POESIA DESESPERADA

DESESPERADA

POESIA DESESPERADA

 

Os homens aprisionados

aos afazeres do dia

tão culpados e ocupados

não desculpam a poesia. . .

 

 

Sombrios e mal-assombrados

sob a treva luzidia

de seus minutos contados

não contam com a poesia. . .

 

 

Hiper hipnotizados

por rotinas de agonia

suspiram asfixiados

sem ar puro ou poesia. . .

 

 

Os homens . . . pobres coitados

escravos da correria

não param . . . e disparados

desesperam . . . a poesia.

 

PAULO MIRANDA BARRETO   09/2015

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DORAVANTE

DORAVANTE

DORAVANTE

 

agora é tarde

é tarde pra ter medo. . .

vou criar coragem

vou fingir que é cedo

 

 

vou cruzar a margem

sem cruzar os dedos

vou contar segredos

sem contar vantagem

 

 

tchau azar azedo!

vou seguir viagem

vou fingir que é cedo

vou criar coragem

 

 

vou driblar o medo

sem pedir passagem

e cruzar a margem

lindo, infindo e ledo!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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SALVO E SÃO!

SALVO

 

 

SALVO E SÃO!

 

Já que ninguém é perfeito

aperfeiçoo o defeito

e enfeito a imperfeição!

 

 

Se nos versos ‘rolo e deito’

já me dou por satisfeito

Não sinto insatisfação!

 

 

Poeta a torto e a direito

enfeitiço e faço efeito

transpirando  inspiração!

 

 

E se rimo de mau jeito

vez ou outra . . . já tá feito!

Eu peço e aceito o perdão

 

 

Liberto de preconceito

sinto muito e deixo o peito

aberto a boa emoção

 

 

‘Paz, amor, luz e respeito’!

Isso, aprovo e aproveito!

Sigo bem, a salvo e são!

 

PAULO MIRANDA BARRETO 

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VERÕES

681

VERÕES

 

Há coisas que não se dizem

com palavras e canções. . .

E há silêncios que fazem

mais barulho que trovões

 

 

Ás vezes . . . os seus olhares

desfazem escuridões

jorrando raios solares

em todas as direções!

 

 

Talvez meus sonhos precisem

deixar de ser ilusões. . .

Queira Deus, se realizem

as segundas intenções!

 

 

Tomara elas extravasem

meus limites . . . seus senões

E as nossas almas se casem

E os nossos corpos se abrasem

eternizando os verões!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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PERIPÉCIAS QUASE HERÓICAS DO ANTI-HERÓI

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PERIPÉCIAS QUASE HERÓICAS DO ANTI-HERÓI

 

Sem pretender ser ilustre

discretamente me alastro

Me afasto do ‘arbítrio abutre’

e dos ‘melindres de astro’

 

 

Oh, não peçam que eu me ajuste

a trilhas, trilhos e lastros!

Só me ajusto ao desajuste

majestades do abstrato’!

 

 

Pairando acima do embuste

não louvo os falsos poetas!

Mesmo que caro me custe

sigo torto . . . em linhas retas!

 

 

Não quero  status de esteta

nem ser chamado de ‘cult’. . .

Ah! Pra guerra de exegeta

não há ‘Rei’ que me recrute!          

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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POEMA (para o amor que ainda não tive)

445 

POEMA

(para o amor que ainda não tive)

 

é sua lucidez que me alucina

que insana emana o dom de elucidar

que plena, drena a minha adrenalina

e ensina minha alma a se acalmar. . .

 

 

me inclina a ler, reler e delirar

morrer de amor por Cora Coralina

corar com Frida Kahlo e me calar

ouvindo a linda voz de Elis Regina. . .

 

 

me leva além da lenda, a desvendar

a imaginar o que não se imagina

e a ver meu vago lume iluminar

a treva entre as estrelas bailarinas. . .

 

 

e é sua nitidez que descortina

em minha mina o ouro á cintilar. . .

que bom é fascinar quem me fascina!

que bom ser bem amado e bem amar!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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MISE-EN-SCÉNE

MEIO AMARGO

MISE-EN-SCÉNE

 

inventei tantas verdades

nas quais nunca acreditei. . .

 

visitei tantas cidades

cujo chão nunca pisei. . .

 

e senti tantas saudades

de ser quem jamais serei

 

que hoje sou, na realidade

tudo o que sempre sonhei. . .

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DAS LUZES ALÉM

das luzes

DAS LUZES ALÉM

 

Não quero acreditar que a vida é trágica

tristonha, enigmática armadilha

Pra mim, ela é bem mais do que fantástica

orgástica . . . divina maravilha!

A vida é sorte, luz, amor e graça

De nós ela jamais se desvencilha

que após a vida . . . a vida nos abraça

(Depois que o Sol se põe, ele ainda brilha)

 

Não queira acreditar que a vida é trágica

tristonha, enigmática armadilha. . .

 

A morte não passa

de um passe

de mágica

 

a transformar

em mar

o que era ilha!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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PERDIÇÃO

perdição

PERDIÇÃO

 

Perdi o fio da meada

perdi a voz e o trem

o rebolado , a passada

e a semana que vem

 

 

Perdi a hora marcada

a da virada e a boa

Perdi a barca furada

e os paus e a canoa

 

 

Perdi a paz e a vitória

Perdi o jogo e o chão

Perdi até a memória

o apetite , a razão

 

 

Perdi o final da história

Perdi o samba e a canção

Perdi os louros da glória

Perdi a vez e a visão

 

 

Perdi a arca perdida

Perdi a fé e o perdão

Perdi-me ganhando a vida

com pressa  . . . e sem coração

 

 

Perdi tudo, perdi feio

Cheio de mim . . . e tão vão!

Perdi o embalo e o freio. . .

Desperdicei perdição!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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UNE VERSOS PARALELOS

 

 josé1

 

 

 

 UNE VERSOS PARALELOS

 

Poesia, amor . . .  não é só poesia

é alma derramada sobre letras

é calma travestida de euforia

partindo corações de borboletas. . .

 

 

Sou eu . . . tomando chuva de cometas

e andando sobre  brasas, lentamente

enquanto Deus colore  violetas

e Lúcifer encanta uma serpente. . .

 

 

Magia . . .  que une versos paralelos!

Silêncios . . .  transformados em canções

na voz de brancos, negros e amarelos

Amor . . .  falando a língua das paixões!

 

 

Poesia . . .  é muito mais que poesia

é o pão de cada dia dos poetas

é sonho  ‘feito á mão’ . . . com maestria

e é Sol . . . sobre palácios e sarjetas.

 

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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