ANTES DAS DEZ

ANTES DAS DEZ

ANTES DAS DEZ

 

bebendo vinho barato, antes das dez da manhã

(em jejum) o bardo nato

lê Gibran Khalil Gibran

 

 

chega a parecer sensato em seu pulôver de lã . . .

um ‘homem de fino trato’. . .

(sem pedigree nem larjan )

 

 

lindo, rindo no retrato

tem pinta de bom vivant

mas é modesto, de fato

(Zé com aura de Titã)

 

 

é um notório literato

que jamais terá um fã

e, um dia . . . morrerá no anonimato

a beber vinho barato . . .  antes das dez da manhã.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

IMAGEM- Portrait of a Poet, 1902-PABLO PICASSO

 

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DÊ O FORA, TEMER

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DÊ O FORA, TEMER

 

Já é hora, já é hora

desse vice virar ex

Ora, Temer . . . Dê o fora!

Vá embora de uma vez!

 

 

Tchau querido! Adeus Michel!

Say goodbye, so long,  farewell !

Please, go home . . .  Go to hell!

Vá purgar o mal que  fez

 

 

Digo-lhe em bom português;

Largue depressa esse osso

Mostre alguma sensatez

(mesmo no fundo do poço)

 

 

Olhe a corda em seu pescoço. . .

Porque não sair agora??

 

Ora Temer . . . Vá embora!

Dê o fora de uma vez!

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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MOÇO INSOSSO

funeral

MOÇO INSOSSO

 

engole goles de mágoa de tédio e melancolia

depois . . . escreve poesia

como se fosse remédio

 

 

vai para o topo do prédio e roga à virgem Maria

um prêmio da loteria

e a  paz no Oriente Médio. . .

 

 

coitadinho do poeta . . .  moço insosso e sem noção

ele é um ‘pato’, é um pateta

(mas, tem um bom coração)

 

 

crê em Jesus, nos profetas e na reencarnação

(lê ‘’Poema em linha reta’’

como quem faz oração)

 

 

pena deus não tenha pena de quem teima em versejar

(poetar não vale a pena

só multiplica o penar)

 

 

e o poeta se apequena fingindo se agigantar. . .

(vive preso no Geena

e sonha com Gibraltar).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DESENCANTADA

836DESENCANTADA

 

ela não é mais a mesma. . .

anda mesmo ensimesmada

muda e de cara amarrada

mais parece um abantesma

 

 

com suas cismas eu cismo. . .

vive agora enclausurada

pressentindo um cataclismo

na manhã ensolarada

 

 

tomada de ceticismo

não crê no bem  . . .  e em mais nada

maldiz o meu romantismo

e duvida que é amada. . .

 

 

varada de  pessimismo

vara as noites acordada

abismada . . .  em seu abismo

princesa . . .  desencantada.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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NEM SÓ DE PÃO II

FOME 7NEM SÓ DE PÃO II

 

‘’Nem só de pão vive o homem’’

mas, a tantos falta o pão. .

que acabo por pensar que os que bem comem

têm tudo . . . menos alma . . . e coração

 

 

Senhor , não quero usar teu santo nome

em vão . . . mas, oh! meu Deus, por que razão

aquele que sacia a própria fome

consegue ignorar a de um irmão?        

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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AVISO

aviso

AVISO

 

Após a Terceira Guerra

a Paz reinará na Terra

(Os homens . . . perecerão)                   

 

Este é um assombroso aviso:

‘Baratas herdarão o Paraíso’

(e Deus . . .  se orgulhará da Criação).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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VERSOS BÊBADOS

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VERSOS BÊBADOS

(mar de gin)

 

de vez em quando naufrago

num mar

                  de doses

                                     de gin

 

 

(lá no fundo, me embriago

                    só para emergir

                                  de mim)

 

 

e entre um e outro trago

           amargo . . .

           me estrago . . .   sim!

 

 

mas, me aprofundo

    me alargo

me ilumino

    viro um ‘mago ‘

 

 

e só ‘apago ‘

            no

                       fim.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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DA VIDA POÉTICA

vida 3 rené magritteDA VIDA POÉTICA

 

Se a minha vida é sem graça

comparada a vida alheia?

 

Qual o quê! A deles ‘passa’

A minha vida . . .  passeia!          

 

PAULO MIRANDA BARRETO        

IMAGEM: RENÉ MAGRITTE

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SURDO MUNDO/VOX POPULI

vox2SURDO MUNDO/VOX POPULI

 

‘ora vá . . . se a voz do povo

é de fato a voz de Deus

os políticos são surdos

ou completamente ateus’

 

 

ah tá . . .  se a voz do povo é a voz de deus

por que então ninguém  lhe dá ouvidos?

se os reis não valem mais do que os plebeus. . .

por que não dão valor aos desvalidos?

 

 

se nós somos de fato, ‘semelhantes’

por que que  há vencedores e vencidos?

se há  mais comandados do que comandantes

por que os segundos são favorecidos?

 

 

porque quem rouba um pão é  ‘meliante’

e quem rouba um bilhão, é inocentado?

porque é que o eleitor paga o pecado

se o ‘pecador safado’ é o  governante?

 

 

não quero parecer mal educado. . .

perdoem, por favor, os modos meus

mas, ah! se a voz do povo é a voz de deus

ou todo mundo é surdo (ou eu tapado).

 

PAULO MIRANDA BARRETO

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AO SUJEITO OCULTO

sujeito ocultoAO SUJEITO OCULTO

 

não te direi com quem ando

nem tu me dirás quem és. . .

 

 

e, ainda assim,  prosseguirei remando

(rimando) contra os males e as marés

 

 

qual ébrio (nu de brios) . .  . me equilibrando

no brando fio de luz de minhas  fés

 

 

improvisando cios e requebrando

ao ritmo febril dos afoxés

 

 

mas, nem teu Deus do céu sabe até quando

versejarei assim . . .  ‘sambando um jazz’. . .

 

 

a revelar meus lumes no que escondo. . .

e a ler o silente estrondo

de um  sol. . .

             se pondo . . .

                               a meus pés.

 

PAULO MIRANDA BARRETO

 

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