NOITE EM BRAILE

BRAILE

NOITE EM BRAILE

 

De tanto ser mais eu

fiz brilhar o breu

abalei o baile

 

 

meu olho cego acendeu

e, de per si, percebeu

a Verdade escrita em braile!

 

 

Valsei, venci e fui seu!

Fui demais e fui mais eu!

Azulei meu céu nublado. . .

 

 

E expulsei do peito meu

toda dor que já doeu

só por seu eu . . . a seu lado!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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LUA , LUA

LUALUA

LUA, LUA

 

A lua cheia flutua

brilha no olho da rua

‘lindo abajur dos boêmios’ . . .

 

 

 

A enorme e amarela lua

dada á vigília flutua

vela o sono de abstêmios

 

 

 

Olha o mal dos meliantes

a lascívia dos amantes

incita o uivo dos cães. . .

 

 

 

e , entre estrelas cintilantes

sente as aflições pulsantes

do amor de todas as mães. . .

 

 

 

Brilhai, lua soberana

no seio da noite insana

no colo da noite calma!

 

 

 

Livrai-me da aparência . . . que me engana

Levai-me além do além da sina humana

e iluminai a treva da minh’alma!              

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

ARTE: Moon night /1885 de IVAN AIVAZOVSKY

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DEMANDA

DEMANDA 3

DEMANDA

 

após rumores e risos

silenciam-se as cirandas

e a noite cai do céu sobre os narcisos

enegrecendo o olhar das salamandras. . .

 

 

só eu . . . insone, anseio os paraísos

com ninfas perfumadas de lavanda. . .

e espio a lua imensa e perco o siso

varando a madrugada na varanda

 

 

meu sono? sabe Deus onde ele anda!

(talvez além da treva entre as estrelas)

vagando por Olinda ou pela Holanda. . .

coberto por tulipas amarelas.

 

 

eu sonho é acordado . . . á luz de velas

velando essa aflição que não se abranda. . .

e abrindo mão da calma, que não tê-la

é o que mantém-me amando essa demanda.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

ARTE: “Nymphaeum” / William Adolphe Bouguereau

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DO TIME DOS TÍMIDOS

valsando 3

DO TIME DOS TÍMIDOS

 

Enquanto mansamente a valsa avança

ela intensamente dança

com seu mui garboso par. . .

 

 

Já eu, despedaçando a esperança

confio na desconfiança

e mal saio do lugar. . .

 

 

Seguro a fria mão da insegurança

e, até onde a vista alcança

ninguém pode me avistar. . .

 

 

Ai, ai, quem desespera sempre cansa. . .

A noite é uma criança. . .

E eu vou dormir . . .pra sonhar

 

 

que a minha timidez em paz descansa

que vão soprar os ventos da mudança

e que o meu dia , um dia , há de chegar. . .

 

 

Ai, ai, quem desespera sempre cansa. . .

A noite é uma criança. . .

E eu vou dormir . . .pra sonhar

 

 

que sou um pé-de-valsa, o rei da dança

que a moça nos meus braços já se lança

e os dois rodopiamos á valsar. . .

PAULO MIRANDA BARRETO

Arte: “Mauve”, de Giovanni Boldini.

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OLHAI OS OLHOS DA RUA

 

DE RUA

 

 OLHAI OS OLHOS DA RUA

 

Estão no olho da rua. . .

parece que ninguém vê

Alguns aluados, ao léu, sob a lua

e outros mais sábios que eu e você. . .

 

 

Seriam ‘lesados‘ num mundo de ilesos?

(Eles sabem bem quanto dói . . . a verdade)

Livres, pelas ruas, sobrevivem presos

ao trágico desprezo da cidade

 

 

Famintos e sujos, não fazem protestos. . .

Sonham gentilezas, abraços, sorrisos

Garimpam no lixo, comem nossos restos

e espiam de longe . . .  nossos ’paraísos’

 

 

Dormem nas calçadas e sob  as marquises

enquanto seguimos  a largas passadas

para os nossos ‘lares’  . . .  com ‘almas lavadas’

e alheias  . . .  aos   milhares de infelizes.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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PASSATEMPO!

PASSATEMPO

PASSATEMPO

 

eu preciso ganhar tempo

para ter tempo á perder

sobra-me a falta de tempo

e os perigos á correr

 

 

quero muito ganhar tempo

mas, querer não é poder. . .

ah, tomara que dê tempo

de eu me dar . . . e receber

 

 

ando sem tempo, faz tempo

 parei no tempo sem ver

o quanto corria o tempo

morri . . . pra sobreviver

 

 

não dá pra voltar no tempo. . .

mas, com o tempo hei de esquecer

que vivi perdendo tempo

sem ter tempo de viver.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DOS EQUÍVOCOS DE DEUS

DEUS1

DOS EQUÍVOCOS DE DEUS

 

Será que Deus faz ideia

do que faz o ser humano

em sua insana odisseia

cheia de ‘orgulho profano’?            

 

 

Será que nem desconfia

que algo falhou em Seu plano?

Ou será que já previa

nosso ‘declínio inumano’?

 

 

Só Deus sabe . . . Deus sabia

que faríamos mais guerra

do que amor e poesia

por sobre a face da Terra?

 

 

Será que nos deu a vida

por ser Ele ingênuo e lhano?

Será . . . que até Deus duvida

que cometeu um engano?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: God the Father 1779 -Pompeo Girolamo Batoni

 

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VÁ AMAR!

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VÁ AMAR!

 

Ame sem moderação

á si mesmo, á todo mundo

do fundo do coração

e mais a cada segundo!

 

 

Ame! Ame de paixão!

Chame seu bem de “meu bem”!

Beije, abrace, dê a mão!

Dê tudo o que você tem!

 

 

Que é dando que se recebe!

Quem mais dá é quem mais tem!

Sem amor não dá! Percebe?

Então vá amar também!

 

 

Ame Deus e todo mundo!

Ame sem moderação

e mais a cada segundo

do fundo do coração!!!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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REI DE MIM

rei 1

REI DE MIM

 

Andei polindo as lembranças

de umas insípidas vésperas

que temperei de esperanças

inocentes. . .quase estúpidas.        

 

 

Plantava delicadezas,  

colhia euforias ásperas

e algumas carícias ríspidas,

desaforadas e pérfidas. . .

 

 

Não danço mais essas danças,

deixei de amar as angústias,

fiz das mal aventuranças

o alicerce das astúcias!!!

 

 

Rompi essas alianças

e afiei minhas argúcias.

Cansei-me de endeusar desconfianças. . .

Sou rei de mim, no todo e nas minúcias!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

ARTE: LALAN BESSONI

 

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PARA UM AMOR INFINITO (bem dito, por escrito e com minúcias)

 

 PARA UM AMOR INFINITO

(bem dito, por escrito e com minúcias)

 

amo a curva das tuas sobrancelhas

as maçãs do teu rosto, teus mamilos

teus olhos e cílios e lábios e orelhas

e cada grama explícito em teus quilos

 

 

tudo em tuas partes rosas e vermelhas. . .

teu cabelo, teus pés e teu estilo

amo tua lábia cheia de centelhas

amo o teu coração . . .  e adoro ouvi-lo

 

 

amo o deus para o qual tu te ajoelhas

e amo o meu (sem jamais admiti-lo) . . .

amo Cristo , por isso e por aquilo

e amo o mel que me dás (mais que o de abelhas)

 

 

amo a curva das tuas sobrancelhas

e amo muito, demais os teus mamilos . . .

te amo tanto que em tudo te assemelhas

ao melhor  . . . dos meus sonhos mais tranquilos.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.