

quebram pernas e promessas

 

 

E , enquanto as almas possessas

na ânsia se desnorteiam

as horas, bailarinas, cambaleiam

desdobrando esquinas

em voos ás avessas

 

 

Nossos sonhos esperneiam

resmungam, pedem clemência

mas, as horas sapateiam

rangendo dentes e urgências

Ah! Exigem providências

inadiáveis, expressas

assolando as paciências

as reticências e as sestas

 

 

E eu,  atravesso travessas

túneis, ruas, cruzamentos

Abraço atrasos e, ás pressas

deprecio meus momentos. . .

Só aprecio as diversas

sincronias dos semáforos

sinfonias adversas

de caos, cansaços e tráfego

 

 

De soslaio, leio um verso

rabiscado nalgum muro. . .

E esvaio-me submerso

nesse trânsito que aturo

a pulso, como quem briga

obrigado á obrigação. . .

-A placa de pare (amiga)

parece uma aberração-

 

 

A cidade nunca para

e a gente dispara (em vão) ?

O coração nem repara

nessa insana pulsação

que nos empurra pra fora

de nós e doura a ilusão

de que a vida perde a hora

pra gente ganhar o pão.

 

PAULO MIRANDA BARRETO (11/2015)

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

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