PECADO ORIGINAL

pecado 7PECADO ORIGINAL

 

Hoje eu não tardo nem falho

Pego atalho, chego cedo

Não erro nem me atrapalho

Ganho tempo e perco o medo

 

 

Viro rei, rico, palhaço

Passo de bento a possesso

Hoje . . .   eu aconteço e faço

do meu fracasso um sucesso

 

 

Hoje eu brilho! Hoje eu mereço

tudo lindo e tudo novo

E ensolarado amanheço!

E não trovejo nem chovo!

 

 

Hoje não planejo . . .  ajo!

E viajo ao paraíso!

E corado me encorajo

a exagerar sem aviso

 

 

Hoje ninguém me segura

Ninguém fura o meu balão

Nem rebaixa minha altura

Nem para o meu coração. . .

 

 

Hoje é meu dia de sorte

De fluir, sem reticência

De independência sem morte

sem corte e sem penitência

 

 

Hoje eu rejo! Hoje eu reajo!

Hoje eu não fujo da raia. . .

E mesmo que haja um naufrágio

nado e não morro na praia!

 

 

Hoje é meu dia! Meu Dia!

Sem desprezo e sem pesar!

Tenho amor e poesia

pra fazer, vender e dar!

 

 

Hoje eu chego são à festa

ao baile de carnaval

ao sarau e à seresta!

Chego por bem . . .  e sem mal!

 

 

Silêncio no tribunal!

Que hoje ninguém me condena!

Meu pecado é original

é divino . . .   e vale a pena!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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VOCÊ QUE PENSA. . .

VOCE QUE2

VOCÊ QUE PENSA. . .

 

eu, poeta pelo avesso . . .

eu, cidadão incomum. . .

tenho valor, mas, não preço

sou mais eu  . . . não sou mais um

 

 

e, embora ‘mande bem’ . . .   desobedeço

a quem me tem desdém por não comprar-me

sou muito mais tenaz  . . .  do que pareço

e oculto-me . . .  fingindo revelar-me

 

 

ai de você, que crê nesse meu ‘charme’

de moço manso e introspectivo . . .

ai de você, que pensa em sabotar-me

e em bagunçar o mundo no qual vivo. . .

 

 

se um dia resolver vir confrontar-me

verá . . .  que sou bem pouco inofensivo

aí eu quero ver . . . vou esbaldar-me

ao vê-lo pasmo . . .  e nada, nada altivo.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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CORPO CELESTE

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 CORPO CELESTE

 

Quero o teu corpo, Celeste . . .

ver-te de vestes

despida

 

Mostrar-te o quanto perdeste

ao longo

de tua vida. . .

 

 

Dentro em ti, há uma ferida

aberta

e, se consentires

 

 

Posso curá-la . . .  querida

assim

que me permitires. . .

 

 

Hoje estás desiludida

e de sonhar

desististe. . .

 

 

Tu  crés

que o amor não existe

que a esperança está perdida

 

 

Mas,  em teu corpo, Celeste

resta uma brasa

escondida. . .

 

 

Basta que seja nutrida

e o fogo

de que esqueceste

 

 

Inflamará o Evereste. . .

derreterá as geleiras. . .

arderá qual mil fogueiras

com um fulgor inconteste. . .

 

 

Dá-me teu corpo. Celeste!

e irei, por noites inteiras

cobrir-te . . .   de carícias prazenteiras

e dar-te todo o amor que não tivestes.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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POEMA DITO ENTREDENTES

 ratoeira 1

POEMA DITO ENTREDENTES

 

paguemos os impostos e os patos

(e a conta dos insensatos)

brava gente brasileira. . .

 

 

sigamos bem gentis, mansos e gratos

(ou fulos e estupefatos)

lamentando a roubalheira. . .

 

 

que os ‘Salvadores da Pátria’

salvam somente mandatos

(de qualquer jeito ou maneira)

 

 

e a democracia é um  ‘fato’. . .

‘escolha o seu candidato

entre o que FEDE e o que CHEIRA’

 

 

paguemos os impostos e os patos

(e a conta dos insensatos)

desçamos essa ladeira. . .

 

 

e prossigamos . . .  cordatos

rumo às urnas . . .  como ratos

(entre o gato e a ratoeira).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

paulomirandabarreto.wordpress.com

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MISTURA FINA

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MISTURA FINA

 

Ela, vestida

é uma valsa. . .

e despida

é um rock’n’roll!

 

de salto alto ou descalça

ao sétimo céu me alça. . .

e, eu com ela, voo que voo!                

