O CEGO CLARIVIDENTE

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O CEGO CLARIVIDENTE

 

A flor,

a estrela-cadente

e o que o sentido não sente,

mudaram todo o meu dia. . .

 

 

O retilíneo horizonte

fundiu-se às curvas do monte

e a noite desceu sombria.

 

 

O amor,

o desejo ardente,

como o que vem de repente,

vieram com nostalgia.

 

 

Mas, qual o quê? Eu amante

da solidão lancinante,

que uso deles faria?

 

 

Da dor,

da mágoa crescente

e da tristeza inclemente

fiz-me escura moradia.

 

 

Meus olhos de diamante

e meu sorriso incessante

se foram na ventania. . .

 

 

O amor. . .

desejo vibrante,

como o que é sempre distante,

de mim é luz fugidia.

 

 

Pois meu coração descrente

foi cego clarividente

que, vendo o Amor, não o via.

 

PAULO MIRANDA BARRETO   (2001)

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

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