DEVORANDO UMA VORAGEM

poesia 2 

DEVORANDO UMA VORAGEM

 

vago

repleto de espaços

e sob o Sol

sinto frio

 

sucinto, o céu me cobre

de arrepios

 

 

piso o teto

conto os passos

e minto sem dar

um pio

 

 

pressinto um labirinto. . .

e rodopio

 

 

á milímetros do abismo

vazo invisível

(sou rio?)

 

e afundo

no fundo falso

de um impossível

vazio

 

 

(simultaneamente valso

colado num calafrio)    

 

                                                                                  

mãos trêmulas, pés descalços

simulo fausto e fastio. . .

 

 

devorando uma voragem

ao final da má viagem

furo os olhos

e sorrio!

 

PAULO MIRANDA BARRETO ( Inimigo Imaginário/ maio 2015)

ARTE: MAX ERNST- Sign for a School of Monsters.

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O Q É O Q É ?

devorando

O         Q          É?

O         Q         É?

 

o que é poesia?

o que não é?

 

o que é o que é

poesia?

 

o que há poesia?

o que ah?

 

oh ,até

o que não

e o que sim?

 

 

o que é?

é o quê?

como assim?

 

o que foi?

que não é?

que será?

 

o que ser

ou não ser?

(ou quiçá)?

 

é começo

de um meio

sem fim?

 

ora lê!

ora vê!

ora vá!

 

poesia

é o que eu

é o que mim!

 

poesia

não é

o que é

 

é além

sem também

ser, enfim.

 

PAULO MIRANDA BARRETO (Inimigo Imaginário/maio 2015)

ARTE: MAX ERNST

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OBSCENA EM RISTE

Hilda

OBSCENA EM RISTE

para Hilda Hilst

 

teu olhar é triste

mas você deseja

tanto que persiste

até que assim seja

 

 

aspereza mágica,

trágica beleza

tão lúcida e lógica

que acende a escureza

 

 

não tenho certeza

seja biológica

a sua inteireza. . .

será matemágica?

 

 

obscena em riste

plena de pureza. . .

dá-me, Hilda Hilst

sua rosa acesa!

 

Paulo Miranda Barreto (Maio-2015)

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

Hilda Hilst, ilustração Manuel Depetris

 

 

A DUAS QUADRAS DO CÉU

ceu

A DUAS QUADRAS DO CÉU

 

A minha liberdade é passageira

e é minha companheira de viagem. . .

Coragem . . . tenho para a vida inteira

e muito amor (excesso de bagagem)!

 

 

Quando eu me for, meu bem, não levo nada. . .

Mas, tenha certeza, levarei vantagem

 

Deixarei saudade e poesia ousada

eternamente acesas na paisagem!!!

 

Paulo Miranda Barreto (maio-2015)

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

VOILÀ

238

VOILÀ!

 

Aprecio

a sobremesa. . .

 

Você nua

sobre a mesa

 

Cor de cereja nos lábios

e a rosa

de fogo

acesa!

 

Paulo Miranda Barreto  (maio-2015)

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

ALIÁS Nº2 (Antes do depois)

aliás

ALIÁS Nº 2

(Antes do depois)

 

Queria curtir o dia

mas ele é curto demais.

Se pudesse, o esticaria

e faria nada mais

do que bem mais poesia. . .

No entanto, tanto faz.

Quê diferença eu faria?

(Eu nunca fiz, aliás).

 

PAULO MIRANDA BARRETO (Inimigo Imaginário-05/2015)

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

SOB O SIGNO DO ENIGMA

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SOB O SIGNO DO ENIGMA

                                                  para Cairo Trindade.

 

Poetas imperdoáveis,

donos do mapa e da mina,

derramam rimas inimagináveis

por sobre o infinito que termina

no útero dos fins intermináveis. . .

Irmãos das ilusões que o mundo ensina.

Insinuam-se em sinas improváveis. . .

(e eu sei que a insanidade os imagina).

 

 

Combinam frases inconciliáveis.

O dom da criação os insemina.

Traduzem dimensões indecifráveis.

(Até a negra treva os ilumina).

É a luz da lucidez que os alucina. . .

Tudo absorvem. São impenetráveis.

Benignos, malignos, maleáveis.

Nascidos sob o signo do enigma!

 

PAULO MIRANDA BARRETO (Inimigo Imaginário-05/2015)

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

NOSSA TERRA DE NINGUÉM

terra

NOSSA TERRA DE NINGUÉM

(Pátria amada, patriazinha)

 

Nossa terra. Terra nossa.

Nossa terra de ninguém.

Vem quem quer.

Fica quem possa.

(E quem não possa, também).

Sai quem pode e se sacode,

quem se incomode, quem tem.

Quem fica, fica “de bode”.

(Pode nada e pode nem).          

  

 

 

“Minha terra tem palmeiras”,

Corinthians e Botafogo!

Minha terra é minha terra.

Guerra é guerra.

Jogo é jogo.

Aqui, vitória é empate,

derrota é bom resultado.

Aqui, cachorro não late

nem morde

e certo é errado.

 

A culpa é dos inocentes. . .

O culpado é inocentado.

Nadamos contra as correntes.

Corremos acorrentados.

Taxados, sobretaxados,

atarraxados no chão. . .

Encolhidos, encalhados.

Sem mão que nos lave a mão.          

 

 

Minha terra não é minha,

não é nossa nem Nação. . .

“Pátria amada, patriazinha”.

Mente malsã, corpo são.

Minha pátria educadora

que deplora a Educação. . .

Terra santa e pecadora.

Serve á Deus e louva o Cão.

 

Estamos no mesmo barco.

(Não na mesma direção).

Estamos no mesmo charco,

indo ao fundo da aflição.

Oh guerreiros, oh guerreiras!

Onde estão os Salvadores?

Companheiros, companheiras.

Derrotados vencedores. . .

Brasileiros, brasileiras.

Tantas raças, tantas cores!

Gente boa e verdadeira!

“Gado” dos exploradores.           

 

 

Há mais fuzis do que flores. . .

São de cruzes os jardins. . .

Coroas de flores. . .Dores. . .

“Meios justificam fins?”

 

Nossa terra não é nossa.

Nossa terra é de ninguém.

 

Um dia a gente se apossa

da nossa terra. . .Por bem?

 

PAULO MIRANDA BARRETO (Inimigo Imaginário -11/05/2015)    

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

 

 

FINGIDOR?

fingidor (2)

FINGIDOR?

 

“Borboletas são flores que voejam”.

Penso nisso esperando o elevador. . .

Ao redor, realistas que bocejam

sonham ter algum sonho promissor.

 

Oh, Senhor! Eu sou sempre tão sincero!

Será mesmo o poeta um fingidor?

 

PAULO MIRANDA BARRETO

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

EXPEDIENTE

expediente

EXPEDIENTE

 

Costumo escrever uns haicais de segunda

de Segunda à Quarta.

Escrevo em quadras às Quintas.

Faço sextilhas às Sextas.

Sábado, enquanto descanso,

faço versos soltos, brancos.

Domingo, escrevo sonetos.

 

 

Já nos feriados, faço tudo junto

pois que, quase sempre, são dias festivos. . .

Com o mesmo amor que escrevo para os vivos

eu faço poesia pra defunto.

(Exceto se for Dia de Finados).

 

-Poeta é um bicho democrático

e nunca muito afeito a exclusivismos-.

 O meu expediente é sempre prático. . .

(Na prática, a teoria é um eufemismo).

PAULO MIRANDA BARRETO (Inimigo Imaginário- 04/04/2015) Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.