REPRISE

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REPRISE

 

Podia ser meu rosto ou ser meu rastro

Destroços de um abraço vespertino

Podia ser um hino ou ser um astro

o lastro gasto e cru do meu destino

 

 

Podia ser azul ou cor de aço

o riso do palhaço ou do assassino

Podia ser um sino ou ser um traço

o estardalhaço nu do desatino

 

 

Podia ser a rua onde não passo

Mormaço de verão, frio repentino

girino, contrição, folhas que amasso

pedaço de canção, cão peregrino

 

 

Podia ser o som de um violino

menino, flor-de-lis, carvão, cadarço

esparso coração, tango argentino

ou fino castiçal que despedaço. . .

 

 

Podia ser as coisas que não faço

Lição que não aprendo nem ensino

Suspiro de renúncia ou de cansaço

Um verso que componho e não assino

 

 

Podia ser um riso de embaraço. . .

Paisagens que em silêncio eu imagino

Mas eras tu . . . reprise . . . sonho lasso

Amor que não começo nem termino.

 

PAULO MIRANDA BARRETO   (2002)

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

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