 

 

Misturando blues

com salsa

jazz com funky

ska com soul

 

devassa e cheia de Graça

ela me ama e me amassa!

ai!  ela é massa! ela é show!  

 

 

E a nossa bossa dá samba

sirimbó, xote e xaxado. . .

Eu sou danado! Ela é ‘bamba’!

Que ginga! Que rebolado!

 

 

A gente dança e não cansa!

Começa e não mais termina

Baila, bambeia e balança

porém, não cai . . . na rotina!

 

 

Nosso amor . . .  não desafina

Cantamos no mesmo tom!

Nossa sina dançarina

sabe bem o que é bem-bom!

 

 

E o mais . . . nem Deus imagina!

É forró com tarantela!

Piano com vuvuzela!

Frevo com música andina!

 

 

Concerto de concertina

á luz da lua amarela. . .

 

Ela é mais eu! Sou mais ela!

Dois em um. . .  Mistura fina!

 

 

Benjor com Elis Regina

cantando o amor à capela. . .

 

‘’Ela é minha menina. . .

e eu sou o menino dela.’’

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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LEGADO

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 LEGADO

 

‘eu tenho o direito de ficar calado’

sim . . . tenho o direito mas, não o dever!

‘quem cala consente’ . . .  já diz o ditado

mas, eu  ‘desbocado’ . . .  prefiro dizer

 

o que tenho dito . . .  e bem mais, ‘meu chegado’. . .

escrevo adoidado pra quem quiser ler

e, modéstia à parte. . .   ando ‘bem falado’

se está conformado  . . .  cale-se você!

 

 

pois, falo o que quero e mando meu recado!

sou Vate, sou Bardo, Poeta  ‘sem freio’!

não devo e não temo . . . sou doido e danado

e afirmo que ‘Ousado’ é meu nome do meio!

 

 

não tenho o defeito . . . de ficar calado

diante de quem queira colocar-me arreio,

diante de quem zombe do meu povo honrado,

diante dos malfeitos dos bois que nomeio,

 

 

diante dos que sonham ver-me acabrunhado

ou acovardado . . .  por um ‘cala a boca’ . . .

vou desassombrado bradando meu brado

pois, nunca vou temer . . .  ‘desgraça pouca’

 

 

tampouco ser ‘julgado e condenado’

por nenhum ‘tapado’ de cabeça oca

que sente-se bem por ser alienado

e taxa quem não é . . .  de ‘porra-louca’

 

 

eu sou o que sou, sem pudor nem receio

o tipo de homem que ‘corta um dobrado’

mas, que não se abate pois, sabe à que veio

‘deflora o floreio’ e ‘conhece o riscado’. . .

 

 

estou de passagem . . .   mas não a passeio

e sigo viagem . . .   levando o meu fardo

que é muito pesado mas ,  nem cambaleio. . .

mantenho a coragem . . .  deixo o meu legado!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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JEITOSO DESAJEITADO

jeitoso1

JEITOSO DESAJEITADO

 

sim, oh, sim eu  levo jeito     

para ser . . .  desajeitado

perfeccionista imperfeito

ou justo . . .  desajustado

 

 

o amor, que ‘matei no peito’

fez de mim um despeitado

que erra a torto e a direito

(sujeito . . .  sem predicado)

 

 

peco (com todo o respeito)

e nunca pago o pecado. . .

vejam só! peco fiado!

(e poso de insatisfeito). . .

 

 

crio e recrio malcriado

versos e frases de efeito

feito um ‘astro desastrado’

(homem raro e rarefeito). . .

 

 

e me enrolo e rolo e deito

a cada poema ousado

(ou contido) e me deleito

feito um louco delicado

 

 

escandalosamente recatado

resignadamente contrafeito

sinônimo de ‘anônimo’ e de ‘eleito’

um ‘gênio’ , meio assim, degenerado

 

 

sou largo . . . e faço-me estreito

qual anjo . . .  desarranjado

pois,  não ‘virei’ poeta. . . nasci feito

(sou cuidadosamente descuidado)

 

 

sei bem que sou bendito e mal falado

mas, não tenho vaidade ou preconceito. . .

mesmo desajeitado . . .  levo jeito. . .

(consigo ser malquisto e bem amado)!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM: RENÉ MAGRITTE

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PLÁCIDO

subversivo

PLÁCIDO

 

versador  

sub-

versivo

 

adoço 

o silêncio

ácido. . .

 

e o meu ócio  

cria

ativo

 

versos mil . . .

-meu caos

é plácido-.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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VEM QUE VEM! (de mala e cuia)

 ivete2VEM QUE VEM! (de mala e cuia)

 

vem, meu bem!

vem de metrô

de navio ou de trem-bala

 

traz cachecol

e  maiô. . .

pode vir de cuia e mala!      

