EVOÉ!

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EVOÉ!

 

Pra fazer poesia é só lamber a lâmina

e beber a lágrima

e louvar a língua. . .

 

Questionar o dogma

disfarçar o estigma

e desanuviar o ar do enigma

 

(além de esmiuçar a paz de espírito  

na guerra de rimar o que não rima)

 

 

O ’fingidor’ decifra a esfinge e finge

que atinge um céu longínquo

um ‘super ápice’

 

 

Poeta se biparte

é arte e artífice. . .

 

Decifra-se e devora-se

a ocultar-se

 

Oculta-se e disfarça-se

a exibir-se. . .

 

Vestido de nudez

teima em despir-se. . .

 

É um êxtase secreto

a revelar-se!

 

PAULO MIRANDA BARRETO 23/06/2015

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“HOMENS DE DEUS”

927 “HOMENS DE DEUS”

     (*MALAFAIAS)

 

Deus tem pena das almas

tem pena dos homens

tem pena das almas penadas dos homens

tem pena das penas dos homens sem alma

tem pena dos homens que não sentem pena

das almas dos homens

 

Deus pena de pena. . .

(dá pena de Deus)

 

Deus morre de pena

das almas . . . 

pequenas

desses ’filhos seus’

 

Deus pena de pena

das almas ingênuas

e dos ‘fariseus’. . .

 

 

Deus morre

de pena

das almas

pequenas

dos “homens de Deus”

 

PAULO MIRANDA BARRETO 22/06/2015

*Malafaia,Substantivo

  1. (‘) planta da família das ocnáceas cujo nome científico é Cespedezia spathulata
  2. (‘) aguardente de baixo teor alcoólico
  3. (‘) indivíduo de mau
  4. (‘) mequetrefe e cara de pau

 Sinônimos De 3 (indivíduo de mau caráter, biltre, patife).

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“DESPERADO”

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DESPERADO

 

na minha boca

de beijo

há de desejo

um bocado

 

 

já cansado

de bocejo

quero um beijo

demorado

 

 

balbucio

de um festejo

beijo bêbado

e molhado

 

 

já cansado de bocejo

quero beijar

acordado

 

 

já que sonhando

me vejo

por você

sendo beijado

 

 

quero um beijo

ou vou pro brejo

beijar sapas

“desperado.”

 

PAULO MIRANDA BARRETO 20/06/2015

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IF I LOVE BILLIE HOLLIDAY

billie 1

IF I LOVE BILLIE HOLLIDAY                  

 

a vida é dura. . . eu sei

e ouvir Billie Holliday

não vai torná-la melhor…

 

 

só que eu já me acostumei

a ouvi-la e, anyway,

sem ela tudo é pior:

 

 

todos os erros que errei,

todo o pranto que chorei,

toda ilusão que persigo.

 

 

a cada passo que dei

e em todos os que darei,

eu a levarei comigo.

 

 

you laugh at me and you say      

que feliz nunca serei

mas eu não lhe dou ouvidos. . .

 

 

ouço Billie Holliday

e ao som de Gloomy Sunday

eu me perco entre os perdidos.

 

PAULO MIRANDA BARRETO 07/05/2015

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billie

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MANDALAS

MANDALA

 

 

 MANDALAS

 

encho malas de muletas

amuletos e cabalas

encho saletas de portas

bandeiras e mestres–salas 

 

 

interpreto tarjas pretas

salamandras e mandalas 

blindo borboletas mortas

com pérolas e opalas

 

 

benzo cinzas e senzalas

simulo russas roletas

forjo rajadas de balas

de hortelã . . . com escopetas

 

 

piro, inspiro piruetas

cambalhotas, versos, falas. . .

quebro a cara dos ‘caretas’

(para depois remenda-las)

 

 

surjo sujo das sarjetas

de Nova Déli ou de Dallas. . .

falando de outros planetas

noutras línguas (sem travá-las)

 

 

pinto o sete,  violetas

pandas, camelos, coalas

e acordo de repente . . .  entre paletas

telas em branco e tintas. . .  Devo usá-las?

