ENIGMAS RUPESTRES IMPRÓPRIOS PARA LEIGOS

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ENÍGMAS RUPESTRES IMPRÓPRIOS PARA LEIGOS

I

Os gerânios de hoje estavam tristes

Três estrelas caíram dos meus olhos

Eu senti fome e sede de justiça. . .

Por bem pouco, não culpo as violetas

 

II

Tem um vento de outono em meu ouvido

De franqueza padecem minhas forças

A saudade murchou os meus jacintos

Choverão solidões no fim da tarde

 

III

Lapidei diamantes com a língua

E depois os joguei na escuridão

Para mim, girassóis é que são dádivas

O que mais ninguém quer eu acho bom

 

IV

Tenho cinco formigas, dois besouros

Quatro mariposas e um cavalo branco

Estou quase feliz completamente

Só me falta arranjar um pirilampo

 

V

Nunca tive um amor de carne e osso

Mas converso com larva e beija-flor

Minha dor perde a cor só quando posso

Bolinar a poesia sem as mãos

 

VI

Decretaram o fim dos solitários

Eu larguei meu crepúsculo no chão

Vi a lua esconder-se atrás da nuvem. . .

(é sinal que alguém quer meu coração)?

 

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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