 

 

mas, vem já

vem de abadá

de tanga ou de calça jeans

 

 

vem nua em pelo

ou de canga

vem de skate ou  de patins

 

 

 

traz violas, violões

violinos , bandolins

sanfonas, acordeões 

tambores e tamborins

 

 

vem que vem, meu bem, de a pé

com a cara e a coragem

contra o vento e a maré

vem na fé, na malandragem

 

 

vem de esqui , de carruagem

de nuvem ou de trenó

mas, vem . . .  que a minha paisagem

sem você . . .  tá de dar dó!

 

 

vem . . .  desatar esse nó  

que aperta a minha garganta!

vem que estou tão só, tão só!

e a saudade é tanta, tanta!

 

 

vem depressa, vem a jato

vem com tudo e um pouco mais

traz a samambaia, o gato

o papagaio, seus pais!

 

 

vem de vez!  vem pra ficar!

vem deixar tudo perfeito. . .

vem , que custe o que custar

vou custear . . .  dou um  jeito . . .

 

 

olhe, eu já comprei confete

barril de chope , rojão

ovos pro nosso omelete

coentro pra por no feijão

 

 

então vem,  vem logo, Ivete

de táxi  . . .  ou de avião

vem pra cá pintar o sete

colorir meu coração!

 

 

já arranjei videocassete

vitrola, televisão. . .

eta! que o meu quitinete

tá mais lindo que mansão!

 

 

vem de jegue ou de charrete

de patinete ou balão

de asa delta ou mobilete

mas, vem ligeiro . . . senão

 

 

pego o que tenho, amontoo

em riba de um caminhão

e juro por deus que avoo

de volta pro meu sertão

 

 

só pra lhe rever, morena. . .

que estou só, demais, demais

e penar . . .  não vale a pena

sem seu chamego . . . aliás

 

 

sem você, meu tudo é nada!

vem pra mim . . . vem sem demora!

sem senha ou hora marcada!

por Deus e Nossa Senhora!

 

 

vem correndo! vem agora!

antes que eu perca a cabeça

sacuda a esperança fora. . .

e de tristeza pereça. . .

 

 

vem num rabo de foguete

numa cauda de cometa

vem de bicicleta, Ivete

de Fusca ou de Romiseta

 

 

vem voando com pardais

pombas da paz, borboletas. . .

de ambulância, de muletas

de triciclo . . .  tanto faz!

 

 

vem como quem não quer nada. . .

como quem sabe o que quer

vem ser minha, ser amada

(e seja . . .  o que Deus quiser)!

 

 

vem . . . pra o que der e vier

namorar, morar comigo. . .

sossegar ,  correr perigo

ouvir Gil, ler Baudelaire!

 

 

se vier descabelada

esmolambada, banguela

pálida, magra e cansada

mesmo assim . . . lhe verei bela!

 

 

e se vier arrumada

bem perfumada bem linda

toda chique e maquiada

sabe que será benvinda . . . 

 

 

mas , se vier apressada. . .

cheia de saudade infinda. . .

e  . . .  de sainha rodada. . .

eu vou gostar . . .  mais ainda!

 

 

vem hoje, Ivete . . . ou vou eu

lhe buscar . . . você que sabe!

pois, sei . . . que, se nasci, foi pra ser seu. . .

e que serei . . . até que o mundo acabe.

 

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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PILLAR

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PILLAR

 

espere o dia raiar

espere a noite cair

espere o tempo passar

e a mágoa se diluir. . .

 

 

Pillar . . . espere eu dormir

deixe-me  ao menos sonhar

que você não vai partir

ou que voltou pra ficar. . .

 

 

deite aqui . . . chegue pra cá

deixe eu pensar  . . . ou fingir

que tudo vai se ajeitar . . .

(não ligo de me iludir)

 

 

fique até janeiro vir

até dezembro findar

até Nibiru chegar

e o Segundo Sol surgir

 

 

e a Youtan Poluo florir

e o mandacaru secar. . .

fique até Jesus voltar

para nos abduzir. . .

 

 

só  até Deus decidir

que o mundo deve acabar. . .

e todo amor desistir

de existir e desejar. . .

 

 

e a noite não mais cair

e o dia não mais raiar

mas, não vá, Pillar . . . my dear

deite aqui . . . e deixe estar. . .

 

 

fique . . .  até o céu ruir

e o meu coração parar. . .

de pulsar e repetir

seu nome, Pillar . . . Pillar

 

pois, só se a morte vir . . .  nos separar

é que conseguirei deixa-la ir.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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