 

PAULO MIRANDA BARRETO 21/06/2015

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MEIA-NOITE E MEIA

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MEIA-NOITE E MEIA

 

Feito á meia luz,

meia-noite e meia,

o amor nos seduz,

acende e incendeia.

Meia lua cheia

de achados sutis,

de fachos azuis,

de anseio feliz.

 

 

Feito á meia luz,

meia noite e meia,

nosso amor em nus

baila e cambaleia.

Meia lua cheia

tremeluz em nós. . .

 e trêmula a voz

sussurra o que anseia.

 

 

Feito á meia luz,

meia noite e meia,

nosso amor em nós

ata-nos á teia,

tecida de veias

texturas e sóis,

calores, faróis,

luzes de candeia. . .

 

 

Feito á meia luz,

meia noite e meia,

nosso amor faz jus

ao fogo que ateia. . .

Nosso amor passeia

seis horas ou mais. . .

e o dia clareia.

Dormimos em paz.

 

 

Meia lua cheia

diz tchau, se desfaz. . .

Nosso sono ondeia

em sonhos matinais. . .

Sou seu mar, sereia. . .

Serei sempre audaz!

Noite inteira amei-a. . .

(e amanhã tem mais!)

 

PAULO MIRANDA BARRETO 13/04/2015

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ITINERÁRIOS DE LAVA

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ITINERÁRIOS DE LAVA

 

tocar seus cabelos

deixando arrepios

pelo seu pescoço. . .

 

 

descer por seu dorso

lendo balbucios

dedilhando pelos. . .

 

 

enchê-la de dedos

escorregadios

atrevidos, ávidos. . .

 

 

lamber seus segredos

de espinhos macios

e caminhos cálidos

 

 

uivar desvarios

num delírio insano

sem qualquer receio. . .

 

 

e em seu oceano

derramar meus rios

de lava . . .  sem freio

 

 

derreter-me arteiro

no fogo devasso

da sua malícia. . .

 

 

e dormir fagueiro

dentro em seu abraço

quente e lasso, Alícia.

 

PAULO MIRANDA BARRETO  15/06/2015

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BOLHAS

bolhas de sabão

BOLHAS

 

Bolhas de sabão que bailam nos braços da branda brisa,

 

emprestai vossa leveza á minha alma indecisa

entre entregar-se á tristeza que desde sempre a escraviza

ou revelar-se á beleza que as dores más suaviza. . .

Oh, curai essa ferida que em mim jamais cicatriza.

 

Bolhas de sabão que bailam nos braços da branda brisa!

 

PAULO MIRANDA BARRETO 11/06/2015

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ARTE: Bubbles (1886)  de  Sir John Everet Millais

BOLHAS 1

DELÍRIO DE LIBERADO

Sun filled water with fast ink

DELÍRIO DE LIBERADO

(para Manoel de Barros)

 

pra lá de onde o vento sai da curva

eu vi, um dia, a chuva tomar Sol

e vi Jesus salvar uma saúva

e encaracolar um caracol

 

 

vi Lúcifer cair

como uma luva

das mãos de Deus

aos pés de um rouxinol

 

 

e fiz a Solidão ficar viúva

do amor que enluarava

um girassol

 

 

Depois, a minha vista ficou turva. . .

e nunca, nunca mais

vi nada igual.                                 

 

PAULO MIRANDA BARRETO 06/06/2015

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O SACI

saci

O SACI

 

Noite alta na campina

Ouço grilos, ouço galos. . .

Cai do céu fina neblina

Segue a noite sem abalos

 

As estrelas pequeninas

luzem o azul de seus halos

e o Saci (nem imaginas)

trança as crinas dos cavalos. . .

 

Paulo Miranda Barreto ( Noite sem estrelas/2008)

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